HC da Unicamp celebra 10 mil transplantes e reforça importância da doação
O Hospital de Clínicas da Unicamp celebra nesta quinta-feira (17), em alusão ao setembro verde, o marco de 10.000 transplantes de órgãos e tecidos realizados desde 1984. O transplante número 10.000 foi de rins, realizado no ano passado na paciente Antonia D’ Maschio Salmazzo, de 67 anos, que estava em diálise desde 2023, devido uma nefropatia por imunoglobulina A (IgA).
Atualmente, os transplantes realizados já passam de 10.500
procedimentos. A liderança dos transplantes são os renais, que até o final de
2025 lideravam com 3.704 procedimentos realizados, seguidos dos transplantes de
córneas (3.323), de medula óssea (1.822), de fígado (1.242) e de coração (113).
Já os transplantes de ossos e cartilagens começaram há dois anos. Dos dez tipos
de órgãos e tecidos que podem ser transplantados, o HC não realiza os de
intestino, válvulas cardíacas, pele e o de pulmões.
Os médicos da Unicamp foram responsáveis pelo primeiro
transplante de rins no interior do Estado, realizado na Santa Casa de
Misericórdia de Campinas, um ano antes da transferência dos serviços para as
atuais instalações do hospital no campus. Hoje, o HC da Unicamp está entre os
hospitais que mais realizam esses procedimentos no país, é um dos 10 no estado
de São Paulo e o que mais realiza procedimentos no interior.
O Estado de São Paulo é responsável por aproximadamente 45%
de todos os transplantes realizados no país. Nestes 42 anos de atividades, 2017
foi o ano com o maior número de transplantes de órgãos realizados: 485
transplantes. Em 2019, o hospital teve a segunda marca histórica com 395
procedimentos realizados no ano.
Outro destaque dos serviços de transplantes no hospital é a
certificação Nível A - a mais alta - através da avaliação de indicadores do
Programa de Qualidade no Processo de Doação e Transplantes (Qualidot) do
Ministério da Saúde, conquistada pelo serviço de Transplante Renal, em 2023. A
trajetória dessas quatro décadas de atividades, possibilitou a formação de
inúmeros médicos transplantadores que atuam por todo País, a publicação de
muitas pesquisas, teses e consultoria para credenciamento de outros serviços no
Brasil.
Recentemente, em 2024, começaram os transplantes de ossos,
principalmente para doenças oncológicas. “Mais do que uma comemoração, o evento
tem a intenção de chamar a atenção da sociedade sobre a importância da doação
de órgãos. É uma oportunidade de devolver às pessoas o direito à vida, um
momento de um recomeço”, afirma o superintendente do HC, professor Maurício
Etchebehere. Entre os órgãos que podem ser doados, o coração e o pulmão são os
que possuem o menor tempo de preservação extracorpórea: de 4 a 6 horas. Fígado
e pâncreas vêm em seguida com tempo máximo para transplante de 12 a 24 horas e
os rins podem levar até 48 horas para serem transplantados.
Já as córneas podem permanecer em boas condições por até
sete dias e os ossos até cinco anos. Prêmio Destaque em Doação de Órgãos -
Desde a criação pela Secretaria de Estado da Saúde do Prêmio Destaque em Doação
de Órgãos, em 2008, o HC da Unicamp sempre esteve entre os primeiros no
interior do Estado.
Na primeira edição, o HC da Unicamp se sobressaiu como uma
das unidades recordistas em números de transplantes de órgãos - categoria rim,
ficando com a terceira colocação no geral e a primeira no interior. As equipes
transplantadoras sempre foram vencedoras em todas as edições do prêmio. OPO - O
processo de captação de órgãos se inicia no instante em que a Organização de
Procura de Órgãos (OPO) é notificada do diagnóstico de morte encefálica em
determinado paciente.
Com isso, a equipe se mobiliza para o contato com a família
e cuidado com o doador. Efetivada a autorização, são realizados os exames para
constatação do doador viável e o hospital comunica a central de transplantes em
São Paulo, que conta com apoio dos grupamentos aéreos Águia (Polícia Civil) e
Pelicano (Polícia Militar), além do grupamento de polícia rodoviária estadual
para transportar as equipes médicas e os órgãos. Nem sempre os órgãos de um
mesmo paciente são destinados para a OPO Unicamp quando a equipe vai para
captação.
O mais comum é que, por exemplo, em um caso de morte
encefálica a OPO Unicamp fica responsável pelo rim e fígado, enquanto que outra
OPO assume os demais órgãos e tecidos. A ordem da distribuição é estabelecida
de acordo com a lista única do Estado, com a compatibilidade genética dos
órgãos e a isquemia - o período crítico em que o órgão fica fora do corpo
humano, desde a retirada do doador até o implante no receptor.

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