Moradores e socorristas apelam por construção de via de ligação direta entre Sumaré e Hortolândia
Prolongamento entre Avenida Rebouças e Avenida Olívio Franceschini é apontado como solução para acidentes, trânsito intenso e dificuldades de socorro; população relata medo diário na Estrada Teodor Condiev; prefeituras apontam entraves
Moradores e socorristas de órgãos como o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e Corpo de Bombeiros apelam pela retomada do projeto de ligação direta entre Sumaré e Hortolândia.
A proposta de prolongamento da Avenida Rebouças, em Sumaré, até a Avenida Olívio Franceschini, em Hortolândia, volta ao centro das discussões em meio ao aumento do fluxo entre as duas cidades, que estão entre as maiores da Região Metropolitana de Campinas (RMC), e dos riscos enfrentados diariamente por quem depende da atual rota alternativa, a Estrada Municipal Teodor Condiev.
Prevista
no Plano Viário de Sumaré e já discutida no contexto do Corredor Metropolitano,
a obra segue sem avanços. Moradores relatam medo, acidentes frequentes e
dificuldades de deslocamento.
Hoje, a Estrada Teodor Condiev é praticamente a única
alternativa para a ligação entre os municípios partindo do Centro de Sumaré. A
via, porém, é apontada como estreita, com curvas perigosas, ausência de
iluminação e presença constante de mato às margens da pista, fatores que tornam
o trajeto arriscado principalmente no período noturno e em dias de chuva.
Socorristas do Samu e do Corpo de Bombeiros que atuam na região relataram ao Tribuna Liberal que a estrada faz parte da rotina de atendimentos e que a falta de estrutura impacta diretamente o trabalho das equipes de emergência. Segundo eles, acidentes são comuns, especialmente no fim da tarde e à noite, quando a visibilidade fica ainda mais comprometida.
Um dos
profissionais descreveu que a via é “bem escura e sem iluminação adequada”, o
que dificulta inclusive a visualização dos pacientes durante o atendimento.
Para os socorristas, a ligação direta entre as cidades ajudaria e reduziria
riscos tanto para a população quanto para as equipes de resgate.
Entre os moradores, a percepção é semelhante. Priscila
Sabino da Silva Rita, do bairro Virgílio Viel, em Sumaré, afirma que a ligação
seria muito importante para quem vive em uma cidade e trabalha na outra. Ela
descreve a Estrada Teodor Condiev como “muito perigosa” e acredita que a nova
via facilitaria a rotina de milhares de trabalhadores que dependem desse
deslocamento diário.
A preocupação também é compartilhada por Fabiana Martins de Araújo, moradora do Parque Euclides Miranda, que relembra a época em que utilizava a estrada para ir ao trabalho há cerca de dez anos. Segundo ela, o medo era constante, especialmente em períodos de chuva, quando o trecho alagava. A moradora afirma que já passava pela via com receio mesmo dentro de ônibus e destaca que a falta de iluminação permanece como um dos principais problemas.
TRÂNSITO E ANIMAIS NA PISTA
Em Hortolândia, o impacto da ausência da ligação direta
entre as cidades também é percebido no trânsito. O morador João Vitor Medeiros,
da Vila Real, afirma que a nova conexão ajudaria a desafogar congestionamentos
que hoje se estendem por longos trechos da cidade. Ele relata que o trânsito
chega a formar filas extensas e já ouviu motoristas desistirem de corridas por
causa da lentidão.
Para ele, a ligação seria uma alternativa viária importante e contribuiria para melhorar o fluxo entre os municípios. João Vitor também relata situações de riscos frequentes na Estrada Teodor Condiev, como a presença de animais soltos na pista e a dificuldade de visibilidade causada pela escuridão e pela neblina. Em uma dessas situações, ele afirma que quase se envolveu em um acidente ao encontrar um cavalo na estrada durante a noite.
PREFEITURAS SE POSICIONAM
O projeto de interligação enfrenta entraves administrativos
e institucionais. A Prefeitura de Hortolândia informou que tem interesse na
conclusão das obras do Corredor Metropolitano e que, em 2023, protocolou junto
ao Governo do Estado a solicitação de recursos por meio do PAC Mobilidade para
continuidade das intervenções, mas ainda aguarda resposta.
A Prefeitura de Sumaré explicou que o prolongamento da
Avenida Rebouças estava originalmente previsto no conjunto de intervenções do
Corredor Metropolitano, mas foi retirado do projeto pelo Governo do Estado,
deixando de fazer parte do escopo estadual. Segundo o município, esse é hoje o
principal obstáculo para o avanço da proposta.
Além da questão administrativa, o projeto também envolve desafios técnicos e ambientais. O traçado prevê a travessia de áreas que exigem estudos ambientais, além da transposição de linha férrea e a construção de estruturas complexas. Por isso, a obra depende de articulação entre diferentes esferas de governo, incluindo município, Estado e União. O Estado não se manifestou.
Se executada, conexão entre as avenidas poderá:
• Criar rota direta entre as cidades
• Reduzir congestionamentos
• Diminuir acidentes
• Melhorar tempo de resposta de emergências
• Facilitar deslocamento de trabalhadores
• Integrar ainda mais a região
Principais problemas apontados:
• Ausência total de iluminação
• Curvas perigosas
• Vegetação densa nas margens
• Alta velocidade dos veículos
• Dificuldade de atendimento noturno
• Ocorrência frequente de acidentes no fim do dia
O traçado exige:
• Travessia do Horto Florestal
• Estudos ambientais rigorosos
• Transposição de linha férrea
• Travessias estruturais complexas
• Articulação entre município, Estado e União

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