Estudo aponta 20 pessoas em área de alto risco de enchente em Nova Odessa
Levantamento técnico identifica imóveis ameaçados por inundações na divisa de Nova Odessa com Sumaré e histórico de alagamentos há pelo menos 12 anos; Prefeitura confirma ausência de recursos para as obras estruturais nesta região
Um estudo técnico do Serviço Geológico do Brasil (SGB),
encaminhado à Câmara de Nova Odessa, aponta a existência de cinco imóveis e 20
pessoas em uma área classificada como de alto risco de inundação nas
proximidades do Córrego Palmital, na divisa com Sumaré. O levantamento revela
um histórico de alagamentos que, segundo relatos dos moradores, se repetem há
pelo menos 12 anos, provocando prejuízos materiais e obrigando famílias a
deixar temporariamente suas residências. Apesar dos riscos identificados, a Prefeitura
confirmou que não possui recursos para obras estruturais de prevenção de
enchentes no local.
Os documentos foram apresentados em resposta ao Requerimento
nº 293/2026, de autoria da vereadora Priscila Peterlevitz (União), que
solicitou informações sobre as condições do córrego, especialmente no trecho
próximo à Avenida Pedro de Oliveira. A manifestação oficial foi encaminhada
pelo prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), com esclarecimentos
técnicos da Secretaria Municipal de Obras, Projetos e Planejamento Urbano.
O mapeamento do Serviço Geológico do Brasil, antigo CPRM,
identifica como área de alto risco um setor localizado nas proximidades da Rua
José Maria Bellinatti, na região do Lopes Iglesias. Segundo o relatório, as
inundações são recorrentes e estão relacionadas ao transbordamento do Palmital
durante períodos de chuvas intensas.
O documento registra relatos de moradores que perderam
móveis, eletrodomésticos e outros pertences devido à entrada de água nas
residências. Em determinadas ocorrências, o nível teria chegado a
aproximadamente 40 centímetros dentro dos imóveis, levando famílias a procurar
abrigo na casa de parentes.
Os técnicos também apontaram que os problemas podem ser
agravados pelo possível subdimensionamento de uma passagem de água na região da
Avenida João Argenton/Carlos Botelho. Essa condição pode dificultar o
escoamento durante precipitações mais intensas, contribuindo para a elevação do
nível do córrego.
O estudo ressalta que as construções estão situadas em uma
planície de inundação, área naturalmente sujeita ao avanço das águas em
períodos de cheia. Além dos prejuízos materiais, o levantamento alerta para
riscos sanitários associados ao contato com águas contaminadas durante os
alagamentos.
VAZÃO DE 63 MIL LITROS POR SEGUNDO
Além do mapeamento de risco, a Prefeitura apresentou estudos de engenharia sobre o comportamento das águas e a capacidade de escoamento de uma travessia de drenagem. O cálculo hidrológico considera uma bacia hidrográfica com 12,69 quilômetros quadrados de área de drenagem e extensão de 5,84 quilômetros do talvegue, linha que acompanha os pontos mais baixos do terreno por onde a água escoa.
A análise utiliza um período de retorno de 100 anos para
estimar a vazão de uma cheia de grande intensidade. Pelos parâmetros adotados,
o volume calculado chega a 63,17 metros cúbicos por segundo, equivalente a
aproximadamente 63,1 mil litros de água passando a cada segundo pelo ponto
considerado.
Outro documento apresenta o dimensionamento hidráulico de uma travessia formada por cinco aduelas de concreto, cada uma com dois metros de largura e dois metros de altura. De acordo com a planilha, a estrutura dimensionada teria capacidade de escoamento de 66,69 metros cúbicos por segundo, pouco acima dos 63,17 metros cúbicos por segundo estimados para a vazão de projeto. A diferença é de apenas 3,53 metros cúbicos por segundo.
O estudo classifica o dimensionamento como suficiente para os parâmetros analisados. Entretanto, esse resultado não significa que o córrego esteja protegido contra novos transbordamentos. Isso porque os cálculos consideram características hidráulicas determinadas, enquanto a capacidade real de escoamento também pode ser afetada por sedimentos, vegetação, lixo, obstruções e alterações nas condições do leito.
ESTUDO RECOMENDA MONITORAMENTO E CONTROLE DE OCUPAÇÕES
Diante do histórico de inundações, o Serviço Geológico do
Brasil apresentou recomendações para diminuir a exposição da população aos
riscos. Entre as medidas estão o monitoramento contínuo das chuvas e da
elevação do nível dos rios pela Defesa Civil, a manutenção de registros
detalhados das ocorrências e a inclusão das áreas de risco nos instrumentos de
planejamento urbano.
Os técnicos também recomendaram maior fiscalização sobre
novas construções nas proximidades do córrego, para evitar a ampliação da
ocupação em áreas sujeitas a enchentes. Outro ponto destacado é a necessidade
de combater o descarte irregular de lixo e entulho, que pode agravar as
condições de escoamento e aumentar os problemas durante os temporais.
O relatório ainda sugere a formação de lideranças
comunitárias para apoiar as ações da Defesa Civil e facilitar a comunicação com
os moradores em situações de emergência. Apesar da existência dos estudos
técnicos, a Prefeitura de Nova Odessa informou que não possui recursos
orçamentários específicos destinados à execução de obras estruturais no trecho
do Palmital analisado.
Em resposta à vereadora Priscila Peterlevitz, a Secretaria
Municipal de Obras explicou que nenhuma intervenção dessa natureza foi
formalmente definida e que, por enquanto, as medidas adotadas se concentram nos
serviços periódicos de limpeza, manutenção e desassoreamento do córrego.
Outro obstáculo apontado pela Prefeitura é a localização do Córrego Palmital, que atravessa uma área de divisa territorial entre Nova Odessa e Sumaré. De acordo com a Secretaria de Obras, já ocorreram tratativas preliminares entre representantes dos dois municípios para discutir a situação do curso d’água. Entretanto, até a elaboração da resposta, nenhuma ação conjunta havia sido formalizada.
Intervenções que envolvam as duas margens do córrego
dependem de entendimento entre as administrações municipais. Parte da travessia
também está localizada sob uma rodovia estadual, o que pode exigir autorização
do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Conforme a natureza das obras, poderão ser necessárias ainda autorizações ambientais, inclusive da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A administração informou que continua realizando as ações de manutenção sob sua responsabilidade e acompanhando tecnicamente as condições do local.

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