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Técnicos identificaram falhas operacionais e equipamentos fora de funcionamento na ETE

ETE Hortolândia acumula 18 multas por mau cheiro em apenas dez meses

Em curto intervalo entre 2025 e 2026, Estação de Tratamento de Esgoto da cidade, motivo de reclamações, foi alvo de quase duas multas por mês aplicadas pela Cetesb; somadas, as autuações ultrapassam o montante de R$ 9,9 milhões

A crise envolvendo a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Hortolândia atinge os cofres da Sabesp. Em apenas dez meses, a unidade recebeu 18 multas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) por emissão de odores além dos limites permitidos. O volume de penalidades revela a recorrência do problema e eleva a pressão sobre a empresa para resolver o problema, motivo de constantes reclamações de moradores de ao menos 15 bairros ao entorno da estação. O total das autuações já supera R$ 9,9 milhões no período.

Como o Tribuna Liberal já mostrou, a penalidade mais recente foi aplicada após inspeção técnica realizada em 11 de fevereiro deste ano. Durante a vistoria, os fiscais constataram alterações no sistema de aeração da estação, com substituição de sopradores antigos por quatro novos equipamentos — três já integrados às lagoas e um ainda sem conexão operacional.

Também foram observados problemas estruturais e operacionais, como a retirada da linha de gradeamento para manutenção, mudança no produto químico utilizado no tratamento — com adoção de policloreto de alumínio no lugar do peróxido — e falha no lavador de gases, que estava inativo e apresentava trincas na estrutura da caixa desarenadora.

Diante do cenário, a empresa recebeu Auto de Infração no valor de 780 UFESPs (R$ 29.967,60), com base na Lei 997/1976, que trata do controle da poluição ambiental no Estado.

Além da multa financeira, a Cetesb determinou uma série de providências. Entre elas, a eliminação de odores perceptíveis fora dos limites da estação, a comprovação da ligação do soprador reserva, apresentação de cronograma atualizado das obras, plano de redução de odores nas lagoas, instalação de sistema de controle de vazão em até quatro meses e entrega de estudos técnicos complementares até este mês de março.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Hortolândia, Denilson Cazuza, afirmou que a entidade acompanha os desdobramentos administrativos e judiciais. Segundo ele, é necessário apurar responsabilidades individuais e corporativas por eventuais omissões. Para a comissão, a persistência do problema pode trazer reflexos à saúde pública e exige medidas efetivas.

No início de fevereiro, representantes da prefeitura e da Sabesp realizaram visita técnica à ETE. Na ocasião, foram apresentados os novos sopradores e anunciado um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 28 milhões para modernização da estrutura atual.

A companhia também informou que estuda a implantação de uma nova ETE totalmente encapsulada, projeto estimado em cerca de R$ 300 milhões, que substituirá o modelo atual e promete eliminar definitivamente a emissão de odores.

A Sabesp afirma manter monitoramento contínuo da unidade e disse que as intervenções fazem parte de um conjunto de melhorias operacionais. A concessionária declarou ainda que os investimentos recentes já apresentam resultados na redução das ocorrências.

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