Governo Dalben entra no centro de investigação da PF por suposta corrupção na Educação; Marin é preso
Quarta fase da operação da Operação Coffee Break apura esquema milionário de superfaturamento de contratos e desvio de recursos da educação; investigação tem como centro contratos firmados durante gestão do ex-prefeito Luiz Dalben
A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), mais uma fase da Operação Coffee Break, investigação que apura um esquema milionário de corrupção envolvendo contratos da Secretaria de Educação de Sumaré firmados durante o governo do ex-prefeito Luiz Dalben (PSD). Nesta quarta fase da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão, prisão preventiva e medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica por investigados.
Entre os alvos da operação está José Aparecido Ribeiro
Marin, ex-secretário da gestão Dalben, que foi preso nesta quinta. O
ex-secretário de Sumaré foi alvo de mandado de prisão em novembro de 2025, mas
o ex-agente público não havia sido encontrado na época.
A operação ocorreu em Sumaré, Campinas, Jundiaí, Americana e
Itu, envolvendo servidores públicos e empresários que teriam participado do
suposto esquema. Em Americana, a operação foi cumprida em endereços de pessoas
que teriam ligação com Marin.
OUTRA EX-SECRETÁRIA
A PF ainda colocou nesta quinta tornozeleira eletrônica na secretária de Finanças de Itu, Monis Marcia Soares, que também já foi secretária de Finanças e Orçamento de Sumaré, na gestão Dalben.
CONTRATOS DA EDUCAÇÃO
Segundo as investigações, o esquema envolvia contratos da Educação com suspeita de superfaturamento e possível desvio de recursos públicos, em valores que podem alcançar milhões de reais. Durante as diligências, também foram encontrados valores em dinheiro, que passam a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal.
A Justiça Federal também determinou o afastamento de servidores de suas funções e o bloqueio de bens de investigados, como forma de garantir a continuidade das apurações e evitar prejuízos aos cofres públicos. A Operação Coffee Break, que já está em sua quarta fase, apura contratos e decisões administrativas adotadas durante a gestão Dalben em Sumaré na área da Educação municipal. As investigações seguem em andamento. Marin já havia obtido habeas corpus.
“Nesta etapa, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e
apreensão, um de prisão preventiva e uma medida cautelar pessoal consistente na
instalação de dispositivo de monitoramento eletrônico, além de afastamentos de
funções públicas e de medidas de constrição patrimonial autorizadas
judicialmente. As diligências ocorrem nos municípios de Campinas, de Jundiaí,
de Americana, de Itu e de Sumaré, todos no estado de São Paulo. O escopo da
atual fase é a apuração de fraudes em licitações realizadas pela Secretaria de
Educação de Sumaré, bem como a identificação de atos de lavagem de dinheiro
praticados para ocultar a origem de valores desviados do erário público”,
afirmou a PF.
Os investigados poderão responder, na medida de suas
responsabilidades, pelos crimes de corrupção ativa e passiva, de peculato, de
fraude em licitação, de lavagem de dinheiro, de contratação direta ilegal e de
organização criminosa, cujas penas somadas podem chegar a 60 anos de prisão.
ARMAS APREENDIDAS
Em janeiro, agentes da PF cumpriram mandados de busca e
apreensão. Em um imóvel de Sumaré, pertencente a Marin, foram apreendidas 11
armas de fogo e aproximadamente 400 munições.
DEFESA DE MARIN
A defesa de Marin disse que ainda não teve acesso aos autos
da nova investigação que culminaram com a prisão preventiva dele.
“A defesa se mostra surpresa com a decretação da prisão.
Marin cumpria rigorosamente medidas cautelares alternativas impostas pelo
Tribunal Regional Federal da 3ª Região, inclusive com tornozeleira eletrônica,
em substituição à prisão preventiva anteriormente decretada contra ele pela
Justiça Federal de Campinas-SP nessa mesma Operação.
A defesa reafirma sua confiança na atuação técnica das
autoridades e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários tão
logo tenha acesso completo aos autos”.
EX-PREFEITO
No início da investigação federal, o ex-prefeito Luiz Dalben
declarou que tomou conhecimento da operação “pela imprensa” e reiterou que sua
gestão sempre foi pautada pelos princípios da “legalidade e moralidade”.

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