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Acidente ocorreu em 12 de outubro, na alça de acesso da Rodovia Dom Pedro I, em Campinas

Ministério Público investiga vazamento de 45 mil litros de diesel no Rio Atibaia

Inquérito civil apura os danos ambientais e falhas no transporte de carga perigosa; Promotoria Pública apontou teste positivo para álcool no motorista e solicitou explicações da Polícia Civil sobre dispensa de perícia depois de acidente

O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar o derramamento de aproximadamente 45 mil litros de óleo diesel que atingiu o Córrego Anhumas e o Rio Atibaia, após o tombamento de uma carreta em Campinas. A investigação busca identificar os responsáveis pelo acidente, avaliar os danos ambientais e apurar os impactos no abastecimento de água de Sumaré, Paulínia, Nova Odessa e Americana. O documento também revela irregularidades identificadas pela Polícia Militar Rodoviária e questiona a decisão da Polícia Civil de dispensar a perícia no local.

A portaria foi assinada pela promotora Flavia Travaglini Zulian, do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), e tem como investigadas as empresas Ferrazzo Transportes Ltda. e Ferrazzo Transportes Ltda. ME. O procedimento prevê a apuração dos prejuízos ambientais, individuais e morais coletivos, além da adoção de medidas para garantir a reparação dos danos.

O acidente ocorreu em 12 de outubro, por volta das 15h04, na alça de acesso da Rodovia Dom Pedro I (SP-065), no km 134,5, para a Rodovia SP-340. Segundo o Ministério Público, o tombamento do conjunto veicular provocou o vazamento de diesel sobre a pista, o solo e o sistema de drenagem. O combustível escoou para o Córrego Anhumas e alcançou o Rio Atibaia, provocando a dispersão de resíduos pela bacia hidrográfica.

Um dos pontos mais graves apresentados no documento envolve as condições do transporte. Conforme o boletim da Polícia Militar Rodoviária citado pelo Gaema, o motorista apresentou resultado positivo no teste do etilômetro para consumo de álcool. A fiscalização também identificou o cronotacógrafo com verificação metrológica vencida e painéis de segurança incompatíveis com a substância perigosa transportada.

As irregularidades resultaram na lavratura de autos de infração e na autuação da transportadora e da empresa expedidora por descumprimento das normas de transporte de produtos perigosos.

Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público foi a atuação da Polícia Civil. A portaria registra que uma equipe da Polícia Técnico-Científica compareceu ao local, que havia sido preservado pela Polícia Militar Rodoviária. Apesar disso, segundo o documento, o delegado plantonista do 4º Distrito Policial de Campinas dispensou a realização da perícia e a apresentação física da ocorrência, sem determinar a abertura imediata de inquérito policial.

Diante da situação, a promotora determinou o envio de ofícios ao delegado titular do 4º Distrito Policial e ao delegado seccional de Campinas, solicitando esclarecimentos sobre os motivos que levaram à dispensa da perícia e da investigação policial naquele momento.

ABASTECIMENTO

O vazamento também provocou consequências para o abastecimento público. Em Sumaré, a BRK Ambiental precisou interromper emergencialmente a captação de água do Rio Atibaia após a identificação de odor característico de combustível.

O Ministério Público determinou que a concessionária apresente, no prazo de dez dias após a notificação, informações sobre o período exato de paralisação, o número de moradores afetados por bairro e os resultados das análises laboratoriais da água bruta e tratada. A empresa também deverá esclarecer se houve cobrança de tarifas durante o período de desabastecimento.

Em Paulínia, o procedimento aponta o deslocamento de resíduos oleosos até a região conhecida como Mini Pantanal. Já em Nova Odessa e Americana, a preocupação envolve a proximidade dos resíduos com a captação Santo Ângelo e a Represa do Salto Grande.

As agências da Cetesb em Paulínia e Americana deverão encaminhar relatórios de fiscalização e análises físico-químicas das águas dessas regiões. O objetivo é dimensionar a extensão da contaminação e verificar possíveis consequências para os ecossistemas e os sistemas de abastecimento.

RESPONSABILIZAÇÃO

As empresas investigadas terão dez dias, a partir da notificação, para apresentar licenças ambientais, documentos da carga, informações sobre a contratação do transporte, apólices de seguro e comprovantes das medidas adotadas para conter e remover os resíduos.

Também foram solicitadas informações sobre a qualificação do motorista e a comprovação de sua formação específica para o transporte de produtos perigosos.

O inquérito pretende identificar todos os envolvidos na operação, incluindo a empresa responsável pela expedição da carga, o contratante do frete, a transportadora e eventuais prestadores de serviços emergenciais.

Além da apuração de possíveis crimes ambientais e infrações de trânsito, o Gaema pretende avaliar a necessidade de reparação, compensação e indenização pelos prejuízos provocados. O Ministério Público também acompanhará as providências adotadas pela Cetesb, pela Prefeitura de Campinas e pela concessionária Rota das Bandeiras.

Cópias da portaria serão encaminhadas às Promotorias de Justiça de Sumaré, Americana e Paulínia, além do Gaema PCJ-Piracicaba. A investigação ainda está em fase inicial e busca esclarecer as responsabilidades pelo acidente e a extensão dos danos provocados pelo derramamento de combustível.

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