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Isabela Fermino, de 7 anos, morava em Hortolândia, e foi atingida por eucalipto

MP aponta negligência da gestão do Pq. Taquaral após morte de menina

Promotoria de Justiça endossou ‘necessidade de condenação do município de Campinas’ por falha na administração do parque; caso envolve tragédia com Isabela Fermino, 7 anos, que morava em Hortolândia, e foi atingida por eucalipto

Após a morte de uma criança, o Ministério Público pediu a condenação da Prefeitura de Campinas por falhas na gestão do Parque Taquaral. Em manifestação registrada nesta terça-feira (17), a Promotoria afirmou que há evidências de negligência e omissão do poder público no caso. A ação civil pública foi proposta após a morte de Isabela Tiburcio Fermino, de 7 anos, moradora de Hortolândia, atingida pela queda de um eucalipto dentro do parque, em janeiro de 2023. O processo teve início em outubro daquele ano.

Com base em parecer técnico do Centro de Apoio à Execução (CAEx), a promotora Luciana Ribeiro Guimarães Viegas de Carvalho reiterou à Justiça o pedido para que o município seja condenado e obrigado a adotar uma série de medidas estruturais na área, que recebe visitantes de Campinas e cidades da região. Entre elas estão a criação de um plano diretor para o parque, regulamentação de eventos, inventário arbóreo com monitoramento contínuo, além de plantio compensatório e pagamento de indenizações por danos ambientais e morais coletivos.

Segundo o documento técnico, há um conjunto de evidências de que a gestão municipal falhou ao não agir diante de riscos já identificados. A árvore que caiu apresentava raízes necrosadas, estrutura comprometida e sinais avançados de deterioração — características que indicavam um estado de senilidade detectável previamente. 

Parecer técnico do CAEx aponta sinais prévios de deterioração do eucalipto que caiu e matou criança

O parecer também aponta que o poder público tinha conhecimento do problema há anos. Desde 2012, havia indícios de declínio dos eucaliptos da área, reforçados por alertas técnicos emitidos em 2015, que recomendavam manejo adequado e monitoramento contínuo — medidas que, segundo o MP, não foram efetivamente implementadas.

Outro ponto destacado é que, dias antes da tragédia, uma árvore da mesma espécie já havia caído no local, sem que ações preventivas fossem tomadas para evitar novos acidentes.

Para o Ministério Público, a sucessão de omissões, aliada ao conhecimento prévio dos riscos, reforça a responsabilidade do município e a necessidade de reestruturação da gestão do parque para garantir segurança aos frequentadores.

A morte de Isabela completou três anos em janeiro de 2026. Há um processo criminal sobre o caso, além da ação civil pública. O MP pede R$ 2 milhões em indenização contra a Prefeitura de Campinas. A família da menina mantém homenagens no local da tragédia. A criança morreu enquanto participava de uma comemoração de aniversário nas dependências do parque.

OUTRO LADO

Procurada pelo Tribuna Liberal após a nova manifestação do Ministério Público, a Prefeitura de Campinas informou que desde 2013 mantém uma equipe com 40 colaboradores na Lagoa do Taquaral, ao custo de R$ 400 mil por mês, para fazer exclusivamente a manutenção do local, incluindo o manejo das árvores.

“No período citado pelo Ministério Público foram removidos 99 eucaliptos, a partir de um laudo técnico de uma assessoria externa que apontava a necessidade de remoção. A secretaria segue o plano diretor sobre o assunto elaborado em 2023. No local foi feito o plantio de novas árvores nativas. Análises técnicas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Instituto Biológico (IB), órgãos ligados ao governo do Estado de São Paulo, apresentaram relatórios concluindo que a queda da árvore foi por causa do encharcamento do solo, o que comprova que árvores saudáveis também estão sujeitas a quedas”, disse

A Prefeitura de Campinas disse seguir à disposição do Ministério Público e da Justiça para eventuais explicações.


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