Política
Se confirmado pelo TSE, Cartório fará retotalização de votos que redefinirá quociente eleitoral e partidário

Cartório Eleitoral aguarda decisão do TSE para recontar votos em Monte Mor

Processo está sob a relatoria do ministro André Mendonça e deve redefinir composição da Câmara Municipal depois da anulação de votos do partido Solidariedade na Justiça por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024

O Cartório Eleitoral de Monte Mor informou ao Tribuna Liberal que aguarda uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para realizar a recontagem dos votos das eleições municipais de 2024. O processo está atualmente sob análise do ministro André Mendonça e trata da retotalização dos votos após a anulação dos resultados do partido Solidariedade por fraude à cota e gênero no pleito.

De acordo com o TSE, não há manifestação pública sobre o caso neste momento. Em nota oficial, o tribunal afirmou que por se tratar de um caso concreto em análise na Justiça Eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral somente se manifesta nos autos processuais.

O caso é analisado pelo TSE depois de decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que manteve por unanimidade a sentença da 358ª Zona Eleitoral de Monte Mor reconhecendo fraude no cumprimento da cota mínima de candidaturas femininas pelo partido Solidariedade.

A irregularidade levou à cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) da legenda, além da anulação de todos os votos obtidos pelo partido para o cargo de vereador. Como consequência, a Justiça determinou a recontagem geral dos votos, o que deve alterar a composição da Câmara Municipal.

A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou indícios de candidatura fictícia. Segundo o processo, a candidata Andreia Aparecida Rodrigues Alves teria sido registrada apenas para cumprir formalmente a exigência legal de participação feminina nas chapas. 

Entre os elementos que fundamentaram a decisão estão votação zerada, ausência de movimentação financeira na prestação de contas, inexistência de atos de campanha e o fato de a candidata não ter votado em si mesma no dia da eleição.

Além da anulação dos votos, a Justiça declarou a inelegibilidade por oito anos da candidata e de Tamira Nilson Perandre, então presidente do diretório municipal do partido.

IMPACTO POLÍTICO

A decisão judicial já começa a gerar efeitos políticos. A vereadora Camilla Hellen (Republicanos) admitiu publicamente a possibilidade de perder o mandato em função da recontagem dos votos. Eleita com a sexta maior votação da cidade, ela destacou o impacto direto sobre seus eleitores. “Infelizmente, uma mulher eleita legitimamente poderá perder a sua cadeira”, afirmou.

Segundo a parlamentar, 556 eleitores podem deixar de ser representados caso a nova totalização altere o resultado final. Ela também criticou o que considera uma falha na legislação eleitoral. “A letra fria da lei não previu que, no afã de promover a participação feminina, poderia acabar retirando uma mulher eleita de forma legítima”, declarou.

O QUE ACONTECE AGORA

Com o processo ainda em análise no Tribunal Superior Eleitoral, a recontagem dos votos depende da decisão da Corte. Caso a decisão do TRE-SP seja mantida, será feita uma nova totalização dos votos, com recálculo do quociente eleitoral e partidário. Esse procedimento pode redistribuir as cadeiras da Câmara Municipal e alterar diretamente os vereadores eleitos.

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