Aos 100 anos, mãe de ex-prefeito de Sumaré vota e dá lição de cidadania
Amélia Moreno Carrara completou um século de vida em setembro e fez questão de participar das eleições de 2026, mesmo sem a obrigação de votar; senhora centenária defende a participação popular e deixa mensagem sobre a importância de preservar os direitos democráticos
Aos 100 anos de idade, Amélia Moreno Carrara mostrou que o
compromisso com a democracia não tem prazo de validade. Mãe do ex-prefeito de
Sumaré Paulino José Carrara e sogra da ex-prefeita Cristina Carrara, a
centenária fez questão de comparecer às urnas no segundo turno das eleições
presidenciais, realizado no último domingo (25). Alegre e feliz por exercer o
direito de escolher seus representantes, ela deixou uma mensagem que resume sua
visão sobre a importância da participação popular: “Exerçam o seu direito para
que possam sempre exigir a sua manutenção”.
Amélia completou 100 anos no dia 30 de setembro, poucos dias
antes do primeiro turno das eleições. Nascida em 1926, atravessou um século
marcado por profundas transformações políticas, sociais e econômicas no Brasil.
Sua história de vida acompanha diferentes períodos da democracia brasileira,
incluindo momentos em que o direito ao voto passou por restrições e mudanças.
Agora, ao alcançar a marca centenária, ela continua valorizando a oportunidade
de participar das decisões sobre o futuro do país.
A participação da centenária ganha ainda mais significado
porque, pela legislação eleitoral, o voto é facultativo para pessoas com mais
de 70 anos. Isso significa que Amélia poderia deixar de comparecer às urnas sem
qualquer penalidade. No entanto, escolheu votar e demonstrar, por meio de sua
atitude, que a cidadania não depende apenas de uma obrigação legal, mas também
da vontade de participar da vida democrática.
A ligação da família Carrara com a história política de
Sumaré também torna o gesto significativo. Seu filho, Paulino José Carrara,
administrou o município entre 1989 e 1992, período importante da
redemocratização brasileira, poucos anos após o fim do regime militar e a
promulgação da Constituição Federal de 1988.
O exemplo de Amélia ocorre em um momento de forte
mobilização do eleitorado brasileiro. A disputa presidencial de 2026, marcada
pela polarização e pela participação intensa de apoiadores dos dois candidatos,
levou milhões de pessoas às urnas. Segundo dados da Justiça Eleitoral, a
abstenção no segundo turno caiu para 19,22%, o menor percentual registrado
nessa etapa das eleições presidenciais nos últimos 20 anos.
Ao todo, aproximadamente 128 milhões de brasileiros
participaram da votação de domingo, em um universo de mais de 158 milhões de
eleitores aptos. O comparecimento foi maior que no primeiro turno, realizado em
4 de outubro, quando a abstenção havia atingido 21,08%. Também houve redução
dos votos brancos e nulos, conforme os números divulgados após a apuração.
Em meio aos debates acalorados e às divergências políticas,
a atitude de Amélia chama a atenção para um aspecto fundamental das eleições: o
respeito ao direito de escolha. Independentemente das preferências partidárias
e dos resultados das urnas, a participação dos cidadãos é o que sustenta o
processo democrático.
Para a centenária de Sumaré, votar representa mais do que
escolher um candidato. É uma maneira de preservar um direito conquistado pela
sociedade e que precisa continuar sendo exercido pelas próximas gerações.
Aos 100 anos, Amélia Moreno Carrara deixa uma mensagem
especialmente dirigida aos mais jovens. Afinal, sua presença nas urnas mostra
que a democracia também se fortalece por meio de atitudes individuais, da
consciência dos direitos e do respeito às diferentes opiniões.
Em uma eleição marcada por disputas e diferenças, o exemplo
de Amélia lembra que, antes de qualquer vitória política, existe uma conquista
que pertence a todos: o direito de votar.

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