Política
Proposta prevê flexibilização de critérios para acesso ao benefício em situações emergenciais

Projeto de Zezé amplia Auxílio-Moradia a vítimas de violência em Hortolândia

Proposta do prefeito pontua flexibilização de critérios, prazos diferenciados e possibilidade de moradia fora da cidade em casos específicos de agressões; objetivo é aumentar cuidado e amparo a quem sofre violência dentro de residências

A Prefeitura de Hortolândia encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 47/2026, que propõe mudanças no Programa Auxílio-Moradia, instituído em 2009. A proposta, do prefeito Zezé Gomes (Republicanos), tem como principal objetivo ampliar a proteção às famílias em situação de vulnerabilidade habitacional, com atenção especial às vítimas de violência doméstica e familiar.

O projeto apresentado altera dispositivos da legislação vigente, buscando dar maior flexibilidade, agilidade e efetividade ao programa social, considerado essencial para atender situações emergenciais no município.

Um dos principais pontos do projeto é o reforço da proteção às mulheres vítimas de violência doméstica, especialmente aquelas amparadas por medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Pela nova redação, os critérios tradicionais exigidos para acesso ao Auxílio-Moradia poderão ser excepcionalmente flexibilizados nesses casos. A medida permite que exigências formais sejam dispensadas mediante avaliação técnica do Serviço Social da Secretaria Municipal de Habitação, garantindo resposta rápida a situações de risco.

A proposta reconhece que, em contextos de violência, a urgência na retirada da vítima do ambiente de risco pode ser determinante para preservar sua integridade física, moral e psicológica.

NOVOS PRAZOS

O projeto também reorganiza os prazos de concessão do benefício. Em situações gerais de vulnerabilidade, o Auxílio-Moradia poderá ser concedido por até seis meses, com possibilidade de prorrogação até o limite de 24 meses, mediante avaliação técnica.

Para vítimas de violência doméstica, o texto estabelece cenários distintos. Até 24 meses de benefício, para aquelas que atendem aos critérios regulares do programa e até seis meses nos casos excepcionais, em que há flexibilização de requisitos.

A continuidade do auxílio dependerá de avaliações periódicas realizadas por assistentes sociais e relatórios emitidos pelo Centro de Referência da Mulher (CRAM) ou órgão equivalente.

Além disso, o benefício poderá ser suspenso imediatamente caso cessem as medidas protetivas, a situação de risco ou haja retomada de convivência com o agressor.

MORADIA FORA

Outro ponto do projeto é a possibilidade de flexibilização territorial. Em situações específicas — como famílias removidas por ações do poder público — poderá ser autorizada a locação de imóveis em municípios vizinhos a Hortolândia.

A medida leva em consideração a crescente dificuldade de encontrar imóveis disponíveis no próprio município, especialmente diante da valorização imobiliária local.

Segundo o Executivo, a mudança busca evitar que famílias aptas ao programa sejam excluídas por limitações do mercado imobiliário.

AJUSTES ADMINISTRATIVOS

A proposta também revoga dispositivos considerados burocráticos e promove ajustes técnicos na legislação, com o objetivo de garantir maior segurança jurídica e eficiência administrativa.

De acordo com a justificativa do prefeito, a proposta não representa expansão indiscriminada de despesas públicas, mas sim um aprimoramento da política habitacional já existente.

A matéria tramita em regime de urgência na Casa de Leis. A prefeitura argumenta que a atualização da legislação é necessária diante das mudanças sociais e da crescente demanda por políticas públicas mais eficazes na área de habitação e proteção social.

Zezé Gomes destacou que o projeto representa um avanço importante na garantia de direitos e na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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