Colunas
Juçara Rosolen é empresária, escritora e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

Coluna Olhar de Dentro

Mãe é a primeira casa que a gente conhece

Antes de qualquer endereço, antes de qualquer paisagem, antes mesmo de qualquer lembrança consciente, a gente já habitou um lugar. Um corpo. Uma voz. Um colo. Mãe é a primeira casa que a gente conhece. E talvez seja a única que carregamos para sempre, mesmo quando saímos dela.

Pensar nisso me emociona. Porque casa, no sentido mais profundo da palavra, não é apenas paredes e teto. É refúgio. É lugar onde o cansaço encontra descanso. É espaço onde a gente pode ser o que é, sem precisar parecer outra coisa. E foi exatamente isso que nossas mães foram, em algum momento, para cada um de nós.

Mas também existem pais que, por escolha, amor ou pelas circunstâncias da vida, precisaram ocupar esse lugar sozinhos. Homens que se tornaram colo, proteção e abrigo. Porque ser mãe, muitas vezes, vai além da condição biológica. É sobre cuidar, permanecer e amar mesmo quando ninguém vê.

E existe um lado da maternidade — e também dessa paternidade silenciosa — que raramente recebe o reconhecimento que merece: o lado invisível. A maior parte desse trabalho acontece longe dos olhos do mundo. 

É a noite mal dormida porque o filho estava com febre, a refeição preparada com pressa para não atrasar o ônibus escolar. É a roupa lavada à mão quando a máquina quebrou, o orçamento esticado para não faltar nada. É o conselho dado entre uma louça e outra ou o silêncio escolhido para não preocupar. 

Esse trabalho não tem horário. Não tem fim de expediente, feriado. Não tem aposentadoria. E, durante muito tempo, sequer foi reconhecido como trabalho.

Em Nova Odessa, eu vejo mães por toda parte. Na fila do posto de saúde e saída da escola. No supermercado depois do expediente ou na padaria de manhã cedo. Carregando sacolas, ao mesmo tempo que carregam os seus filhos. Levando consigo uma vida inteira que cabe nos braços e na alma.

Algumas delas conseguiram criar seus filhos com tudo o que era preciso. Outras tiveram que escolher entre uma coisa e outra todos os dias. Algumas tiveram apoio. Outras seguraram a casa sozinhas. Mas todas, sem exceção, fizeram o melhor que podiam com o que tinham. E é isso que nos torna quem somos.

Olhar para uma mãe é, muitas vezes, olhar para uma mulher que se desdobrou para que o filho tivesse o que ela mesma não teve. Que renunciou ao próprio sonho para garantir o do outro. Que se fez forte para alguém. E que, mesmo nos momentos em que duvidou de si, continuou fazendo.

Por isso, neste Dia das Mães, mais do que flores e cartões, o que todas merecem é o reconhecimento da palavra dita em voz alta: “Obrigado pelo que eu vi e pelo que eu nem cheguei a perceber, por ter me feito sentir, em algum momento, que o mundo era um lugar seguro.”

E para as mães que já partiram, vale a homenagem em forma de memória. Em cada gesto de cuidado que repetimos sem nem perceber, elas seguem vivas em nosso coração.

E você, o que aprendeu de mais valioso com quem cuidou de você?

Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do Lions Clube de Nova Odessa

Deixe um comentário