Geral
Juiz manteve prisão preventiva de réu por gravidade e risco de fuga, segundo a sentença

Assassinato e tentativa de homicídio levam réu a júri popular em Sumaré

1ª Vara Criminal decide pelo julgamento de acusado pela morte e tentativa de morte em uma loja de conveniência da cidade; homem admitiu efetuar tiros, mas sustenta ter agido em legítima defesa por suposta ameaça com faca no local

O Tribunal do Júri de Sumaré vai julgar um homem acusado de matar um jovem a tiros e, no mesmo episódio, ferir gravemente outro rapaz em uma loja de conveniência em um posto de combustíveis da cidade. A decisão de levar o acusado a júri popular é da 1ª Vara Criminal de Sumaré.

Na decisão, o réu é acusado pelo homicídio qualificado de Gabriel Souza de Lima e por uma tentativa de homicídio, com as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O juiz Marcelo Forli Fortuna determinou a manutenção da prisão preventiva do réu, citando a gravidade do crime e o risco de evasão.

A materialidade do homicídio consumado foi apontada com base no laudo necroscópico, que atribui a morte de Gabriel Souza de Lima a ferimentos perfurocontundentes. Já no caso da vítima sobrevivente, o juiz citou relatório médico e laudo indireto que descrevem lesões graves, incluindo perfuração de pulmão e esôfago.

Nos depoimentos reunidos durante a instrução, consta que o ataque ocorreu em ambiente movimentado, com testemunhas relatando a presença de diversas pessoas no posto. A investigação também aponta que um carro na via teria sido atingido, evidenciando risco ampliado e a gravidade do episódio.

Em interrogatório, o acusado admitiu ter efetuado os tiros, mas afirmou que agiu em legítima defesa. Ele narrou que havia acabado de chegar ao posto após sair de uma balada e que a vítima fatal estaria alterada, ameaçando pessoas e dizendo frases desconexas. Segundo sua versão, teria visto o homem “guardar” uma faca e se aproximar com a mão no bolso, o que teria motivado a reação.

O réu também declarou que não possuía porte, que carregava a arma ocasionalmente e que, após os disparos, deixou o local em uma motocicleta. Ele reconheceu ainda que ficou foragido por cerca de três meses, período em que esteve na Baixada Santista.

CONTESTAÇÃO E SEQUELAS

A vítima que sobreviveu disse em juízo que não se recorda de todos os detalhes, mas afirmou que não fazia sentido a narrativa de ameaça com faca. Ele relatou que o conflito não seria com ele e que apenas ouviu os disparos, sendo atingido na sequência.

O depoimento também detalhou o impacto da lesão: internação prolongada, passagem por UTI, procedimentos e dificuldades severas de alimentação após o ferimento no esôfago. Ele negou portar arma branca no dia e disse não conhecer o autor dos tiros.

Policial civil ouvido no processo relatou que, inicialmente, a autoria era desconhecida, mas que, após coleta de informações e imagens, surgiram dados apontando para o acusado, inclusive pela coincidência com uma moto vermelha que aparecia nos registros. Segundo esse depoimento, o réu já tinha passagem anterior por porte de arma e foi localizado e preso posteriormente na cidade de Santos, sendo então trazido de volta à região.

A investigação ainda mencionou relatos de discussão de caráter “trivial”, possivelmente relacionada a temas religiosos, o que aparece na decisão judicial como base para a manutenção de uma das qualificadoras.

O magistrado destacou que, nesta fase, a decisão não é de condenação, mas de admissibilidade da acusação. Para afastar o julgamento popular com absolvição sumária, seria necessário que a legítima defesa estivesse comprovada de forma inequívoca, sem margem de dúvida, o que não ocorreu.

Segundo a decisão, há conflito de versões entre o relato do acusado e os depoimentos colhidos, especialmente o da vítima sobrevivente e o de um policial civil. Por isso, o juiz concluiu que cabe ao Conselho de Sentença decidir, em plenário, se houve legítima defesa, erro de execução ou dolo na tentativa contra a segunda vítima.

Ao manter a prisão preventiva do réu, o juiz citou a “gravidade concreta” do caso e o modo de execução — disparos em local público, com duas vítimas — e também destacou o risco de fuga, já que o próprio réu afirmou ter permanecido foragido por meses após o crime.

O caso será encaminhado ao Tribunal do Júri de Sumaré para que a acusação e a defesa apresentem suas teses aos jurados.


Deixe um comentário