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Juíza autorizou reintegração de posse em farmácia do Jd. Rosolem com auxílio da Polícia Militar

Justiça determina reintegração de posse de farmácia no Rosolem, em Hortolândia

Além da acusação de estelionato na compra de unidade da Rede Menor Preço envolvendo terreno, homem também é investigado por esquema que prometia locação de veículos por assinatura e deixou dezenas de vítimas em 2023

Um estelionatário que chegou a ser preso em 2023 após denúncias de fraudes milionárias envolvendo um suposto sistema de locação de veículos por assinatura é também acusado de aplicar golpes em Hortolândia. O caso envolve a negociação de uma farmácia da Rede Menor Preço, no Jardim Rosolem, e terminou com uma ação judicial de reintegração de posse determinada pela Justiça.

A medida foi cumprida nesta quarta-feira (24) na unidade localizada na Rua Armelinda Espúrio da Silva. O mandado foi expedido pela juíza Marta Brandão Pistelli, da 3ª Vara Cível de Hortolândia.

O principal personagem do caso é o mesmo que ganhou notoriedade em 2023 após comandar uma empresa que prometia locação de veículos por assinatura. Na época, os clientes desembolsavam até 50% do valor de um carro zero na entrada do contrato e recebiam a promessa de que, ao final de quatro anos, recuperariam metade do valor investido ao devolver o veículo. O modelo atraiu dezenas de consumidores, mas muitos afirmaram nunca ter recebido o que foi prometido.

As denúncias resultaram em investigações que apontaram prejuízos milionários. O acusado chegou a ser preso em Valinhos, onde morava, permanecendo detido por quatro dias. Atualmente, ele responde a cinco processos criminais relacionados ao caso.

Segundo Anderson Aparecido Macherte, proprietário da Rede Menor Preço, o investigado teria conquistado sua confiança antes de negociar a compra de uma farmácia da rede no Jardim Rosolem. Como forma de pagamento, foi apresentada uma proposta envolvendo a permuta de um terreno. Além disso, havia um aporte financeiro de aproximadamente R$ 67 mil para auxiliar na estruturação do negócio, com o compromisso de transferência do imóvel.

A descoberta do esquema veio justamente pelo terreno que seria o meio de pagamento. “Ficamos sabendo que ele estava tentando vender o mesmo terreno para um franqueado da própria Rede Menor Preço — alguém que estava negociando a abertura de uma nova unidade da rede. Foi aí que entendemos o que estava acontecendo”, afirmou Anderson.

“Ele ganhou minha confiança, trabalhou para mim e negociamos a venda da loja. A forma de pagamento foi justamente essa permuta. Depois descobrimos que ele estava tentando negociar o mesmo terreno com outras pessoas”, completou o empresário.

O caso provocou uma série de prejuízos financeiros e pessoais, incluindo o comprometimento do nome de Emily Gonçalves Macherte, a filha de Anderson. A disputa judicial envolvendo a farmácia gira em torno de aproximadamente R$ 833 mil — valor que reflete os prejuízos acumulados, incluindo mercadorias, aluguéis e dívidas contraídas em nome de Emily Gonçalves Macherte documentadas nos autos.

A decisão pela reintegração de posse representa uma das primeiras vitórias judiciais da rede no processo. Foram registrados mais de R$ 30 mil em protestos. Também permaneceram em aberto despesas essenciais, como contas de água, energia elétrica, aluguel e demais custos operacionais.

Segundo consta nos documentos apresentados no processo, diversos bens e equipamentos indispensáveis ao funcionamento da farmácia teriam sido retirados do estabelecimento sem autorização. Entre os itens apontados estão computadores, celular corporativo, equipamentos eletrônicos e outros materiais utilizados na operação da empresa.

Também houve a retirada de mercadorias. De acordo com alegações apresentadas, o valor dos produtos retirados era de R$ 17 mil. A efetiva quantidade e o valor exato das mercadorias ainda serão objeto de apuração no decorrer do processo judicial. A retirada desses bens comprometeu ainda mais as atividades da unidade, dificultando o acesso a sistemas, registros financeiros, documentos e ferramentas para a realização de balanços, conferências e para a continuidade do negócio.

Segundo o empresário, a retirada dos equipamentos e mercadorias sem autorização levantou suspeitas de tentativa de dificultar a apuração completa dos fatos e dos prejuízos discutidos na ação, circunstância que também deverá ser analisada pela Justiça no curso do processo.

Enquanto a unidade objeto da disputa permanecia fechada por mais de 90 dias, acumulando protestos, dívidas e prejuízos, uma drogaria, cujo proprietário figura como um dos réus na ação judicial, operava normalmente a aproximadamente 200 metros do local.

DOAÇÕES

Anderson afirma que foi procurado por vítimas do esquema da loja de veículos e decidiu auxiliá-las. Em conjunto com o escritório Oliveira & Oliveira Advogados, foi elaborado um compromisso formal de destinação dos valores que vierem a ser determinados por sentença judicial.

Pela proposta, os valores eventualmente recebidos por determinação da Justiça serão divididos em quatro partes iguais: 25% destinados às vítimas do esquema de Valinhos que sofreram o golpe e colaboraram com as investigações; 25% à AME do Jardim Rosolem, para custeio de médicos especialistas no atendimento de crianças autistas; 25% ao escritório Oliveira & Oliveira Advogados, pelos honorários e despesas processuais; e 25% à própria Rede Menor Preço Franquias, para ressarcimento dos prejuízos acumulados ao longo do processo.

“Nosso objetivo nunca foi lucrar com essa situação. Foi buscar justiça — para nós, para as famílias que já foram lesadas, e para que nenhuma outra vítima passe pelo que passamos”, encerrou Anderson.


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