Região soma 308 medidas protetivas em dois meses e tem média de cinco por dia
Levantamento do TJ-SP, a pedido do Tribuna Liberal, compara janeiro e fevereiro de 2026 com o mesmo período de 2025; Americana, Hortolândia e Sumaré registram aumento na quantidade de medidas concedidas na região
A Justiça concedeu 308 medidas protetivas em Sumaré,
Hortolândia, Nova Odessa, Paulínia, Americana e Monte Mor nos dois primeiros
meses de 2026, segundo levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP)
a pedido do Tribuna Liberal. Em média, juízes da região concedem cinco
proteções a cada 24 horas.
O total de concessões de 2026 é o mesmo número do mesmo
período do ano passado. Embora o resultado consolidado tenha permanecido
estável, os dados mostram comportamentos diferentes entre as cidades da região.
Americana registrou a maior alta proporcional no período,
passando de 68 para 78 medidas protetivas, crescimento de 14,7%. Em seguida
aparece Hortolândia, que subiu de 84 para 94, avanço de 11,9%. Sumaré também
teve aumento, saindo de 62 para 68, alta de 9,7%, segundo os dados do TJ-SP.
Do outro lado, o levantamento mostra que Nova Odessa
apresentou a maior queda percentual. O município caiu de 21 para 12 medidas
protetivas, retração de 42,9%. Em Paulínia, o número passou de 43 para 30,
recuo de 30,2%. Monte Mor foi de 30 para 26, queda de 13,3%.
Entre as cidades com maior volume absoluto, Hortolândia
lidera o ranking regional em 2026, com 94 medidas protetivas concedidas no
bimestre. Na sequência aparecem Americana, com 78, e Sumaré, com 68. Na outra
ponta, Nova Odessa teve o menor número absoluto, com 12 registros.
Enquanto três cidades ampliaram a concessão de medidas
protetivas, outras três registraram redução suficiente para manter o
consolidado em 308 nos dois períodos comparados.
As medidas protetivas são instrumentos judiciais usados para resguardar vítimas, principalmente em contextos de violência doméstica e familiar. No recorte de janeiro e fevereiro de 2026, os dados do Tribunal de Justiça mostram que a procura por esse tipo de proteção segue em patamar elevado na região, reforçando a demanda por rede de acolhimento, fiscalização e resposta rápida do sistema de Justiça.
FEMINICÍDIOS EM ALTA
O crescimento das medidas protetivas de urgência no Brasil e
em São Paulo não tem sido suficiente para impedir o avanço dos feminicídios.
Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 13,1%
das vítimas de feminicídio no país, em 2025, tinham medida protetiva ativa
quando foram mortas. Em São Paulo, o quadro é ainda mais grave: uma em cada
cinco vítimas estava amparada por esse tipo de decisão judicial.
No Estado paulista, o número de medidas protetivas
concedidas pela Justiça cresceu 17% em 2025, chegando a 118 mil. Ainda assim, a
violência letal contra mulheres bateu novo recorde: janeiro de 2026 foi o mês
mais violento da série histórica no Estado, com 27 mulheres assassinadas, média
de quase uma por dia.
O cenário nacional também preocupa. Segundo dados do
Ministério da Justiça mostram que 131 mulheres foram mortas no país em janeiro
de 2026, alta de quase 5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O
Fórum aponta ainda que, entre 2021 e 2025, o feminicídio cresceu de forma
contínua no Brasil, atingindo 1.568 casos em 2025, o maior número da série
apresentada no levantamento.
Em São Paulo, o número de vítimas de feminicídio no Estado
passou de 136 em 2021 para 270 em 2025, alta de 96,4% em quatro anos, segundo o
Fórum.
Os dados reforçam uma conclusão incômoda: a existência da
medida protetiva, por si só, não basta. Especialistas e autoridades têm
defendido o fortalecimento da rede de proteção com fiscalização efetiva das
decisões judiciais, ampliação da Patrulha Maria da Penha, funcionamento
adequado das Delegacias da Mulher e uso de monitoramento eletrônico de
agressores para reduzir o risco de reincidência e descumprimento das ordens
judiciais. O próprio material do Fórum destaca a fiscalização das medidas
protetivas e o monitoramento eletrônico como pontos centrais do debate.
Na prática, os números indicam que o desafio já não é apenas conceder proteção judicial, mas garantir que ela seja cumprida com rapidez, vigilância e estrutura estatal suficiente para impedir que a ameaça se transforme em morte.
MULHER FOI ESPANCADA ATÉ A MORTE EM SUMARÉ NO 1º FEMINICÍDIO
DO ANO
Em 22 de janeiro deste ano, uma mulher de 25 anos morreu
após ser espancada dentro da própria residência, no Jardim Nova Esperança I, em
Sumaré. O caso ocorreu no imóvel onde ela vivia com o companheiro, acusado do
crime e preso. Esse foi o primeiro feminicídio de 2026 na cidade.
O autor do ataque é o marido da vítima, de 29 anos. Após o
crime, ele fugiu do local, mas acabou localizado e preso horas depois no
município de Hortolândia.
Yasmim Evely da Silva, de 25 anos, era natural de Porto de Galinhas
A Polícia Militar informou que as equipes foram acionadas
por volta das 6h14 para atender uma ocorrência inicialmente registrada como
violência doméstica. No entanto, ao chegarem ao endereço, os policiais
constataram que a vítima já estava sem vida, caracterizando feminicídio.
A mulher foi identificada como Yasmim Evely da Silva, natural de Porto de Galinhas, distrito de Ipojuca, no estado de Pernambuco. A morte causou comoção entre moradores da região, que acompanharam a movimentação policial no local. O caso foi formalmente registrado no 4º Distrito Policial de Sumaré e também na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
MEDIDAS PROTETIVAS POR CIDADE EM 2026
Sumaré: 62 para 68 (+9,7%)
Hortolândia: 84 para 94 (+11,9%)
Nova Odessa: 21 para 12 (-42,9%)
Paulínia: 43 para 30 (-30,2%)
Americana: 68 para 78 (+14,7%)
Monte Mor: 30 para 26 (-13,3%)
Total regional: 308 casos

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