Saúde
Casa do Autista: moradora cobra atendimento especializado para adultos autistas na rede pública de Sumaré

Autista denuncia falta de atendimento para adultos na rede pública de Sumaré

Moradora sustenta que adultos com TEA não têm acesso a avaliação neuropsicológica, terapias e ao acompanhamento especializado pelo SUS em Sumaré e cobra ampliação dos serviços após inauguração da Casa do Autista para crianças

A inauguração da Casa do Autista de Sumaré, realizada no fim de julho com foco exclusivo no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), motivou o debate sobre a assistência destinada aos adultos autistas no município. 

A principal reclamação parte da moradora Sueli Semenssatto, de 52 anos, do Jardim Paulistano, que afirma enfrentar dificuldades para conseguir atendimento especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e critica a ausência de políticas públicas voltadas a pessoas com TEA na fase adulta.

Segundo Sueli, embora a criação da nova unidade represente um avanço para as crianças, adultos e idosos permanecem sem acesso a serviços considerados essenciais, como avaliação neuropsicológica, terapias específicas e emissão de laudos atualizados necessários para processos administrativos, entre eles pedidos de benefícios sociais.

“Enquanto a gente é criança, a gente consegue tratamento para o autismo, porém, o autista quando ele cresce, ele se torna adulto e velho, somos jogados para escanteio”, desabafa.

Ela afirma que, atualmente, não há profissionais da rede municipal que realizem avaliação neuropsicológica para confirmação ou atualização do diagnóstico em adultos.

“Aqui na cidade de Sumaré, não existe neuropsicólogo para estar fazendo o teste de autismo, é atualizado para que a gente consiga dar entrada num LOAS para tentar conseguir algum benefício. Você tem que pagar particular, é uma vergonha isso.”

A moradora também critica o fato de a Casa do Autista atender apenas o público infantil. Para ela, o autismo acompanha a pessoa durante toda a vida e as políticas públicas deveriam contemplar todas as faixas etárias.

“Fizeram a Casa do Autista, porém, as pessoas adultas e velhos são excluídas desse projeto. Não existe criança autista, existe ser humano autista. O ser humano autista é criança, se torna adolescente, adulto, fica velho e morre. Ele nasce autista e morre autista.”

Sueli relata ainda que encontrou dificuldades para obter reconhecimento de sua condição durante atendimentos pelo SUS. Segundo ela, a falta de preparo de alguns profissionais acaba atrasando diagnósticos e comprometendo o acesso ao tratamento.

“Psiquiatras do SUS não reconhecem um adulto autista quando ele chega em consulta. Foi o meu caso. Eu precisei procurar atendimento porque fiquei desempregada e não tinha mais condições de pagar consultas particulares. Eles ignoram totalmente todos os sintomas.”

Ela também afirma que a inexistência de serviços especializados para adultos contribui para situações de exclusão social e dificuldades no mercado de trabalho.

“O adulto precisa sobreviver. O autista paga aluguel, tem contas para pagar e muitas vezes é rejeitado por falta de informação sobre o autismo na vida adulta.”

Além da assistência médica, Sueli defende campanhas permanentes de conscientização para combater preconceitos e ampliar o conhecimento sobre o transtorno.

CASA DO AUTISTA

Inaugurada pela Prefeitura de Sumaré recentemente em parceria com o Instituto São Lucas, a Casa do Autista foi criada para oferecer atendimento especializado a crianças com Transtorno do Espectro Autista. 

Segundo a administração municipal, a unidade tem capacidade para realizar cerca de quatro mil atendimentos mensais e foi implantada com a meta de zerar a fila de espera, que soma 471 crianças aguardando acompanhamento especializado.

OUTRO LADO

A Secretaria de Saúde informou que a Casa do Autista foi implantada para ampliar a oferta de atendimento especializado ao público infantojuvenil. Nesta primeira etapa, o serviço atende prioritariamente crianças que aguardam, há anos, na fila de espera por assistência especializada.

A estratégia busca reduzir o tempo de espera e garantir o acesso ao diagnóstico, à avaliação e às terapias necessárias ao desenvolvimento infantil, sem prejuízo da continuidade do atendimento dos pacientes que já recebem acompanhamento na Rede Municipal de Saúde.

Em relação às pessoas adultas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Secretaria esclarece que o atendimento ocorre na Rede Municipal de Saúde, conforme a necessidade clínica de cada usuário. Os casos que exigem acompanhamento em saúde mental são assistidos pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), de acordo com os critérios assistenciais e as diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde).

A Secretaria de Saúde também desenvolve, em parceria com instituições como a APAE e a Pestalozzi, a reestruturação da Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência. A iniciativa prevê a ampliação e a qualificação da assistência destinada às pessoas com deficiência, incluindo adolescentes, adultos e idosos com TEA. Entre as ações previstas estão a reorganização dos fluxos assistenciais, a definição da linha de cuidado e o fortalecimento da integração entre os serviços da rede.

“A implantação da Casa do Autista representa a primeira etapa desse processo de fortalecimento da assistência especializada. A ampliação da linha de cuidado para as demais faixas etárias integra o planejamento da administração e ocorrerá de forma gradual, conforme critérios técnicos, capacidade instalada e disponibilidade de recursos”, disse.


 

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