Coluna Olhar de Dentro
Maio em cinco cores: o que cada uma delas pede de nós
Maio é o mês das mães. Mas é também o mês de cinco cores que
pedem nossa atenção — cada uma com uma causa que toca a vida de muita gente
perto de nós, mesmo quando passa despercebida. Vale a pena olhar para cada uma
delas com cuidado.
A primeira é o amarelo. O Maio Amarelo é o movimento que
chama atenção para a segurança no trânsito. Os números são duros: o Brasil
ainda figura entre os países com mais mortes evitáveis nas ruas e estradas.
Cada estatística esconde uma família destroçada, um lar que nunca mais será o
mesmo. Em Nova Odessa, como em qualquer cidade, isso se traduz em pais que
perderam filhos, em mães que esperam o retorno que não veio. Reduzir a
velocidade, respeitar a sinalização, não usar o celular ao volante, não dirigir
após beber. São gestos simples que salvam vidas.
A segunda é o roxo. O Maio Roxo dá voz às chamadas doenças
invisíveis — aquelas que não aparecem no rosto da pessoa, mas estão lá, todos
os dias, dificultando o que parece simples. Fibromialgia, lúpus, doenças
inflamatórias intestinais, esclerose múltipla. Quem convive com essas condições
enfrenta uma dor dupla: a da própria doença e a da incompreensão de quem diz
que é frescura, exagero ou preguiça. Falar sobre isso é o primeiro passo para
validar a experiência de quem sofre em silêncio.
A terceira é o vermelho. O Maio Vermelho mobiliza a
sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce das hepatites virais,
doenças que afetam milhões de brasileiros e que muitas vezes são silenciosas
até causarem danos sérios ao fígado. Um exame simples pode salvar vidas.
Vacinação está disponível. Tratamento existe. O que falta, em muitos casos, é
informação chegando até quem precisa.
A quarta cor é o laranja. E essa, talvez, seja a que mais
dói. O Maio Laranja é o mês de combate ao abuso e à exploração sexual de
crianças e adolescentes. No dia 18 de maio, o Brasil para para falar sobre o
que muita gente prefere não enxergar. Mas crianças não têm voz para se proteger
sozinhas. Nós, adultos, precisamos ser essa voz. Aprender a identificar sinais.
Denunciar quando preciso. Acolher sem julgar. Proteger a infância é
responsabilidade de todos.
A quinta é o cinza. O Maio Cinza traz um alerta urgente
sobre os tumores cerebrais, uma condição que pode afetar qualquer idade e que,
muitas vezes, é silenciosa ou confundida com sintomas comuns do dia a dia. Dor
de cabeça persistente, alterações na visão, no comportamento ou no equilíbrio
não devem ser ignoradas. Informação, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento
fazem toda a diferença. Falar sobre isso é também salvar vidas.
Por trás de cada uma dessas cores, existem pessoas. Pessoas
que perderam alguém no trânsito, que vivem com dores que ninguém vê ou que
descobriram tarde demais uma doença que era curável. Crianças que precisam de
adultos atentos para garantir que possam crescer em paz. E também pessoas que
enfrentam desafios silenciosos no próprio cérebro, lutando diariamente pela
vida.
Maio nos lembra que a saúde e a proteção são causas
coletivas. Não bastam apenas políticas públicas — embora elas sejam
fundamentais. Precisamos também de cidadãos atentos, vizinhos solidários,
comunidades que cuidam umas das outras.
E você, qual dessas cores tocou mais a sua história? O que você sente que poderia fazer pela causa que mais te mobiliza?
Juçara Rosolen é mãe, cristã, empreendedora, palestrante e
escritora. Juçara é formada em Pedagogia, Letras e Direito. Proprietária e
fundadora do Grupo Aposerv, que há mais de 17 anos se dedica aos serviços
previdenciários administrativos. É ex-presidente da ACINO e atual Presidente do
Lions Clube de Nova Odessa

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