Política
Com retotalização dos votos, novas cadeiras podem ser redistribuídas no Legislativo

Vereadora Camilla Hellen admite que pode perder mandato em Monte Mor

Parlamentar afirma que decisão da Justiça Eleitoral sobre fraude à cota de gênero pode alterar composição da Câmara e atingir diretamente seu mandato; caso envolve anulação de todos os votos do partido Solidariedade nas eleições 2024

A vereadora de Monte Mor, Camilla Hellen (Republicanos), já admite que poderá perder o mandato após a decisão da Justiça Eleitoral que anulou os votos do partido Solidariedade nas eleições municipais de 2024.

Ao comentar o caso, a parlamentar disse que a existência de “sistemas de burla e fraude à cota de gênero” pode resultar na alteração da composição da Câmara Municipal e que há possibilidade de atingir diretamente seu mandato.

“Infelizmente, uma mulher eleita legitimamente, tendo a sexta maior votação desta cidade neste pleito de 2024, poderá perder a sua cadeira”, declarou a parlamentar.

A fala faz referência à decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que manteve por unanimidade a sentença da 358ª Zona Eleitoral de Monte Mor reconhecendo fraude no cumprimento da cota mínima de candidaturas femininas pelo partido Solidariedade. Com isso, os votos recebidos pela legenda foram anulados, e a Justiça determinou a recontagem geral dos votos para vereador.

Segundo Camilla, a possível mudança na composição da Câmara pode impactar diretamente os eleitores que votaram nela. “Serão 556 pessoas que deixarão de ser representadas por causa de uma fraude, uma burla ao sistema”, afirmou.

A vereadora também criticou o que chamou de “lacuna” na legislação eleitoral. Para ela, a aplicação da regra pode gerar situações injustas. “A letra fria da lei não previu que, no afã de querer promover o ingresso da mulher ao pleito, poderia tirar uma outra que foi eleita legitimamente, honestamente”, disse.

Camilla ainda fez críticas ao sistema eleitoral e afirmou que o episódio evidencia os desafios enfrentados pelas mulheres na política. “Infelizmente, esse é o nosso sistema eleitoral brasileiro”, declarou.

Em tom crítico, a parlamentar afirmou que o caso reforça a necessidade de maior protagonismo feminino na política. “Para não sermos mais usadas como massa de manobra, seja para concorrer à eleição ou para eleger aqueles que detêm o poder nas mãos”, concluiu.

A decisão da Justiça Eleitoral foi baseada em ação movida pelo Ministério Público Eleitoral que apontou irregularidades no registro de uma candidatura feminina do partido Solidariedade. Segundo a ação, a candidata Andreia Aparecida Rodrigues Alves teria sido registrada apenas para cumprir a exigência legal de percentual mínimo de mulheres na chapa.

Entre os elementos apontados pela Justiça estão votação zerada, ausência de movimentação financeira na prestação de contas e falta de evidências de campanha eleitoral. Também foi constatado que a candidata compareceu às urnas no dia da eleição, mas não votou em si mesma.

Com a decisão, o TRE-SP declarou a inelegibilidade por oito anos de Andreia e de Tamira Nilson Perandre, então presidente do diretório municipal do partido. O tribunal também determinou a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) da legenda e a anulação de todos os votos obtidos pelo partido para vereador.

Agora, a retotalização dos votos, com novo cálculo do quociente eleitoral e partidário, poderá alterar a composição final da Câmara.


 

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