Polícia
Amigas Lídia Moraes Aguiar e Maria Eduarda de Souza Almeida morreram em acidente

Delegado finaliza inquérito e aponta risco assumido de mortes em tragédia de Americana em meio ao Carnaval

Motorista poderá responder por dolo eventual em acidente que tirou a vida de duas adolescentes em fevereiro depois de colisão de carro contra poste no Jardim Ipiranga; velocidade estava acima do permitido para a via, afirma polícia

A Polícia Civil encerrou o inquérito sobre o acidente que resultou na morte de duas adolescentes em Americana no período de Carnaval e apontou que o motorista envolvido agiu com dolo eventual, ou seja, assumiu o risco de provocar as mortes das passageiras.

O inquérito, conduzido pelo delegado Odair José Jaeger, apontou alta velocidade e falta de uso de cinto de segurança das jovens, e foi enviado ao Ministério Público, que vai analisar o trabalho investigativo para possível oferecimento de denúncia à Justiça.

O caso aconteceu na madrugada de 17 de fevereiro deste ano, no bairro Jardim Ipiranga, em frente à empresa Bandini. Na ocasião, o motorista de 40 anos bateu o carro contra um poste. O acidente terminou com a morte das jovens e deixou outras pessoas feridas.

As vítimas fatais foram Maria Eduarda de Souza Almeida e Lídia Moraes Aguiar, ambas de 15 anos. Elas não resistiram aos ferimentos e morreram após a colisão, que mobilizou equipes de resgate.

De acordo com Odair José Jaeger, diversos fatores contribuíram para a interpretação de eventual dolo. Segundo ele, o motorista assumiu o risco de matar, com o excesso de velocidade verificado, a superlotação do veículo, que tinha sete pessoas, e a ausência de equipamentos de segurança adequados.

A polícia também relatou alta velocidade na condução do carro. A perícia estimou que o veículo estava em torno de 90 km/h, podendo chegar a 104 km/h. A via, porém, tem velocidade máxima permitida de 60 km/h.

Ainda foram identificados indícios de ingestão de bebida alcoólica por parte do condutor, somados a um comportamento considerado imprudente no momento do acidente. A Polícia Civil analisou as circunstâncias da colisão e a conduta do motorista envolvido. O motorista ingeriu bebida alcoólica e no carro foram encontradas 10 gramas de maconha.

A reportagem tentou contato com a defesa do motorista, bem como com o advogado que representa a família das vítimas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

PROTESTO

No final de março, parentes e amigos das adolescentes realizaram protesto em homenagem às jovens que perderam a vida no acidente de trânsito durante o período de Carnaval.

A manifestação reuniu dezenas de pessoas e foi marcada por forte comoção. Os participantes prestaram tributos às adolescentes com balões, cartazes, camisetas personalizadas e mensagens de despedida. O clima foi de tristeza, mas também de união entre os presentes, que relembraram momentos vividos com as jovens.

Durante o ato, Jéssica Mayara Moraes, mãe de Lídia, fez um desabafo e afirmou que não iria interromper sua luta até que o caso tivesse um desfecho. Segundo ela, além da responsabilização, é importante que as pessoas conheçam quem eram as adolescentes e o impacto que deixaram na vida das pessoas ao redor.

Ao longo da mobilização, amigos e familiares destacaram que Lídia e Maria Eduarda mantinham uma amizade desde os primeiros anos de vida. Apesar de terem perfis diferentes, eram inseparáveis e compartilhavam uma relação de cumplicidade.

A passeata seguiu pelas ruas próximas ao local do acidente, transformando o trajeto em um momento de homenagem e também de apelo público, cobrando respostas da Polícia Civil.

A concentração teve início no local do acidente e depois seguiu em direção ao Fórum de Americana, na Avenida Brasil. Faixas, cartazes e balões, além das vozes pediram justiça. (Com colaboração de Paulo Medina)

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