CEI conclui relatório da Coffee Break e afasta irregularidades em contratos
Documento lido na última sessão do semestre aponta que não foram encontradas provas de ilegalidades nos contratos investigados em Hortolândia; operação da PF chegou a prender vice-prefeito Cafu César e ex-secretário de Educação
A Câmara Municipal de Hortolândia leu, na última sessão ordinária do semestre, o relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apurou possíveis irregularidades investigadas na Operação Coffee Break. A ação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) chegou a prender o vice-prefeito Cafu César (PSB) e o ex-secretário municipal de Educação, Fernando Moraes. Após mais de 100 dias de trabalho, a comissão concluiu que não encontrou elementos que comprovem irregularidades ou má-fé nos contratos analisados.
Ao longo das investigações, os vereadores que compõem a
comissão ouviram o total de 12 pessoas, além de receberem um depoimento enviado
por escrito. Entre os últimos a prestar esclarecimentos esteve o ex-secretário
de Educação de Hortolândia, Fernando Gomes de Moraes. De acordo com a comissão,
as oitivas foram consistentes: os servidores e envolvidos relataram que não
sofreram qualquer tipo de pressão durante as oitivas e asseguraram que todos os
trâmites legais e diretrizes exigidas para a contratação dos serviços foram
rigorosamente seguidos.
Paralelamente às oitivas, os parlamentares realizaram
minuciosas pesquisas in loco. O grupo visitou escolas da rede municipal,
conheceu de perto os materiais adquiridos nos processos analisados e chegou a
assistir a aulas práticas para ver o uso desses recursos pelos estudantes. Os
vereadores também inspecionaram os depósitos onde os equipamentos são mantidos
e receberam explicações detalhadas de professores formadores na área de
tecnologia educacional.
Os profissionais demonstraram o funcionamento dos materiais
robóticos e detalharam que as placas de software que equipam os aparelhos,
embora pequenas, possuem alta capacidade de processamento, semelhante à
tecnologia presente em celulares e eletroeletrônicos avançados. O representante
da empresa Life Tecnologia Educacional também foi convocado pela comissão para
prestar esclarecimentos, porém não compareceu.
RELATÓRIO
O relatório aponta que, com base nas oitivas e na farta
documentação analisada, não foi possível comprovar qualquer irregularidade ou
atuação de má-fé no processo de compra dos kits de robótica, das licenças de
softwares e dos livros pedagógicos.
O texto da comissão também pondera sobre a natureza da
investigação: o alcance de uma CEI no Poder Legislativo possui características
e limites institucionais próprios e, portanto, não se confunde ou se equipara
ao escopo de uma investigação criminal conduzida por órgãos como a Polícia
Federal, uma vez que as esferas de atuação e as ferramentas de apuração são
juridicamente distintas.
O vereador Ananias José Barbosa (Republicanos), presidente da comissão, enalteceu a condução dos trabalhos: “Tivemos a oportunidade de realizar um trabalho tranquilo, totalmente amparado dentro da lei. Esse resultado se deve ao respaldo e suporte que recebemos de toda a equipe técnica e funcional da Câmara Municipal, bem como pela colaboração de pessoas da Prefeitura.”
Além de Ananias José Barbosa, a comissão foi composta pelos
vereadores Carlos Rodrigues de Oliveira (PV), Edivaldo Sousa Araújo (PP) e
Edimilson Marcelo Afonso (Republicanos).
CONCLUSÕES
Em suas considerações finais, a CEI destaca que o ensino com
o uso de tecnologia e inteligência artificial tornou-se “obrigatório,
necessário e imprescindível para o desenvolvimento da pessoa humana”. O
relatório enfatiza de forma positiva o fato de a rede pública de Hortolândia
construir e planejar essa modernização tecnológica desde 2021, alcançando
resultados satisfatórios.
Diante disso, o relatório final — criado com base no artigo
58 da Constituição Federal e assinado pela totalidade dos 19 vereadores da Casa
— propõe três encaminhamentos principais:
À Mesa Diretora da Câmara: Para as providências regimentais
de sua alçada ou do Plenário, visando à publicação do relatório no Diário
Oficial do Município.
Ao Poder Executivo: Para a adoção de medidas administrativas
saneadoras. O relatório sugere, prioritariamente, a implantação de novos
requisitos de controle, como a obrigatoriedade de manifestação da Controladoria
Geral do Município em licitações que envolvam valores de grande vulto.
À Comissão Permanente de Desenvolvimento: O acompanhamento e
a fiscalização do cumprimento dessas recomendações junto ao Executivo ficarão a
cargo da Comissão de Desenvolvimento e Bem Estar Social, Direitos Humanos e
Cidadania da Câmara.
O presidente da Câmara Municipal de Hortolândia, vereador Daniel Laranjeira, encerrou os trabalhos do semestre agradecendo o empenho do colegiado: “Gostaria de agradecer profundamente aos vereadores pelo empenho nesse processo, que foi árduo e difícil, assim como a todos os servidores e funcionários do Legislativo envolvidos na garantia de que tudo fosse analisado da melhor maneira possível. O Poder Legislativo de Hortolândia demonstra, mais uma vez, que cumpre rigorosamente o seu papel constitucional e não se furta em realizar o seu trabalho primordial de fiscalização.”

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