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Lanna Vaughan Romano é especialista em Direito Médico, Direito da Saúde, Direito da Farmácia e do Medicamento

Coluna Direito Médico e da Saúde

Erro médico e responsabilidade: quais são os direitos do paciente?

Por que nem todo resultado indesejado de um tratamento significa erro médico — e quando o paciente pode buscar reparação

A relação entre médico e paciente é marcada pela confiança. De um lado, está o profissional que utiliza seus conhecimentos técnicos para diagnosticar, tratar e acompanhar uma pessoa. Do outro, está o paciente, que deposita no profissional não apenas expectativas de melhora, mas também sua saúde, sua integridade física e, em determinadas situações, a própria vida.

Por isso, quando ocorre uma complicação durante ou após um tratamento, procedimento ou cirurgia, é comum surgir uma dúvida: todo resultado negativo caracteriza erro médico? A resposta é não. A medicina envolve riscos, inclusive em procedimentos considerados seguros. Uma complicação, por si só, não significa necessariamente que o profissional tenha agido de maneira inadequada. 

Para que exista responsabilidade civil do médico, é necessário analisar concretamente as circunstâncias do caso, verificando a conduta adotada, as informações fornecidas ao paciente, os riscos envolvidos e a existência de eventual negligência, imprudência ou imperícia.

O QUE CARACTERIZA A RESPONSABILIDADE MÉDICA?

O Código Civil estabelece, em seu artigo 186, que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, causar dano a outra pessoa comete ato ilícito. Já o artigo 927 prevê o dever de reparar o dano causado. No caso dos profissionais da medicina, a análise da responsabilidade exige atenção especial à natureza da atividade desenvolvida.

Em regra, a responsabilidade pessoal do médico é examinada sob a perspectiva da culpa, sendo necessário verificar se houve negligência, imprudência ou imperícia. A negligência pode ocorrer, por exemplo, quando o profissional deixa de adotar uma providência necessária. A imprudência está relacionada a uma conduta precipitada ou sem os cuidados esperados. Já a imperícia envolve a falta de conhecimento ou habilidade técnica necessária para determinada atuação.

Entretanto, é importante diferenciar a responsabilidade do profissional da responsabilidade dos hospitais, clínicas e demais fornecedores de serviços de saúde, cuja análise pode seguir regras próprias, especialmente quando existe uma relação de consumo.

E QUANDO O TRATAMENTO NÃO APRESENTA O RESULTADO ESPERADO?

O paciente pode realizar uma cirurgia, tratamento ou procedimento seguindo todas as orientações médicas e, ainda assim, apresentar complicações ou não alcançar o resultado desejado.

Isso não significa automaticamente que houve erro médico.

A medicina não é uma ciência de resultados garantidos. Em muitos tratamentos, especialmente os de maior complexidade, existe uma margem de risco que precisa ser considerada.

Por outro lado, o simples fato de uma complicação ser considerada um risco conhecido não significa que o profissional esteja automaticamente isento de responsabilidade. É necessário verificar se a conduta adotada foi adequada antes, durante e depois do procedimento.

Assim, cada caso deve ser analisado individualmente, considerando prontuários, exames, registros médicos, informações fornecidas ao paciente, protocolos aplicáveis e demais elementos disponíveis.

A IMPORTÂNCIA DO PRONTUÁRIO MÉDICO

Em uma eventual discussão judicial ou administrativa, o prontuário médico pode assumir papel fundamental. Ele registra informações relevantes sobre o atendimento, como consultas, exames, diagnósticos, medicamentos prescritos, procedimentos realizados e evolução clínica do paciente.

Por isso, o paciente possui interesse legítimo em ter acesso às informações relacionadas ao seu próprio atendimento. A documentação também é importante para o profissional e para a instituição de saúde, pois permite reconstruir os acontecimentos e demonstrar quais condutas foram adotadas durante o tratamento.

PREVENÇÃO TAMBÉM É UMA FORMA DE PROTEÇÃO

A melhor maneira de reduzir conflitos na área médica é fortalecer a comunicação entre profissionais e pacientes. Para o paciente, é importante perguntar, esclarecer dúvidas, informar corretamente seu histórico de saúde e guardar documentos relacionados ao tratamento.

Para o profissional, manter prontuários completos, registrar adequadamente as informações clínicas, explicar riscos e alternativas de tratamento e documentar as orientações fornecidas são medidas importantes não apenas para sua proteção jurídica, mas principalmente para a segurança do próprio paciente.

A discussão sobre responsabilidade médica, portanto, não deve ser vista apenas como uma busca por culpados. Ela também deve servir para fortalecer uma relação baseada em informação, transparência, segurança e respeito à autonomia do paciente.

Lanna Vaughan Romano é advogada especialista em Direito Médico, Direito da Saúde, Direito da Farmácia e do Medicamento

E-mail: dra.lannaromano@gmail.com

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