Preso e candidato, Hélio tem menos votos que para vereador em Sumaré
Disputando uma cadeira na Câmara dos Deputados, Silva recebeu 1.216 votos dos sumareenses no último domingo, contra 1.916 obtidos na eleição para vereador há dois anos; no Estado, parlamentar somou 1.981 votos e ficou como suplente
Preso em setembro durante uma investigação sobre suspeitas
de envolvimento com o tráfico de drogas, o vereador e presidente licenciado da
Câmara de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), terminou as eleições de 2026 com uma
votação em sua principal base eleitoral inferior à registrada dois anos antes,
quando conquistou um novo mandato no Legislativo municipal.
Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, Hélio
recebeu 1.216 votos em Sumaré, o equivalente a 0,88% dos votos válidos para
deputado federal no município. Em 2024, quando concorreu à reeleição para
vereador, havia conquistado 1.916 votos. A diferença é de 700 votos a menos,
uma redução de aproximadamente 36,5% na comparação entre as duas eleições.
A comparação considera apenas os votos obtidos dentro de
Sumaré, já que as disputas têm abrangências diferentes. Vereadores são eleitos
exclusivamente pelos eleitores do município, enquanto candidatos a deputado
federal podem receber votos em todo o Estado.
Em São Paulo, Hélio terminou a eleição deste ano com 1.981
votos. Sumaré respondeu por cerca de 61,4% de toda a votação obtida pelo
candidato no Estado. Ele não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados e
ficou na condição de suplente.
Mesmo concentrando a maior parte dos votos em sua cidade,
Hélio ficou atrás de outros nomes ligados a Sumaré na disputa federal. Raí do
Paraíso recebeu 42.328 votos no município e Luiz Dalben, 5.632. Hélio apareceu
na sequência, com 1.216.
PRISÃO OCORREU DURANTE CAMPANHA
O resultado eleitoral veio menos de um mês depois de Hélio
ser preso temporariamente, em 9 de setembro, durante a Operação Archimagus,
conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Campinas, a
Ficco. A investigação apura suspeitas relacionadas ao financiamento da compra
de drogas, armazenamento e distribuição de entorpecentes na região.
Na ocasião, foram cumpridos dois mandados de prisão
temporária e dez de busca e apreensão em Sumaré, Campinas e Vinhedo, no Estado
de São Paulo, além de Jacutinga, em Minas Gerais. As apurações também
investigam a eventual utilização de imóveis e empresas na estrutura sob
investigação.
Após a prisão, Hélio pediu licença não remunerada do mandato
e da presidência da Câmara. O vice-presidente Lucas Agostinho assumiu
interinamente o comando do Legislativo sumareense.
Mesmo diante da investigação, a candidatura de Hélio a
deputado federal foi mantida. Dias depois da prisão, familiares utilizaram as
redes sociais do parlamentar para divulgar um vídeo em sua defesa e informar
que a campanha continuaria.
Hélio também foi afastado das atividades partidárias do
Cidadania. A defesa nega irregularidades e contesta as suspeitas atribuídas ao
vereador.
O resultado deste ano interrompe ainda uma trajetória de
crescimento eleitoral de Hélio dentro de Sumaré. Ele havia recebido 1.207 votos
para vereador em 2020 e avançou para 1.916 em 2024, crescimento de 709 votos.
Na eleição de 2026, já concorrendo a deputado federal, caiu para 1.216 votos
entre os sumareenses.

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