Educação
Paralisação de educadoras altera rotina escolar e mantém debate sobre carreira em Paulínia

Paralisação de educadoras compromete rede municipal de ensino em Paulínia

Administração diz que faltas poderão ser descontadas e que negociações sobre carreira e salários terão continuidade posteriormente; mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e pelo Movimento Somos Todas Professoras

A rede municipal de ensino de Paulínia enfrentou nesta quinta-feira (27) uma paralisação organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e pelo Movimento Somos Todas Professoras de Paulínia. A mobilização envolveu profissionais da Educação Infantil e provoca alterações no atendimento das unidades e na rotina de centenas de famílias do município.

Em manifestação sobre o movimento, a Prefeitura de Paulínia informou que lamenta a paralisação e alertou que as servidoras que não comparecerem ao trabalho poderão ter o dia descontado, conforme as regras previstas na legislação vigente. A mobilização ocorre em meio às discussões sobre carreira, enquadramento funcional e remuneração das educadoras. Segundo a administração municipal, a situação atual teve origem em mudanças na legislação e em decisões judiciais que alteraram as condições anteriormente aplicadas à categoria.

Em 2025, o município precisou cumprir uma decisão decorrente de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), relacionada à legislação municipal que tratava da carreira dessas profissionais. Desde então, conforme a Prefeitura, foram analisadas alternativas para reduzir os efeitos financeiros provocados pela mudança.

Posteriormente, uma legislação federal passou a reconhecer essas profissionais como professoras e estabeleceu piso salarial nacional de R$ 5.130. A Prefeitura afirma que, atualmente, a remuneração média das profissionais em Paulínia está em aproximadamente R$ 8,5 mil, sem considerar benefícios, valor superior ao piso nacional.

A principal divergência entre as partes, no entanto, continua sendo salarial. O Sindicato e o Movimento Somos Todas Professoras reivindicam a retomada dos valores praticados antes das mudanças decorrentes da ADIN, quando, segundo a Prefeitura, a remuneração média chegava a aproximadamente R$ 10,5 mil.

Desde a entrada em vigor da nova legislação federal, representantes do município, do Sindicato e do movimento vêm participando de uma mesa de negociação. A administração afirma que avançou em pontos considerados possíveis dentro das condições legais e administrativas.

Entre as medidas encaminhadas estão a regulamentação de um terço da jornada para atividades pedagógicas sem a presença dos alunos, a alteração da nomenclatura do cargo para Professora de Educação Infantil e a inclusão das profissionais na mesma estrutura de carreira e tabela do magistério dos professores PEB.

Também estão previstas garantias relacionadas à carreira do magistério, como remoção e recesso escolar. A Prefeitura afirma que esses pontos representam avanços obtidos durante as negociações com a categoria.

Já as discussões sobre os valores salariais foram temporariamente suspensas. O Executivo argumenta que qualquer alteração precisa respeitar os limites orçamentários do município e as regras de responsabilidade fiscal. Apesar da suspensão, a administração afirma que a questão não foi encerrada e deverá voltar à mesa de negociação.

A Prefeitura também defendeu os três projetos de lei encaminhados à Câmara Municipal sobre o tema. Segundo o Executivo, as propostas são necessárias para organizar a estrutura da Secretaria Municipal de Educação para o ano letivo de 2027 e dar segurança jurídica às profissionais, escolas e famílias.

Mesmo com a paralisação desta quinta-feira, a administração informou que pretende retomar o diálogo com o Sindicato e com o Movimento Somos Todas Professoras para discutir a questão financeira em outro momento, considerando a disponibilidade orçamentária e os limites legais do município.


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