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Pesquisa do Ciesp aponta queda nos lucros e avanço das demissões na indústria regional

Indústria da região registra queda nos lucros e aumento das demissões, aponta Ciesp

Sondagem mostra retração da produtividade, vendas e rentabilidade das empresas; entidade também manifestou preocupação com tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros

A indústria da região enfrenta um cenário de desaceleração, marcado pela queda da lucratividade e pelo aumento das demissões. Os dados são da Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), e compõem a Pesquisa de Sondagem Industrial de julho, que também apontou retração na produtividade e nas vendas das empresas.

Segundo o diretor do Ciesp Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, os indicadores confirmam a tendência observada nos levantamentos anteriores e refletem os impactos do atual ambiente econômico sobre a atividade industrial. De acordo com ele, a combinação de juros elevados, aumento dos gastos públicos e o chamado “Custo Brasil” continua reduzindo a competitividade das empresas e comprometendo seus resultados.

“O que observamos é uma queda acentuada da produtividade, das vendas e dos lucros. Estamos principalmente com redução da lucratividade e um pequeno aumento nas demissões, o que gera preocupação para os próximos meses”, afirmou o dirigente durante a apresentação da pesquisa.

Além do cenário econômico, a sondagem identificou que a dificuldade para encontrar profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas empresas da região. Para enfrentar esse problema, 43% das indústrias informaram investir em planos de carreira estruturados, oferecendo perspectivas de crescimento profissional aos colaboradores.

Outras estratégias adotadas incluem modelos de trabalho mais flexíveis, apontados por 29% das empresas, enquanto 14% afirmaram investir em cursos de capacitação e especialização para retenção de talentos. Nenhuma das indústrias consultadas indicou o aumento salarial como principal mecanismo para manter profissionais, e outros 14% disseram não possuir programas específicos voltados à retenção de mão de obra.

Durante a apresentação da pesquisa, a diretoria do Ciesp Campinas também manifestou preocupação com a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em nota oficial, a entidade classificou como improcedente a justificativa baseada em supostas práticas de trabalho forçado, destacando que o Brasil possui uma das legislações trabalhistas mais rígidas do mundo e é signatário de dezenas de convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A entidade defendeu que o governo federal intensifique as negociações diplomáticas e econômicas para reduzir os impactos das novas barreiras comerciais e restabelecer condições equilibradas para o comércio bilateral. O Ciesp também considerou positiva a criação de linhas de crédito com juros reduzidos para empresas afetadas, mas ressaltou que medidas emergenciais não substituem uma solução definitiva para o problema.

BALANÇA COMERCIAL

Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria, os números da balança comercial regional apresentaram desempenho positivo no primeiro semestre. As exportações somaram US$ 1,8 bilhão entre janeiro e junho, crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já as importações alcançaram US$ 6,7 bilhões, com leve retração de 0,39%, reduzindo o déficit acumulado da balança comercial em 2,11%.

Entre os principais municípios exportadores da Regional Campinas aparecem Campinas, Paulínia, Sumaré, Mogi Guaçu, Santo Antônio de Posse e Valinhos. Nas importações, Paulínia lidera o ranking, seguida por Campinas, Hortolândia, Jaguariúna, Sumaré e Valinhos. Atualmente, o Ciesp Campinas reúne 590 empresas associadas distribuídas por 19 municípios, responsáveis por um faturamento anual de aproximadamente R$ 53 bilhões e pela geração de quase 98 mil empregos diretos.

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