Morador de Americana alvo da Polícia Federal exibe padrão de vida luxuoso
Empresário é apontado como líder de esquema milionário de fraudes e investigação da Polícia Federal revela prejuízo superior a R$ 500 milhões a bancos; suspeito mostrava carros de luxo, viagens e festas com cantores nas redes sociais
O empresário americanense Thiago Branco de Azevedo, o “Ralado”, de 41 anos, apontado pela Polícia Federal como o principal responsável por estruturar um esquema de fraudes bancárias que teria causado prejuízos milionários à Caixa Econômica Federal e a outras instituições financeiras no país, tinha um padrão de vida luxuoso, segundo as investigações. Ele, que mora em um condomínio de alto padrão da cidade, segue foragido.
De acordo com as investigações, o suspeito exercia papel central na organização criminosa, sendo responsável por coordenar contatos e viabilizar as operações ilegais. Thiago mantinha uma rotina marcada por ostentação, com registros frequentes nas redes sociais. As publicações exibiam carros de luxo, viagens e eventos privados, incluindo festas com cantores do gênero sertanejo. Em alguns vídeos, o investigado aparece dirigindo veículos em alta velocidade.
Segundo o delegado Henrique Souza Guimarães, os recursos utilizados pelo empresário seriam provenientes das atividades ilícitas investigadas. A Polícia Federal tentou cumprir mandado de prisão contra Thiago nesta quarta-feira (25), na casa dele, mas ele não foi localizado. A ação ocorreu em um condomínio de alto padrão de Americana. No momento da abordagem, o suspeito não estava no imóvel. Há indícios de que ele tenha deixado a cidade antes da chegada das equipes policiais.
Informações apuradas pela PF indicam que o empresário pode
ter se deslocado para Angra dos Reis (RJ). No município fluminense, dois outros
investigados foram presos durante a operação. Apesar das diligências, Thiago e
a esposa, que também é alvo de mandado de prisão, permanecem foragidos.
A investigação integra a Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal. Ao todo, 15 pessoas foram presas na ação policial. Outros seis investigados seguem sendo procurados pelas autoridades. Entre os alvos estão profissionais de diferentes áreas, como gerentes bancários, contadores e intermediários utilizados como “laranjas”.
Os mandados foram cumpridos em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Há também investigados identificados em municípios como Limeira e Americana. Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente. Essas empresas eram usadas para dar aparência de legalidade às operações financeiras fraudulentas.
As investigações apontam que funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos em sistemas internos. Com isso, eram liberados valores indevidos por meio de transferências e saques. Posteriormente, o dinheiro era convertido em bens de alto valor e também direcionado para criptoativos. Essa estratégia dificultava o rastreamento dos recursos pelas autoridades.
O prejuízo total causado pelas fraudes pode ultrapassar R$ 500 milhões, segundo estimativas da investigação. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Thiago era o principal articulador do esquema. Ele mantinha contato direto com gerentes de instituições financeiras e com pessoas dispostas a participar das fraudes.
O empresário também recrutava indivíduos para emprestar seus nomes na criação de empresas fictícias. Essas pessoas recebiam valores considerados baixos, geralmente entre R$ 150 e R$ 200. A investigação identificou ainda a criação de identidades fictícias utilizadas como “laranjas”. Há indícios de que empresas criadas pelo suspeito também eram repassadas a integrantes de facções criminosas.
Segundo a Polícia Federal, o caso teve início após o compartilhamento de provas com a Justiça Estadual. A partir desse material, foi possível ampliar o alcance das apurações e identificar a estrutura do grupo. Durante a operação, foram expedidos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva.
A Justiça determinou ainda o bloqueio e o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros. O valor total das medidas de bloqueio pode chegar a R$ 47 milhões. Também foi autorizada a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Na região, três pessoas foram presas, incluindo moradores de Limeira e Americana.
As investigações seguem em andamento para localizar os foragidos e aprofundar a apuração dos fatos. As defesas dos envolvidos não foram localizadas para comentar o caso. A Caixa informou que atua em cooperação com órgãos de segurança no combate a fraudes e crimes financeiros e disse respeitar o sigilo do processo.

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