Volume de chuva tem aumento de 37% na região em janeiro e desafia cidades
Informações do Ciiagro apontam alta nas precipitações em Sumaré, Hortolândia, Americana, Monte Mor, Nova Odessa e Paulínia, totalizando 1,6 mil mm em 31 dias; volume elevado de chuvas sobrecarregou sistemas de drenagem urbana
O volume de chuvas registrado nas seis cidades da área de cobertura do Tribuna Liberal em janeiro deste ano foi 37% maior em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas).
No total, os municípios da região monitorados
somaram 1.629,47 milímetros de precipitação, o equivalente a 1.629 litros de
água por metro quadrado, reflexo de um mês marcado por temporais frequentes,
episódios de instabilidade climática, enchentes e alagamentos em série.
Os números mostram que Americana acumulou 278,11 mm de chuva
no período, enquanto Hortolândia registrou 282,96 mm. Em Monte Mor, o volume
chegou a 288,35 mm, o maior da região. Paulínia teve 284,97 mm, Sumaré acumulou
274,08 mm e Nova Odessa registrou 221 mm.
Em janeiro de 2025, o total regional havia sido de 1.189,49
mm. Naquele ano, Americana somou 193,29 mm, Hortolândia apenas 71,88 mm, Monte
Mor 239,02 mm, Nova Odessa 295,15 mm, Paulínia 196,60 mm e Sumaré 193,55 mm. A
comparação entre os períodos aponta um aumento absoluto de quase 440 mm em
2026, o que representa crescimento de 37% no montante de água absorvido pelas
cidades.
A análise por município revela variações. Hortolândia, por
exemplo, saltou de 71,88 mm em 2025 para 282,96 mm em 2026, registrando um dos
maiores aumentos proporcionais. Americana teve alta de cerca de 44%, enquanto
Monte Mor apresentou crescimento em torno de 21%. Já Nova Odessa foi a única
cidade a registrar queda no volume, passando de 295,15 mm para 221 mm, redução
próxima de 25% nas chuvas.
O período foi marcado por fortes temporais que provocaram
impactos em diferentes pontos da região. Em Monte Mor, as chuvas contribuíram
para a decretação de estado de emergência, com registros de enchentes na área
central e destruição de pontes. Cinco famílias ficaram desalojadas.
Em Americana, diversas vias ficaram alagadas, houve danos no
asfalto e quadras de tênis foram inundadas. Em Nova Odessa, moradores
enfrentaram alagamentos na Avenida Ampelio Gazzetta e na região do Jardim
Fadel.
Sumaré também registrou pontos de alagamento em diferentes
bairros, principalmente durante pancadas mais intensas. Situações semelhantes
foram observadas em Paulínia e Hortolândia, com ruas tomadas pela água,
dificuldades no trânsito e prejuízos pontuais a moradores.
Especialistas apontam que o volume elevado de chuvas em
curto período sobrecarregou os sistemas de drenagem urbana. Além disso, o
comportamento irregular das precipitações, com alternância entre períodos de
estiagem e chuvas intensas, revela desafios impostos pelas mudanças climáticas
na região.
De acordo com análises do Instituto Nacional de Meteorologia
(Inmet), houve atuação constante da Zona de Convergência do Atlântico Sul
(ZCAS), um sistema que concentra umidade da Amazônia até o Sudeste do país,
provocando períodos prolongados de chuva.
Segundo técnicos, outro fator importante foi o excesso de
calor. As altas temperaturas registradas no início do ano aumentaram a
evaporação e a concentração de umidade no ar, criando condições para
tempestades.
Estudos indicam que eventos extremos, como chuvas
concentradas em curto espaço de tempo, têm se tornado mais frequentes. Com o
aumento das chuvas em 2026, prefeituras seguem monitorando áreas de risco e
reforçando ações preventivas.

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