Apesar de redução em Sumaré, bares criam 452 empregos em maio na região
Setor de alimentação apresenta cenário favorável na Região Metropolitana de Campinas (RMC), impulsionado pelo bom desempenho de bares e restaurantes; Sumaré, contudo, registrou saldo negativo de 14 vagas no período, segundo o Caged
Bares, restaurantes e outros comércios do segmento - grupo
de alimentação - da Região Metropolitana de Campinas (RMC) criaram 452 novos
empregos no mês de maio. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. No acumulado de
janeiro a maio o saldo (entre contratações e demissões) é de 2.039 novos
trabalhadores incorporados ao setor, bem acima dos 434 empregos criados durante
todo o ano de 2025. Segundo o Caged, o setor teve no mês de maio 3.706 admissões
e 3.254 demissões. Sumaré, porém, teve resultado negativo no mês.
Em maio, sete municípios tiveram mais admissões que
admissões. Os destaques foram Campinas (385), Indaiatuba (71), Holambra (34),
Itatiba (15) e Artur Nogueira (10). Onze municípios tiveram saldo negativo:
Americana (-18), Hortolândia (-18), Jaguariúna (-15), Sumaré (-14) e Monte Mor
(-09). Engenheiro Coelho e Pedreira tiveram saldo zero.
Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e
Restaurantes (Abrasel) RMC, André Mandetta, o setor de alimentação fora do lar
vem apresentando um bom desempenho, mesmo com as dificuldades, especialmente
quanto à inflação dos produtos. “Hoje temos uma enorme dificuldade de repassar
integralmente a inflação para os preços, o que dificulta o caixa das empresas”,
explica.
“Mesmo assim, vemos que o setor vem apresentando dados
positivos quanto às contrações, sejam os estabelecimentos já em funcionamento, como
os novos que entram no mercado, por conta do dinamismo do setor de bares e
restaurantes regional”, acrescenta. “A região vem se consolidando como um
importante polo gastronômico de turismo, especialmente de negócios, e isso pode
ser medido pelo percentual de contratações de todo o Estado.”
Mandetta também destaca o alto número de empregos gerados no
ano, mesmo com a dificuldade para encontrar mão de obra, assim como em outros
setores. “Já passamos de dois mil novos empregos criados no ano e a nossa
expectativa é de que esse volume se mantenha no segundo semestre”, afirma o
presidente da Abrasel RMC.
As vendas no setor de bares e restaurantes cresceram 4,6% em
maio na comparação anual, registrando o oitavo mês consecutivo de desempenho
acima do observado no ano anterior. Já em relação a abril, o setor apresentou
uma leve queda de 0,3%. Os dados são do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal
divulgado pela Stone.
Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, o resultado de
maio confirma a resiliência do setor diante de um cenário desafiador, com altas
taxas de juros e dificuldade em repassar custos. “Os dados referentes a maio
reforçam algo que vemos no dia a dia do setor: bares e restaurantes têm uma
capacidade única de se adaptar, mesmo operando sob pressão de custos elevados e
crédito caro. Na comparação anual, esse crescimento também reflete a força de
datas comemorativas como o Dia das Mães, uma das mais relevantes do calendário
para o segmento, que ajuda a impulsionar o movimento mesmo em um cenário
econômico mais desafiador”, afirma.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da
Stone, o resultado de maio mostra que o setor segue encontrando sustentação,
mesmo em um ambiente econômico desafiador. “O avanço na comparação anual e o
oitavo mês consecutivo de crescimento mostram a resiliência de bares e
restaurantes, que continuam sendo beneficiados pela força do mercado de
trabalho. A geração de renda e os baixos níveis de desemprego seguem
sustentando o consumo das famílias e ajudando a manter o setor em trajetória
positiva”, afirma.
Para Freitas, porém, os desafios para uma aceleração mais
consistente permanecem. “Apesar desse cenário favorável para a renda, as
condições financeiras seguem pressionadas. O elevado comprometimento da renda
das famílias com dívidas, o custo do crédito e a inflação ainda resistente,
especialmente em alimentação fora do domicílio, continuam limitando o consumo
discricionário. Por isso, embora o setor mantenha resultados superiores aos
observados há um ano, uma recuperação mais forte dependerá de uma melhora
dessas condições nos próximos meses”, completa.

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