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MPT afirma que Sumaré está entre as cidades com maior índice de trabalho infantil na região

MPT solicita para cidades aderirem a projeto que combate trabalho infantil

Medida tem por objetivo levar temática do trabalho infantil para as escolas, fazendo de profissionais da educação multiplicadores do conhecimento sobre o tema, e, ao final, premiar produções artísticas dos estudantes neste ano

O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou a edição de 2026 do projeto MPT na Escola e convocou municípios da região a aderirem a iniciativa, que busca levar para as salas de aula o debate sobre o combate ao trabalho infantil e a proteção ao trabalhador adolescente. 

Na região, o movimento atinge diretamente cidades que integram a área de atuação da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região e coloca o tema no centro das políticas educacionais municipais. Sumaré figura entre as cidades com mais casos de trabalho infantil, segundo o MPT.

A proposta é fazer das escolas um espaço de conscientização e prevenção, transformando profissionais da educação em multiplicadores de conhecimento sobre os direitos de crianças e adolescentes. Ao final do processo, os estudantes poderão participar com produções culturais voltadas ao combate ao trabalho infantil e ao incentivo à aprendizagem profissional.

A mobilização está sendo coordenada pela Coordinfância na 15ª Região. Para consolidar a participação das secretarias municipais de Educação, a procuradora e coordenadora regional Ana Raquel Machado Bueno de Moraes expediu notificações recomendatórias a municípios que apresentam índices mais significativos de casos de trabalho infantil, conforme dados da Plataforma SmartLab. Entre os municípios listados está Sumaré.

Além dessas notificações, o MPT informou ter enviado mais de 70 ofícios a diversos municípios inseridos na área de atribuição da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, com o objetivo de ampliar a participação na edição deste ano.

Segundo a procuradora Ana Raquel, a participação no projeto traz reflexos diretos para a rede de proteção social dos municípios. Ela afirma que a adesão ajuda a reforçar o dever constitucional de prioridade absoluta à infância e adolescência. 

“A escola é o espaço privilegiado para identificar e romper o ciclo da exploração infantil, e ao aderirem ao projeto, as prefeituras não apenas atendem a uma recomendação legal, mas fortalecem suas redes de proteção social e qualificam o debate pedagógico, garantindo que nossas crianças e adolescentes tenham a chance de um desenvolvimento pleno e protegido”, afirmou.

Na prática, o projeto é dividido em dois grupos. O primeiro reúne alunos do 4º e 5º anos do ensino fundamental, com foco obrigatório no tema do trabalho infantil, podendo ainda abordar a reciclagem. O segundo é voltado aos estudantes do 8º e 9º anos, com ênfase na profissionalização do adolescente e na aprendizagem profissional. Os trabalhos poderão ser inscritos em quatro categorias: desenho, conto, poesia e música, sempre com produções originais e inéditas.

O cronograma já foi definido. A audiência coletiva inaugural de apresentação do projeto aos secretários municipais de Educação será realizada em ambiente virtual, pela plataforma Microsoft Teams. Depois disso, os municípios interessados terão até 24 de março para enviar a ficha de adesão preenchida. A capacitação técnica dos coordenadores locais ocorrerá no dia 25 de março, às 13h30.

O resultado da etapa estadual está previsto para 28 de agosto de 2026. Os vencedores de cada categoria avançarão para a fase nacional, com resultado final previsto para 12 de outubro.

Para a região, o projeto representa uma tentativa de integrar escola, poder público e sociedade em torno de uma pauta sensível e recorrente. Ao convocar as prefeituras a aderirem ao MPT na Escola, a Promotoria reforça o pedido para que os municípios tratem o enfrentamento ao trabalho infantil como política pública de educação e proteção.

 


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