PF aponta morador de Americana como principal alvo em caso de fraude bancária milionária
Americanense é visto pela PF como uma das ‘peças-chave’ de esquema que deu prejuízo a instituições públicas e privadas na casa dos R$ 500 milhões; investigação apura uso de empresas de fachada e laranjas para transações
A PF (Polícia Federal) identificou o americanense Thiago Branco de Azevedo, o “Ralado”, de 41 anos, como o grande investigado da Operação Fallax. A ação apura um esquema de fraudes bancárias que pode ter causado prejuízo de cerca de R$ 500 milhões a instituições financeiras em mais de 24 meses.
Um condomínio de luxo de Americana, onde o investigado mora, foi
um dos endereços da operação. Conforme a PF, o investigado de Americana
prestava serviços de lavagem de dinheiro ao grupo criminoso, utilizando a
estrutura de empresas fictícias e contas bancárias para movimentar valores
ilícitos.
As diligências ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro e
Bahia, com desdobramentos em Americana, Limeira e Rio Claro. A Justiça Federal
autorizou 21 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão,
resultando na prisão de 14 pessoas. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal
de Piracicaba, com apoio do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).
Entre os detidos, três têm ligação com Americana. Dois
deles, apesar de residirem no município, foram localizados em Angra dos Reis
(RJ), enquanto o terceiro foi preso na cidade. Já o principal alvo da
investigação e sua esposa não foram encontrados na residência do casal e são
considerados foragidos.
De acordo com as investigações, lideradas pelo delegado da
Polícia Federal Henrique Souza Guimarães, o suspeito teria estruturado um
sistema baseado na criação de empresas de fachada. Segundo o delegado
Florisvaldo Emílio das Neves, que participou da operação, essas empresas eram
utilizadas para aplicar golpes em instituições financeiras e movimentar
recursos de origem ilícita, dando aparência de legalidade às transações.
As apurações apontam que o esquema consistia na abertura de
centenas de empresas em nome de “laranjas”, utilizadas para obter empréstimos e
financiamentos em bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil,
Santander e Bradesco.
As investigações tiveram origem em informações
compartilhadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado
(Gaeco) de Piracicaba, que já apurava, em 2024, a atuação de um grupo criminoso
de Rio Claro conhecido como “Bonde do Magrelo”. A organização ainda teria
ligação com uma facção do Rio de Janeiro.
A investigação citou contatos entre o americanense e
integrantes do grupo Fictor. Também alvo da Operação Fallax, o CEO do Grupo
Fictor, Rafael Góis, chegou a negociar a aquisição do Banco Master na véspera
da prisão do empresário Daniel Vorcaro. A informação foi divulgada pelo
colunista Fábio Sarapião, do UOL. Entre os investigados estão Rafael Góis e o
ex-sócio Luiz Rubini.
Os valores obtidos de forma ilícita eram posteriormente
ocultados por meio de empresas de fachada, aquisição de bens de alto valor e
uso de criptoativos, dificultando o rastreamento dos recursos.
Ainda conforme a apuração, Góis, apontado como um dos
principais nomes do grupo, buscava expandir sua atuação no setor financeiro,
inclusive com tratativas envolvendo o Banco Master, em meio a um cenário de
reorganização do mercado. A Justiça já determinou o bloqueio de bens e ativos
financeiros até o limite de R$ 47 milhões.
Com o avanço da operação, a Polícia Federal dará
continuidade à análise do material apreendido, além dos dados obtidos por meio
de quebras de sigilo bancário e fiscal autorizadas pela Justiça, a fim de
aprofundar o mapeamento do esquema e identificar outros envolvidos.

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