Polícia
Ação policial: núcleo ligado a Sumaré atenderia cerca de 50 crianças por mês pelo Projeto Ligado

Empresas de Sumaré são investigadas por suspeita de fraude em transporte de alunos com deficiência

Segundo apuração, grupo teria sido formado por empresas criadas simultaneamente para participar de chamamento público; investigações apontam possíveis irregularidades em contratos do transporte especial de estudantes da rede estadual de ensino

Empresas ligadas à Sumaré estão no centro da Operação Caminho Protegido, realizada nas últimas horas pela Controladoria Geral do Estado de São Paulo (CGE) e pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), da Polícia Civil. A ação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e também no Estado de Goiás. O objetivo é investigar possíveis irregularidades envolvendo o serviço de transporte especial “Ligado”, destinado a estudantes com deficiência da rede estadual de ensino.

Conforme as apurações, o núcleo ligado a Sumaré atenderia cerca de 50 crianças por mês. O prejuízo potencial estimado nas ordens de serviço emitidas em nome das empresas investigadas é de R$ 590,2 mil.

Segundo as investigações, o chamado “Cluster Sumaré” teria sido formado por empresas criadas simultaneamente para participar do chamamento público realizado pela extinta Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). As empresas investigadas são JH Solução Transportes Ltda, Henrique’s Transportes Ltda, J&M Irmãos Transportes Ltda e C.A.C. Transportes Ltda.

De acordo com a apuração, todas foram abertas no mesmo dia, em 20 de dezembro de 2023, e registradas em um mesmo endereço em Sumaré, como imóvel de natureza residencial e comercial, sem capacidade operacional para comportar a frota necessária para execução dos serviços.

A investigação também aponta suspeita de utilização de documentos ideologicamente falsos para comprovação de capacidade técnica no processo de credenciamento. Conforme a apuração, os atestados teriam sido emitidos no mesmo dia da constituição das empresas por companhias ligadas a familiares em Aparecida de Goiânia, em Goiás.

O serviço “Ligado” realiza transporte porta a porta de alunos com deficiência matriculados na rede estadual e em entidades conveniadas à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Atualmente, o programa conta com cerca de 790 veículos e atende mais de 5 mil beneficiários entre estudantes e acompanhantes.

As suspeitas surgiram após auditoria conduzida pela Controladoria Geral do Estado a partir de denúncia encaminhada pela própria Secretaria da Educação. Segundo a investigação, as empresas poderiam ter atuado de forma coordenada para burlar regras do edital de credenciamento da EMTU.

Os mandados judiciais foram cumpridos em Sumaré, Campinas, Guarulhos, São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul e em municípios de Goiás.

Durante a operação, as equipes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam ajudar no esclarecimento do caso.

OUTRO LADO

A defesa das empresas informou que tomou conhecimento da investigação recentemente e, neste momento, está realizando análise técnica e jurídica dos elementos disponíveis. Esclareceu, ainda, que irá se manifestar oportunamente, após obter acesso integral aos autos e aos documentos que compõem a investigação, preservando o devido processo legal e o direito de defesa. Por fim, a defesa reafirmou a confiança nas instituições e no regular esclarecimento dos fatos.


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