Saúde
Avanços das chuvas e do calor, aliados às mudanças climáticas, podem acelerar a transmissão da dengue

2026 tem início com ‘quadro tímido’ de dengue na região, mas há falsa sensação, pondera infectologista

Região registra somente 22 casos de dengue nos primeiros dias do ano, mas chuvas recentes devem favorecer reprodução do Aedes aegypti; especialista afirma esperar que casos aumentem em maior escala depois de precipitações de janeiro

Passados 21 dias de janeiro de 2026, a região apresenta um quadro considerado tímido de dengue, com 22 casos confirmados e nenhum óbito registrado até o momento. O cenário, porém, não é motivo para relaxamento. Segundo especialistas, o início mais lento da doença pode criar uma falsa sensação de segurança, especialmente após um ano marcado por números elevados e mortes, frutos de uma epidemia histórica.

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde e de prefeituras, Paulínia lidera os registros neste começo de ano, com nove casos confirmados. Sumaré contabiliza cinco casos, seguida por Hortolândia, com quatro confirmações. Americana e Nova Odessa registram dois casos cada, enquanto Monte Mor não apresentou nenhuma confirmação. Nenhum óbito foi registrado na região.

A infectologista Artemis Kilaris explica que o atraso no surgimento dos casos está diretamente ligado ao comportamento climático dos últimos meses. “Passamos por um período prolongado de seca, e somente agora, em janeiro, as chuvas começaram. Após as chuvas, a fêmea do Aedes aegypti deposita os ovos em água parada, e em cerca de uma semana esses ovos se transformam em mosquitos adultos. Por isso, estamos na expectativa de que os casos comecem a surgir em breve”, alertou.

Apesar da previsão de aumento, a especialista acredita que o cenário de 2026 não deve repetir os números extremos do ano passado. “Com base na nossa série histórica, acredito que não teremos um número tão elevado de casos este ano. No entanto, as mudanças climáticas tornam esse comportamento menos previsível. Não podemos mais confiar totalmente nos padrões antigos”, ponderou. Para ela, a manutenção das ações preventivas e a vacinação são fundamentais para evitar uma nova explosão da doença.

O alerta ganha força quando comparado ao cenário de 2025. No ano passado, a região encerrou o período com 61 mortes e mais de 27,6 mil casos confirmados de dengue. Americana apresentou o quadro mais grave, com 29 óbitos e 9.083 casos. Sumaré teve 18 mortes e 5.644 casos, enquanto Hortolândia registrou oito óbitos e 6.921 confirmações. Paulínia sofreu uma morte, Monte Mor três, e Nova Odessa duas, mantendo toda a região em estado de alerta sanitário.

Em Sumaré, a Secretaria Municipal de Saúde segue com ações intensivas de combate ao mosquito transmissor. Equipes do Controle de Arboviroses realizam visitas casa a casa em bairros como Vila Diva, Maria Antonia e Santa Eliza, além de vistorias em escolas, unidades de saúde, comércios e indústrias. Também há aplicação de larvicidas em terrenos baldios e inspeções em pontos estratégicos, como borracharias e ferros-velhos.

O secretário de Saúde de Sumaré, Rafael Virginelli, reforçou a importância da colaboração da população. “Manter quintais limpos, eliminar recipientes com água parada e permitir a entrada dos agentes são medidas indispensáveis para evitar novos focos do mosquito”, destacou.

Em Hortolândia, a prefeitura iniciou a Análise de Densidade Larvária (ADL), considerada um dos principais indicadores da presença do Aedes aegypti. A ação, realizada três vezes ao ano, envolve a visita a cerca de 3.000 imóveis por amostragem. Em janeiro do ano passado, o Índice de Breteau atingiu 6,2, patamar considerado alto.


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