Política
Lagoa ‘João de Deus Sproesser’ é apontada como exemplo de degradação ambiental e patrimonial

Monte Mor investiga desaparecimento de documentos do patrimônio histórico

Portaria instaura apuração administrativa após documentos do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico não serem localizados; gestão Brischi desmembrou Secretaria de Cultura em 2024

A Prefeitura de Monte Mor instaurou uma sindicância administrativa para apurar o desaparecimento de documentos relacionados ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico (COMPPHAP). A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial do Município.

O ato atende a solicitação formal da Secretaria Municipal de Educação, protocolada em dezembro de 2025, diante da impossibilidade de localizar a documentação exigida pelo Ministério Público no âmbito de inquérito civil que investiga o caso.

Segundo a portaria, após o recebimento de ofício do Ministério Público do Estado de São Paulo, foram realizadas buscas nos arquivos da Secretaria de Educação, sem sucesso na localização dos documentos do COMPPHAP, conselho que, conforme a investigação, deixou de funcionar em gestões anteriores.

A prefeitura mencionou na portaria que no ano de 2024 (fim do mandato do ex-prefeito Edvaldo Brischi), houve desmembramento da Secretaria de Educação, da então Secretaria de Cultura e Turismo.

O inquérito do MP apura possíveis situações de abandono de patrimônio histórico, artístico e paisagístico há tempos no município, além do descumprimento da Lei Municipal 1.641/2012, que prevê a criação e o funcionamento do conselho.

Entre os pontos citados no inquérito está a situação da Lagoa Ambiental “João de Deus Sproesser”, apontada como exemplo de degradação ambiental e patrimonial.

A sindicância tem caráter técnico e investigativo, sem imputação prévia de responsabilidade, e contará com prazo inicial de 30 dias para a conclusão dos trabalhos, podendo ser prorrogado. O objetivo é esclarecer os fatos, apurar eventuais responsabilidades funcionais e subsidiar futuras providências administrativas.

O procedimento integra as ações de controle interno da administração municipal e ocorre paralelamente às apurações conduzidas pelo Ministério Público, que já requisitou informações ao município sobre a ausência de funcionamento do COMPPHAP e as medidas adotadas para preservação dos bens culturais locais.

PREFEITURA DIZ QUE PROVIDÊNCIAS ADOTADAS VISAM ATENDER MP

A Prefeitura de Monte Mor informou que foi notificada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre equipamentos do Centro Histórico e sobre a situação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico (COMPPHAP), instituído pela Lei Municipal 1.641/2012.

A referida lei institui o Conselho, não prevendo instrumentos específicos de tombamento ou outras medidas legais complementares de proteção do patrimônio, o que demanda adequações normativas. 

“Desde sua criação, o município passou por reorganizações administrativas, incluindo o desmembramento, em 2024, da então Secretaria de Educação, Cultura e Turismo, com reflexos na gestão administrativa e documental. Diante da notificação, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo respondeu formalmente ao Ministério Público, solicitando prazo para adequação administrativa, reestruturação e acionamento do Conselho, bem como para avaliação técnica da necessidade de atualização da legislação vigente. A Secretaria Municipal de Educação instaurou sindicância administrativa de caráter técnico, com a finalidade de realizar levantamento e apuração de documentos relacionados ao COMPPHAP, sem imputação prévia de responsabilidade”, disse.

Quanto à Lagoa Ambiental “João de Deus Sproesser”, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura apresentou Plano de Ação técnico ao Ministério Público, baseado em laudo ambiental, prevendo medidas preventivas, corretivas e de monitoramento da Área de Preservação Permanente, conforme cronograma estabelecido, não havendo, no momento, indicação técnica para intervenções estruturais.

“A Prefeitura de Monte Mor reitera que todas as providências adotadas visam atender às solicitações do Ministério Público, assegurar a regularização administrativa e fortalecer as políticas públicas de preservação, em permanente cooperação com os órgãos de controle”, finalizou.

 


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