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Alta dos juros e custo de vida explicam retomadas de imóveis financiados em Sumaré

Sumaré registra R$ 33,2 milhões em ações para a recuperação de imóveis

Com montante milionário em contratos executados e 267 imóveis retomados, Sumaré está entre cidades que possuem novas alienações fiduciárias; juros elevados e alta no custo de vida dificultam pagamento de financiamentos bancários

O aumento das retomadas de imóveis financiados tem refletido as dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias de Sumaré. Dados da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo (Arisp) mostram que a cidade registrou R$ 33,2 milhões em execuções de garantias imobiliárias em 2025, distribuídas em 267 contratos.

O cenário é consequência da combinação entre juros elevados, inflação persistente e perda do poder de compra. Com despesas básicas do dia a dia com supermercados, convênios, combustíveis e energia elétrica abocanhando uma fatia cada vez maior da renda, comprados de imóveis financiados passaram a encontrar dificuldades para manter em dia as parcelas da casa própria, de acordo com analistas.

Especialistas apontam que a manutenção das taxas de juros em níveis elevados aumenta o endividamento e reduz a capacidade de pagamento dos consumidores, tornando mais frequentes os casos de inadimplência nos financiamentos imobiliários. A alienação fiduciária executada acontece quando o comprador deixa de cumprir as obrigações do contrato de financiamento. Nessa situação, o imóvel utilizado como garantia é retomado pela instituição financeira e vai para leilão.

RESTRIÇÕES

O Judiciário brasileiro começará a operar, de forma obrigatória, um novo sistema destinado ao cumprimento de ordens judiciais que envolvam restrições sobre imóveis. Batizada de Constrijud, a ferramenta foi desenvolvida para centralizar e agilizar a comunicação entre magistrados e cartórios de registro de imóveis em procedimentos como penhora, arresto e sequestro de bens. A implantação ocorre por determinação da Corregedoria Nacional de Justiça, que regulamentou a utilização da plataforma. A expectativa é que todos os tribunais do país estejam integrados ao sistema até agosto.

Desenvolvido e administrado pelo ONR – Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis, o Constrijud passa a concentrar, em ambiente digital único, o encaminhamento e o processamento das determinações judiciais direcionadas aos registros imobiliários. A ferramenta integra o Serp-Jud – Sistema Eletrônico dos Registros Públicos do Judiciário.

Inicialmente, o sistema atenderá ordens relacionadas à constrição de bens, como penhoras, arrestos e sequestros. Em etapas posteriores, a plataforma deverá incorporar outras funcionalidades, entre elas cancelamentos de registros, averbações premonitórias, averbações pré-executórias, bloqueios de matrículas e hipotecas judiciais.

Além da atualização tecnológica, o sistema recebeu melhorias de navegação e novos recursos voltados à tramitação dos procedimentos. Uma das inovações é a possibilidade de participação de advogados, integrantes do Ministério Público, defensores públicos e autoridades policiais no preenchimento das informações necessárias para a expedição das ordens. A autorização final, contudo, permanece sob responsabilidade do magistrado.

Do lado dos cartórios, a plataforma funcionará como canal único para consulta e recebimento das determinações judiciais, que poderão ser verificadas diariamente pelos responsáveis pelo cumprimento das ordens.

 


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