Cai mortes no trânsito em rodovias da região; imprudências ainda desafiam
Redução de 26,7% nos óbitos reforça avanços na segurança viária, enquanto excesso de velocidade segue como grande fator de risco nas vias; polícia diz que irresponsabilidade de motociclistas permanece como principal causa de mortes
Uma queda no número de mortes em acidentes de trânsito
marcou o início de 2026 nas principais rodovias que cortam a região de
Campinas, abrangendo municípios como Sumaré, Paulínia, Nova Odessa,
Hortolândia, Americana e Monte Mor. Apesar do indicador positivo, autoridades e
especialistas alertam que a imprudência dos motoristas ainda representa o maior
desafio para reduzir de forma duradoura os números de fatalidade.
O levantamento considera dados registrados nas rodovias
Anhanguera, Bandeirantes, Professor Zeferino Vaz (SP-332) e Jornalista
Francisco Aguirre Proença (SP-101), vias de intenso fluxo que concentram tanto
o transporte de cargas quanto o deslocamento diário de milhares de
trabalhadores.
Esses corredores rodoviários são estratégicos para o
interior paulista e, justamente por isso, apresentam histórico elevado de
ocorrências, especialmente em trechos urbanos ou de acesso às cidades, onde há
maior interação entre diferentes tipos de usuários.Na comparação entre os meses
de janeiro a março de 2025 e o mesmo período de 2026, os números indicam uma
mudança no cenário da segurança viária.
O total de mortes caiu de 75 para 55, o que representa uma
redução de 26,7% no número de vítimas fatais nas rodovias da região. Especialistas
apontam que essa diminuição pode estar relacionada a uma combinação de fatores,
como intensificação da fiscalização, campanhas educativas e até mudanças no
comportamento dos motoristas.
O 1° Tenente PM Giovani Paiffer, comandante de Pelotão
Rodoviário, destaca os esforços na queda dos acidentes. “Reforçamos a segurança
nas rodovias, com a intensificação da fiscalização de motocicletas, principais
envolvidas em acidentes graves, e o aumento das operações de alcoolemia no
período noturno. Fazemos campanhas semanais de conscientização, de caráter
educativo, realizadas em parceria com concessionárias, com distribuição de
materiais e orientação aos usuários. Outro ponto é o fortalecimento de ações
sociais, como o projeto ‘Amigos do Trecho’, que oferece acolhimento e apoio a
pedestres em situação de risco nas rodovias. Por fim, realizamos reuniões
contínuas com órgãos responsáveis para promover melhorias de engenharia, como
monitoramento, estrutura viária e sinalização”, destacou o comandante.
A redução das mortes foi observada de forma abrangente entre diferentes modais, o que indica um avanço mais homogêneo na segurança viária. Entre ciclistas, por exemplo, a queda de 33% chama atenção, principalmente por se tratar de um grupo historicamente vulnerável em rodovias.
Campanhas de conscientização têm buscado estimular a direção defensiva e o respeito às leis de trânsito. Autoridades reforçam que ações educativas continuam sendo fundamentais para consolidar a tendência de queda nos índices de mortalidade.
MOTOCICLISTAS
“Nos preocupa a imprudência de motociclistas. Os números têm se mostrado positivos e os esforços têm gerado efeitos, porém a batalha é contínua na mitigação de sinistros envolvendo motos na região. As causas são diversas, mas a imprudência de motociclistas ainda permanece como sendo a principal causa. Trânsito em alta velocidade por corredores, ultrapassagem em locais proibidos, desrespeito à distância de segurança entre os demais veículos da via e excesso de velocidade”, ressaltou o Tenente.
PEDESTRES
No caso dos pedestres, a redução de 25% dos óbitos sugere avanços em medidas de proteção, embora ainda existam desafios importantes. Muitos atropelamentos ocorrem em travessias irregulares ou em locais sem infraestrutura adequada, o que reforça a necessidade de investimentos contínuos.
Entre ocupantes de automóveis, a queda é de 21,6%. Esse grupo concentra grande parte dos acidentes, especialmente colisões traseiras e laterais, muitas vezes associadas à desatenção ou imprudência. Já os motociclistas, frequentemente apontados como os mais expostos ao risco, registraram uma redução de 21,7% nas mortes.
Mesmo com a melhora, especialistas destacam que esse público ainda apresenta altos índices de gravidade em acidentes, principalmente devido à vulnerabilidade física. Apesar do cenário positivo, as rodovias da região continuam sendo palco de acidentes graves, muitos deles com consequências irreversíveis para vítimas e familiares.
Levantamentos indicam que a maioria dos acidentes fatais poderia ser evitada, já que está diretamente ligada a falhas humanas. Além de aumentar a chance de colisões, a alta velocidade reduz drasticamente o tempo de reação do motorista diante de situações inesperadas.
Ultrapassagens em locais proibidos também seguem como uma
das práticas mais perigosas, especialmente em rodovias de pista simples ou com
tráfego intenso. Esse tipo de manobra aumenta o risco de colisões frontais, que
estão entre as mais letais.
Outro fator recorrente é a distração ao volante,
principalmente pelo uso de telefone celular durante a condução. Mesmo por
poucos segundos, a falta de atenção pode ser suficiente para provocar acidentes
graves.
A combinação de álcool e direção continua sendo registrada
em ocorrências com vítimas fatais, apesar das campanhas de conscientização e da
fiscalização. Esse comportamento compromete reflexos e coordenação motora,
elevando significativamente o risco de acidentes. Mesmo com avanços em
tecnologia veicular e melhorias na malha rodoviária, o comportamento humano
ainda é o fator determinante.
A presença de radares, fiscalização eletrônica e
policiamento ostensivo também contribui para coibir infrações. No entanto,
especialistas alertam que medidas punitivas, isoladamente, não são suficientes
para promover mudanças duradouras. É necessário investir na formação de uma
cultura de responsabilidade no trânsito, envolvendo motoristas, motociclistas,
ciclistas e pedestres.
Motoristas são orientados a redobrar a atenção,
especialmente em trechos urbanos e próximos a acessos municipais. Respeitar os
limites de velocidade e a sinalização continua sendo uma das formas mais
eficazes de prevenção. A manutenção preventiva dos veículos também é apontada
como fator importante para evitar falhas mecânicas que possam causar acidentes.
Problemas em freios, pneus ou sistemas de iluminação, por exemplo, podem
agravar situações de risco.
Para motociclistas e ciclistas, o uso de equipamentos de segurança, como capacetes e itens de visibilidade, é indispensável. Esses recursos ajudam a reduzir a gravidade dos ferimentos em caso de acidente. Pedestres, por sua vez, devem evitar travessias em locais inadequados e sempre utilizar passarelas ou pontos sinalizados. A atenção redobrada é essencial, especialmente em rodovias com tráfego intenso e alta velocidade.
ORIENTAÇÃO
O Tenente Giovani Paiffer alerta os motoristas ao se
depararem com um acidente de trânsito. “É importante que, se possível, se
desloquem com seus veículos ao acostamento ou local seguro da forma mais célere
possível, não permanecendo sobre as faixas de trânsito rápido. Além disso,
aqueles que não estão envolvidos diretamente no sinistro, devem redobrar a
cautela e atenção, jamais diminuindo o ritmo do trânsito para ‘olhar com
curiosidade’ e muito menos tirar fotos ou fazer vídeos, além de ser muito perigoso
trata-se de uma infração gravíssima, além da questão de exposição de vítimas no
local”, completou o comandante.
Apesar da redução registrada no início de 2026, o trânsito
ainda figura entre os principais desafios de segurança pública na região.

Deixe um comentário