Coluna Olhar de Dentro
Mãe é a primeira casa que a gente conhece
Antes de qualquer endereço, antes de qualquer paisagem,
antes mesmo de qualquer lembrança consciente, a gente já habitou um lugar. Um
corpo. Uma voz. Um colo. Mãe é a primeira casa que a gente conhece. E talvez
seja a única que carregamos para sempre, mesmo quando saímos dela.
Pensar nisso me emociona. Porque casa, no sentido mais
profundo da palavra, não é apenas paredes e teto. É refúgio. É lugar onde o
cansaço encontra descanso. É espaço onde a gente pode ser o que é, sem precisar
parecer outra coisa. E foi exatamente isso que nossas mães foram, em algum
momento, para cada um de nós.
Mas também existem pais que, por escolha, amor ou pelas
circunstâncias da vida, precisaram ocupar esse lugar sozinhos. Homens que se
tornaram colo, proteção e abrigo. Porque ser mãe, muitas vezes, vai além da
condição biológica. É sobre cuidar, permanecer e amar mesmo quando ninguém vê.
E existe um lado da maternidade — e também dessa paternidade silenciosa — que raramente recebe o reconhecimento que merece: o lado invisível. A maior parte desse trabalho acontece longe dos olhos do mundo.
É a
noite mal dormida porque o filho estava com febre, a refeição preparada com
pressa para não atrasar o ônibus escolar. É a roupa lavada à mão quando a
máquina quebrou, o orçamento esticado para não faltar nada. É o conselho dado
entre uma louça e outra ou o silêncio escolhido para não preocupar.
Esse trabalho não tem horário. Não tem fim de expediente,
feriado. Não tem aposentadoria. E, durante muito tempo, sequer foi reconhecido
como trabalho.
Em Nova Odessa, eu vejo mães por toda parte. Na fila do
posto de saúde e saída da escola. No supermercado depois do expediente ou na
padaria de manhã cedo. Carregando sacolas, ao mesmo tempo que carregam os seus
filhos. Levando consigo uma vida inteira que cabe nos braços e na alma.
Algumas delas conseguiram criar seus filhos com tudo o que
era preciso. Outras tiveram que escolher entre uma coisa e outra todos os dias.
Algumas tiveram apoio. Outras seguraram a casa sozinhas. Mas todas, sem
exceção, fizeram o melhor que podiam com o que tinham. E é isso que nos torna
quem somos.
Olhar para uma mãe é, muitas vezes, olhar para uma mulher
que se desdobrou para que o filho tivesse o que ela mesma não teve. Que
renunciou ao próprio sonho para garantir o do outro. Que se fez forte para
alguém. E que, mesmo nos momentos em que duvidou de si, continuou fazendo.
Por isso, neste Dia das Mães, mais do que flores e cartões,
o que todas merecem é o reconhecimento da palavra dita em voz alta: “Obrigado
pelo que eu vi e pelo que eu nem cheguei a perceber, por ter me feito sentir,
em algum momento, que o mundo era um lugar seguro.”
E para as mães que já partiram, vale a homenagem em forma de
memória. Em cada gesto de cuidado que repetimos sem nem perceber, elas seguem
vivas em nosso coração.
E você, o que aprendeu de mais valioso com quem cuidou de você?
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e
escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e
fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços
previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do
Lions Clube de Nova Odessa

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