Vereador de Monte Mor, onde Lula teve 45% dos votos, pede demissão de petistas
Monte Mor registrou a segunda maior votação proporcional em favor de Lula entre as seis cidades da área de cobertura do Tribuna Liberal, com 16.406 votos; parlamentar Josuel da Conceição, do PSD, incentivou empresários a dispensar funcionários que escolheram o petista nas urnas; situação gerou polêmica em toda região e Câmara emitiu nota oficial
Monte Mor foi uma das cidades da região que registraram os
maiores percentuais de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
no segundo turno das eleições de 2026. Mesmo com 45,26% dos votos válidos
destinados ao petista, o vereador Josuel da Conceição (PSD) provocou polêmica
ao incentivar empresários a demitirem trabalhadores que votaram em Lula. A
declaração foi publicada nas redes sociais após a eleição de domingo (25) e
ganhou repercussão ao longo da semana.
O contraste chama a atenção pelo resultado das urnas. Em
Monte Mor, Lula recebeu 16.406 votos, ficando atrás de Flávio Bolsonaro (PL),
que conquistou 19.844 votos, equivalentes a 54,74% dos válidos. Apesar da
derrota, o presidente reeleito alcançou no município seu segundo maior
percentual entre seis cidades da região, atrás apenas de Hortolândia, onde
obteve 45,38%. O percentual de votos de Lula em Monte Mor é praticamente
empatado com o de Hortolândia, antigamente considerada uma cidade de “reduto
petista” no Estado de São Paulo.
O desempenho de Lula em Monte Mor superou o registrado em
Sumaré, onde recebeu 43,37% dos votos válidos, Paulínia (41,29%), Nova Odessa
(37,97%) e Americana (34%). Os números mostram que quase metade dos eleitores
que escolheram um candidato à Presidência no segundo turno em Monte Mor votou
no petista, justamente o público atingido pela manifestação do parlamentar.
No vídeo, Josuel criticou trabalhadores identificados com o
PT e defendeu que proprietários de empresas, indústrias e estabelecimentos
comerciais dispensassem funcionários que apoiaram Lula. Em determinado momento,
afirmou: “Rua para quem votou no Lula. Rua e pronto”. A publicação foi retirada
das redes sociais após a repercussão.
A manifestação provocou reação da Câmara Municipal de Monte
Mor, que se distanciou das declarações do vereador. Em nota, o Legislativo
informou que não concorda com o conteúdo divulgado e esclareceu que a opinião
individual do parlamentar não representa a posição institucional da Casa, que
defende os princípios democráticos e a legalidade. A Câmara acrescentou que uma
eventual apuração poderá ocorrer conforme o Regimento Interno, desde que seja
formalmente provocada.
Na noite de terça-feira, Josuel divulgou uma nova gravação,
com mais de seis minutos, na qual pediu desculpas pelas declarações. O vereador
afirmou que falou no calor da emoção, reconheceu que não deveria ter
incentivado as demissões e pediu perdão às pessoas que se sentiram ofendidas.
A situação também levanta a discussão sobre discriminação
política nas relações de trabalho. Segundo o Ministério Público do Trabalho
(MPT), dispensar ou perseguir funcionários por suas escolhas eleitorais pode
configurar prática discriminatória e assédio eleitoral. A Lei Federal nº
9.029/1995 proíbe atos discriminatórios na manutenção do emprego e prevê
medidas de reparação para trabalhadores prejudicados.
O episódio ocorre poucos dias após uma eleição presidencial
marcada pela divisão do eleitorado. Embora Flávio Bolsonaro tenha vencido em
todas as seis cidades analisadas, Lula ampliou sua votação no segundo turno e
recebeu, somente nesses municípios, 235.500 votos.

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