Estupros sobem 126% em Hortolândia e mulheres relatam medo de andar sozinhas por bairros, ruas e avenidas
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram salto de 26 para 59 casos de estupro entre janeiro e junho deste ano; mulheres ouvidas pela reportagem mencionam medo de caminhar sozinhas e já evitam sair à noite pela cidade
Os casos de estupro registrados em Hortolândia mais que
dobraram no primeiro semestre de 2026 e acenderam um alerta entre moradores.
Dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo
(SSP-SP) apontam que o município passou de 26 ocorrências entre janeiro e junho
de 2025 para 59 no mesmo período deste ano, um crescimento de 126,9%. O avanço
dos indicadores tem provocado preocupação principalmente entre as mulheres.
Em conversas com a reportagem, moradoras que preferiram não
se identificar por receio de exposição afirmaram que mudaram a rotina e evitam
caminhar sozinhas, especialmente durante a noite ou em locais com pouca
movimentação.
Uma delas contou que deixou de fazer caminhadas após o anoitecer e passou a depender de familiares para deslocamentos curtos. “Antes eu saía sozinha para resolver as coisas. Hoje penso duas vezes. Se não for realmente necessário, prefiro não sair”, afirmou.
Outra moradora disse que passou a compartilhar a localização em tempo real com familiares sempre que precisa utilizar transporte por aplicativo ou percorrer trechos a pé. “O medo aumentou muito. A gente acompanha as notícias e fica insegura. Sempre tento voltar para casa antes de escurecer”, relatou.
Segundo os dados da SSP-SP, o número de ocorrências
apresentou oscilações ao longo do semestre. Foram registrados 14 casos em
janeiro, 10 em fevereiro, 11 em março, 5 em abril, 11 em maio e 8 em junho,
totalizando 59 registros no período.
Especialistas em segurança pública destacam que o crime de
estupro possui características próprias e pode ocorrer tanto em espaços
públicos quanto em ambientes privados, envolvendo pessoas conhecidas ou
desconhecidas da vítima. Por isso, o aumento dos registros também pode refletir
na maior procura das vítimas pelos canais oficiais de denúncia, sem afastar a
gravidade do crescimento observado.
Além do impacto estatístico, os números refletem diretamente
na sensação de segurança da população. Mulheres afirmaram que deixaram de
frequentar determinados locais sozinhas, passaram a evitar ruas com pouca
iluminação e alteraram horários de deslocamento.
O crescimento também reforça a importância de políticas
públicas voltadas ao combate à violência contra a mulher, incluindo ampliação
do patrulhamento preventivo, fortalecimento da iluminação pública, campanhas de
conscientização, incentivo às denúncias e estrutura adequada de acolhimento às
vítimas.
Os dados divulgados pela SSP-SP são utilizados como
referência para o planejamento das ações das forças de segurança. Questionada,
a pasta não se pronunciou sobre medidas para reduzir os casos de crime sexual.

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