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Lanna Vaughan Romano é advogada especialista internacional em Direito Médico e Direito da Saúde

Coluna Direito Médico e da Saúde

Violência contra profissionais da saúde: um problema que também é jurídico

Os episódios de agressões contra médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais da saúde têm se tornado cada vez mais frequentes em hospitais, unidades de pronto atendimento e consultórios. Situações de violência verbal, ameaças e até agressões físicas revelam um problema que vai além da segurança pública: trata-se também de uma questão de Direito Médico.

É compreensível que pacientes e familiares vivenciem momentos de angústia diante de uma doença ou de uma emergência. Contudo, o sofrimento não autoriza a prática de ofensas, intimidações ou agressões contra aqueles que estão prestando assistência. A relação entre paciente e profissional da saúde deve ser pautada pelo respeito mútuo, condição indispensável para um atendimento seguro e eficiente.

Do ponto de vista jurídico, o profissional da saúde possui direito à integridade física, moral e psicológica. Agressões podem gerar responsabilização civil, criminal e, em determinadas situações, medidas protetivas para preservar a segurança da vítima. Além disso, as instituições de saúde possuem o dever de adotar protocolos de prevenção, oferecer canais de denúncia e proporcionar ambientes de trabalho mais seguros.

A violência também compromete diretamente a qualidade da assistência. Profissionais submetidos a ameaças constantes apresentam maior desgaste emocional, aumento dos índices de ansiedade e da síndrome de burnout, fatores que impactam negativamente a prestação dos serviços de saúde.

É igualmente importante diferenciar a insatisfação legítima do paciente da prática de violência. O cidadão possui o direito de questionar atendimentos, registrar reclamações e buscar reparação quando entender que houve falha na assistência. Entretanto, esses direitos devem ser exercidos pelos meios legais disponíveis, jamais mediante agressões ou intimidações.

O Direito Médico atua justamente para equilibrar essa relação, protegendo tanto os direitos dos pacientes quanto os direitos dos profissionais da saúde. Não existe assistência de qualidade sem um ambiente de respeito, diálogo e segurança para todos os envolvidos.

Valorizar os profissionais da saúde não significa afastar a responsabilização quando houver erro. Significa reconhecer que quem dedica sua vida ao cuidado do próximo também merece exercer sua profissão com dignidade, proteção e respeito. Promover essa cultura é responsabilidade de toda a sociedade.

Lanna Vaughan Romano é advogada especialista internacional em Direito Médico, Direito da Saúde e Direito da Farmácia e do Medicamento.

E-mail: dra.lannaromano@gmail.com

End.: Rua Dom Barreto, nº1.380, Centro, Sumaré/SP.

Rede social- instagram: dra.lanna_vaughan

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