72% dos moradores da RMC são alvos de tentativa de golpe, afirma Seade
Ligações silenciosas e mensagens falsas viraram rotina, segundo pesquisa, que expõe dimensão das fraudes digitais; pessoas entre 30 e 59 anos, com ensino superior e maior renda, aparecem entre as principais vítimas de criminosos
Atender o telefone e ouvir apenas o silêncio antes da
chamada cair virou algo comum para a grande maioria dos moradores da Região
Metropolitana de Campinas (RMC). De acordo com levantamento da Fundação Seade,
72% da população da região (mais de 3,2 milhões de pessoas) são alvos de
chamadas mudas, prática frequentemente associada a tentativas de golpe. O
estudo aponta que 23% recebem esse tipo de ligação ocasionalmente, enquanto
apenas 5% afirmaram nunca ter passado por essa situação.
Segundo a Fundação Seade, essas ligações silenciosas fazem
parte de uma estratégia usada por criminosos para confirmar se um número de
telefone está de fato funcionando. Após essa validação, o contato passa a
integrar listas utilizadas em golpes futuros, que podem envolver desde falsas
centrais bancárias até pedidos de dinheiro feitos por aplicativos de mensagens.
O problema, no entanto, vai muito além das chamadas mudas. O
estudo, realizado ao longo de 2025, revela que 88% dos moradores do Estado
(cerca de 30 milhões de pessoas) já foram alvo de algum tipo de tentativa de
golpe digital. Mensagens suspeitas, e-mails fraudulentos, perfis falsos em
redes sociais e solicitações de transferências via Pix compõem o cardápio mais
comum das abordagens criminosas.
Os dados mostram que uma parcela significativa dessas
tentativas se transforma em prejuízo real. Quatro em cada dez paulistas
afirmaram já ter comprado produtos em lojas virtuais que simplesmente não
existiam. Além disso, 24% relataram ter sofrido fraude ou clonagem de cartão
bancário nos últimos 12 meses, e mais de um terço declarou ter perdido dinheiro
em golpes digitais sem conseguir recuperar os valores.
As transações instantâneas também figuram entre os
principais riscos. Um em cada quatro moradores do Estado já foi vítima ou alvo
de golpe envolvendo o Pix, o que representa aproximadamente 9 milhões de
pessoas. O levantamento aponta ainda que 15% da população já sofreu algum tipo
de fraude em maquininhas de cartão.
Na RMC, o cenário segue a mesma tendência. O estudo indica que 61% dos moradores já receberam ligações que simulavam contato de bancos ou empresas, enquanto 68% foram abordados por perfis falsos pedindo dinheiro. Em 19% dos casos, criminosos chegaram a usar fotos das próprias vítimas para solicitar transferências a contatos próximos. Compras virtuais fraudulentas atingiram 43% dos entrevistados, e 25% relataram golpes ou tentativas via Pix.
PERFIL DAS VÍTIMAS
O perfil das vítimas também chama atenção. Pessoas entre 30
e 59 anos, com ensino superior e maior renda, aparecem entre os principais
alvos, sobretudo por utilizarem mais intensamente a internet e serviços
digitais. Já idosos e pessoas com menor escolaridade demonstram maior sensação
de vulnerabilidade, sendo os mais suscetíveis aos riscos.
A percepção de insegurança é quase unânime: 95% dos entrevistados acreditam que os golpes estão aumentando, e 63% avaliam que é praticamente impossível se proteger totalmente das fraudes online. Apenas 12% se dizem muito confiantes de que não cairão em golpes na região.
CAPTAÇÃO DE VOZ
O estudo também aponta uma sofisticação crescente das ações
criminosas. Além do uso de dados vazados, golpistas podem captar pequenos
trechos da voz das vítimas para alimentar sistemas de inteligência artificial,
capazes de reproduzir falas mais longas e realistas. Com isso, aumentam as
chances de fraudes como empréstimos indevidos e pedidos de dinheiro
personalizados.
Especialistas recomendam que moradores não compartilhem
dados pessoais ou senhas, desconfiem de mensagens e ligações inesperadas e, em
caso de dúvida, procurem diretamente a agência bancária ou canais oficiais. A
pesquisa conclui que, embora os golpes digitais tenham se tornado parte do
cotidiano, a atenção constante ainda é a principal ferramenta para reduzir
riscos.
.png)
Deixe um comentário