Varejo alerta que fim da ‘taxa das blusinhas’ deve afetar empresas da região
Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirma que fim da tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 pode ampliar desigualdade fiscal, ameaçar empregos e atingir empresas ligadas ao comércio, indústria e setor têxtil
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) alertou para os impactos da possível derrubada da tributação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Segundo a entidade, a mudança prevista na Medida Provisória nº 1.357/2026 pode aumentar a diferença de carga tributária entre produtos vendidos por plataformas estrangeiras e mercadorias produzidas no Brasil.
A medida também pode ter impacto direto na região, que concentra empresas dos setores têxtil, de confecção, comércio e outros segmentos que disputam mercado com produtos importados. A avaliação é que uma eventual redução da tributação das compras internacionais pode aumentar a pressão sobre empresas locais, com reflexos na geração de empregos, investimentos e arrecadação dos municípios.
Para o instituto, o impacto da medida vai além do setor de
vestuário. A retirada da alíquota de importação pode atingir segmentos como
calçados, brinquedos, artigos pessoais, produtos de beleza e materiais de
construção, ampliando a vantagem competitiva dos itens importados.
O IDV afirma que empresas brasileiras enfrentam custos
tributários e trabalhistas que, ao longo de toda a cadeia, podem representar,
em média, cerca de 100% do valor do produto nacional. Na avaliação da entidade,
permitir a entrada de mercadorias estrangeiras com tributação inferior cria uma
condição desigual de concorrência e enfraquece o comércio formal brasileiro.
Um dos principais pontos levantados pelo instituto é o risco
ao emprego. De acordo com dados do Caged citados pelo IDV, 63.417 postos de
trabalho já foram eliminados nos setores mais afetados pelas compras
internacionais realizadas diretamente em plataformas estrangeiras.
A entidade avalia que uma eventual retirada da cobrança pode
ampliar esse movimento, principalmente em setores que disputam diretamente o
consumidor com produtos importados de baixo valor.
QUEDA NAS RECEITAS
Outro efeito apontado é a perda de arrecadação. Segundo
estimativa apresentada pelo instituto, a mudança pode retirar aproximadamente
R$ 5 bilhões por ano dos cofres públicos. Para o IDV, a decisão representaria
um retrocesso em relação às mudanças tributárias adotadas a partir de 2024.
O instituto também afirma que alterações frequentes nas
regras para importação podem reduzir a segurança para investimentos no país. Na
avaliação da entidade, empresas podem rever projetos de expansão, inovação e
industrialização diante de uma concorrência considerada desigual com
mercadorias produzidas no exterior.
Diante do cenário, o IDV pede que o Congresso Nacional rejeite a MP nº 1.357/2026 ou faça alterações no texto durante sua análise pela comissão mista. A entidade também defende a realização de audiências públicas e maior participação dos setores produtivos nas discussões antes de qualquer mudança na tributação das compras internacionais.
Segundo o instituto, a manutenção de regras tributárias
equilibradas é necessária para preservar empregos, arrecadação e investimentos
e garantir condições semelhantes de disputa entre empresas brasileiras e
plataformas estrangeiras.

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