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Juçara Rosolen é empresária, escritora e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

Coluna Olhar de Dentro

Violência contra meninas e mulheres: não podemos mais calar

Há assuntos que a gente não gostaria de abordar. Mas o silêncio, diante de certas dores, é um luxo que não podemos mais nos permitir. Nos últimos tempos, temos visto crescer o número de casos de violência sexual contra meninas e mulheres, notícias que chocam, revoltam e nos obrigam a olhar para uma ferida aberta da nossa sociedade, mas é necessário encará-la para, então, enfrentá-la.

Existe uma informação que precisa ser exposta, por mais dolorosa que seja. Na maioria dos casos, a violência não vem só de um estranho na rua. Os números da segurança pública mostram que grande parte das vítimas são crianças e adolescentes, e que, na maioria das vezes, o agressor é alguém próximo: um conhecido, amigo, um vizinho, ou até mesmo alguém da própria família ou do círculo de confiança. É uma realidade difícil de aceitar.

Por isso, o cuidado dos pais e responsáveis precisa ir muito além. É necessário manter o diálogo aberto com crianças e adolescentes, ensinar desde cedo que ninguém pode tocá-los sem o seu consentimento, prestar atenção a mudanças de comportamento e, acima de tudo, acreditar na criança quando ela tem coragem de falar. Muitas vítimas se calam por vergonha, medo ou por não se sentirem ouvidas. Criar um ambiente de confiança dentro de casa ajuda a proteger uma criança de um sofrimento que pode durar a vida inteira. Mas esse cuidado não precisa acontecer apenas dentro do lar. Em muitos casos, contar com ajuda profissional — como psicólogos, orientadores, assistentes sociais ou redes de apoio especializadas — também podem ser fundamentais para acolher, orientar e oferecer o suporte necessário tanto para a criança quanto para a família.

Mas proteger não basta. Precisamos ir à raiz do problema, e esta passa, principalmente, pela educação. Através da forma como criamos os nossos filhos. Ensinar um menino, desde cedo, a respeitar, a ouvir um não, a enxergar a mulher com o devido respeito e nunca como objeto, é talvez a forma mais profunda de prevenir a violência de amanhã. Essa educação começa em casa, no exemplo e pequenas atitudes do dia a dia.

Porque o que estamos vendo é também o retrato de uma mentalidade cada vez mais adoecida. Não se trata apenas de adolescentes, embora existam, sim, casos graves envolvendo jovens. São adultos, muitas vezes homens já maduros, que cometem esses crimes. É um adoecimento social que se alimenta do silêncio, da banalização e de uma cultura que por tempo demais tratou esse tipo de violência como assunto para esconder. Curar essa mentalidade é uma tarefa de todos nós.

E há caminhos concretos: denunciar é um deles, e existem canais seguros e gratuitos para isso. A Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, recebe denúncias de violência contra a mulher. O Disque 100 atende casos que envolvem crianças e adolescentes. Os dois funcionam de forma sigilosa, 24 horas por dia. Quebrar o silêncio, acolher quem sofreu sem julgamento e jamais culpar a vítima são atitudes que salvam vidas.

Proteger e cuidar é responsabilidade de toda a comunidade.

E você, está disposto a fazer a sua parte, seja educando os seus filhos com respeito, acolhendo quem precisa, ou quebrando o silêncio quando algo não parece certo?

 Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

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