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Johnny William Bradley é advogado especialista em responsabilidade patrimonial e execução judicial

Coluna Curiosidades Sobre o Direito

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A importância do planejamento previdenciário antes de requerer a aposentadoria

Um passo que pode definir o valor do seu benefício para o resto da vida

 Para muitos brasileiros, a aposentadoria representa o encerramento de uma longa jornada de trabalho e o início de uma nova etapa de vida. Entretanto, o que deveria ser um momento de tranquilidade acaba, muitas vezes, transformando-se em uma grande frustração. Isso porque inúmeras pessoas solicitam sua aposentadoria sem qualquer planejamento previdenciário e, somente depois de receberem o benefício, descobrem que poderiam estar recebendo valores significativamente maiores.

 A ideia de que basta completar a idade ou o tempo de contribuição para requerer a aposentadoria é um dos maiores equívocos existentes no sistema previdenciário brasileiro. A legislação sofreu profundas alterações nos últimos anos, especialmente após a Reforma da Previdência, tornando o cálculo dos benefícios cada vez mais complexo e dependente da análise individual da vida contributiva de cada segurado.

 Cada histórico previdenciário possui características próprias. Existem vínculos empregatícios que não foram corretamente registrados, contribuições recolhidas em valores incorretos, períodos especiais decorrentes de exposição a agentes nocivos, tempo de serviço rural, atividade militar, contribuições concomitantes, averbações pendentes e diversas outras situações capazes de alterar completamente o direito ao benefício e o seu valor.

 É justamente nesse contexto que o planejamento previdenciário assume papel fundamental.

 Antes mesmo de protocolar qualquer pedido perante o INSS, é indispensável realizar um planejamento previdenciário completo, mediante o estudo detalhado do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), das carteiras de trabalho, carnês de contribuição, processos administrativos anteriores e de toda a documentação que compõe a história previdenciária do segurado.

 Esse planejamento permite identificar eventuais inconsistências cadastrais, períodos que podem ser reconhecidos administrativa ou judicialmente, falhas no histórico contributivo e, principalmente, apontar qual regra de aposentadoria é mais vantajosa para cada caso concreto.

 Muitas pessoas desconhecem que, em diversos casos, não é recomendável requerer imediatamente a aposentadoria, ainda que aparentemente já tenham preenchido os requisitos legais.

 Em determinadas situações, poucos meses adicionais de contribuição podem elevar significativamente a renda mensal inicial. Em outras, o reconhecimento de um período especial ou de um vínculo empregatício não computado pode representar anos de antecipação da aposentadoria ou um benefício muito superior ao inicialmente concedido.

 Outro aspecto frequentemente ignorado é que nem sempre a primeira aposentadoria concedida pelo INSS corresponde à melhor aposentadoria possível.

 O sistema previdenciário possui diferentes regras de transição, normas permanentes e critérios específicos de cálculo. Um mesmo trabalhador pode preencher os requisitos para mais de uma modalidade de aposentadoria, sendo indispensável comparar todas elas para identificar aquela que proporcionará maior vantagem econômica ao longo da vida.

 É importante lembrar que uma decisão equivocada pode produzir efeitos permanentes.

 Embora existam hipóteses excepcionais de revisão judicial, nem sempre será possível corrigir posteriormente um benefício concedido com base em informações incompletas ou na ausência de um adequado planejamento. Em muitos casos, o segurado deixa de receber o valor rela devido simplesmente porque requereu sua aposentadoria sem antes realizar um planejamento previdenciário.

A atuação do advogado, portanto, vai muito além do simples protocolo de um requerimento administrativo. Seu verdadeiro papel consiste em elaborar um planejamento previdenciário completo, identificando riscos, oportunidades, estratégias e o momento mais adequado para o requerimento do benefício.

 Esse trabalho preventivo proporciona segurança jurídica, reduz significativamente as chances de indeferimento, evita futuras demandas revisionais e garante ao segurado a tranquilidade de saber que está exercendo seu direito da forma mais vantajosa permitida pela legislação.

 A aposentadoria é, para a maioria das pessoas, a principal fonte de renda durante décadas. Trata-se de uma decisão que produzirá efeitos financeiros por toda a vida e que, justamente por isso, não deve ser tomada com base apenas em informações genéricas obtidas na internet, em aplicativos ou em conversas informais.

 O planejamento previdenciário deixou de ser um diferencial e passou a ser uma verdadeira necessidade. Ele permite ao segurado conhecer seus direitos, escolher o melhor momento para se aposentar, corrigir pendências antes do protocolo do pedido e garantir que todo o seu histórico contributivo seja corretamente considerado pelo INSS.

 Quando se fala em aposentadoria, o maior erro não é esperar alguns meses para realizar um planejamento. O maior erro é requerer o benefício sem saber se aquela realmente é a melhor aposentadoria a que se tem direito.

 Afinal, quem planeja sua aposentadoria não está apenas organizando documentos; está protegendo seu patrimônio, assegurando sua renda futura e garantindo que décadas de trabalho sejam justamente reconhecidas pela Previdência Social.

Johnny William Bradley é advogado especialista em responsabilidade patrimonial e execução judicial

E mail: johnny.bradley@hotmail.com

End.: Av. Luís Frutuoso, nº 340, Vila Santana, Sumaré/SP

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