Saúde
Fungo biológico é aplicado em área de risco de Americana para combater o carrapato-estrela

Americana usa agente biológico para controle do carrapato-estrela na cidade

Prefeitura amplia aplicação de fungo biológico em áreas de risco do município para reduzir a população do carrapato-estrela diante do cenário registrado neste ano, quando a cidade já confirmou duas mortes provocadas pela doença

A Prefeitura de Americana ampliou nesta semana o trabalho de aplicação de agente biológico para controle do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa, em áreas consideradas de risco no município. A medida ganha importância diante do cenário registrado neste ano, quando a cidade já confirmou duas mortes provocadas pela doença. A nova etapa do serviço ocorreu na Avenida Bandeirantes, no trecho entre o Corpo de Bombeiros e a Avenida Europa, entre os bairros Jardim Colina e Vila Cordenonsi.

O trabalho é realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e utiliza o Metarhizium, fungo empregado no controle do carrapato sem causar danos ao meio ambiente e aos animais. A estratégia faz parte das ações preventivas adotadas pelo município para reduzir a presença do vetor em locais onde há maior possibilidade de contato entre carrapatos e pessoas.

A aplicação conta com a parceria do Instituto Biológico, ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e da empresa Toyobo, licenciada pelo instituto. A Secretaria Municipal de Saúde acompanha o trabalho. Na semana anterior, o agente biológico já havia sido aplicado na Orla da Praia dos Namorados e também em outro trecho da Avenida Bandeirantes.

Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Andréa Gonçales, as aplicações continuarão em diferentes pontos classificados como áreas de risco.

“A Prefeitura segue ativa no controle do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa. Por isso, as aplicações do agente biológico continuarão em diversos trechos da cidade, considerados áreas de risco. Estamos lidando com o problema de forma sustentável, sem agredir o meio ambiente e a saúde do cidadão. Nossa maior prioridade é o bem-estar de todos”, afirmou.

O Metarhizium é um fungo entomopatogênico, ou seja, capaz de parasitar e provocar a morte de determinados insetos e outros artrópodes. No caso das ações realizadas em Americana, ele é utilizado para atingir o carrapato-estrela e contribuir para a redução de sua população nos locais monitorados.

Além da pulverização do agente biológico, as equipes utilizam armadilhas para acompanhar a quantidade de carrapatos presentes nas áreas de risco e identificar exemplares nas diferentes fases de desenvolvimento. O monitoramento permite avaliar a presença do vetor e orientar novas intervenções.

Americana mantém desde 2006 o Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato (PVCE). Entre as medidas adotadas estão a instalação de cercas e placas informativas e a orientação para que moradores evitem locais onde existe maior possibilidade de presença do carrapato-estrela, especialmente margens de rios, córregos, lagoas, represas e regiões com vegetação.

Entre os pontos classificados pelo município como áreas de risco estão os pesqueiros do Rio Piracicaba, próximos à Rua Carioba; a mata ciliar do Ribeirão Quilombo, na região da Casa de Cultura Herman Müller; áreas próximas ao Rio Jaguari; a região posterior à Represa do Salto Grande; e chácaras localizadas na Colônia Agrícola do Sobrado Velho.

Também integram o mapeamento a confluência dos rios Atibaia e Jaguari, as matas ciliares do Rio Jaguari e do Córrego Jacutinga no Assentamento Milton Santos, os pesqueiros próximos à ponte do Rio Piracicaba na Rodovia Anhanguera e áreas do entorno do Centro de Detenção Provisória (CDP).

A lista inclui ainda o Condomínio Jardim Terras do Imperador, o Residencial Portal dos Nobres, a Orla da Praia dos Namorados, pastos e matas periféricas do Jardim Mirandola, a Praia do Zanaga, entre os bairros Antônio Zanaga e Vale das Nogueiras, e a região da usina da CPFL na Represa do Salto Grande.

Toda a extensão das duas margens do Ribeirão Quilombo também é considerada área de atenção, assim como a mata ciliar do Córrego Bertini, no Parque Nova Carioba.

A febre maculosa é uma doença infecciosa grave transmitida pela picada de carrapatos infectados por bactérias do gênero Rickettsia. Em casos mais severos, a evolução pode ser rápida e levar à morte, o que torna fundamental o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento quando há suspeita.

A orientação da Prefeitura é evitar áreas classificadas como de risco sempre que possível. Quando a entrada nesses locais for necessária, a recomendação é usar roupas claras, que facilitam a identificação dos carrapatos, colocar as barras das calças dentro das meias e utilizar botas de cano alto.

Outra medida importante é examinar o corpo periodicamente durante a permanência em áreas de risco. A recomendação municipal é realizar essa verificação a cada três horas. Caso um carrapato seja encontrado preso à pele, a retirada deve ser feita cuidadosamente, com uma leve torção, evitando esmagar o animal.

Após uma possível exposição, a pessoa deve permanecer atenta ao surgimento de sintomas durante um período de dois a 14 dias. Entre os principais sinais associados à febre maculosa estão febre alta, dores pelo corpo, dor de cabeça, calafrios e manchas avermelhadas na pele.

Quem apresentar sintomas depois de frequentar uma área onde há presença de carrapatos deve procurar atendimento médico imediatamente e informar aos profissionais de saúde sobre a possível exposição. Essa informação é considerada importante para direcionar a avaliação clínica e permitir o início rápido do tratamento em casos suspeitos.

 


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