Pais protestam em frente a escola de Sumaré após transferência de alunos
Mães de estudantes cobram explicações de critérios de remanejamento depois de filhos terem sido direcionados a unidades escolares com mais de 2 km das casas, sendo que a Escola Estadual Marinalva fica no bairro das crianças
Pais e responsáveis por alunos realizaram um protesto nas
últimas horas em frente a Escola Estadual Marinalva Gimenes Colossal da Cunha,
do Parque Jatobá, em Sumaré, contra a transferência de estudantes para unidades
mais distantes de suas residências. A mobilização foi motivada por mudanças
ocorridas após a transformação da unidade em escola cívico-militar, pelo
governo do Estado.
Segundo os manifestantes, alunos que moram nas proximidades
da unidade e que anteriormente estudavam na rede municipal acabaram sendo
direcionados para a Escola Estadual Elysabeth de Mello Rodrigues, localizada no
Parque Euclides Miranda, a uma distância maior, o que tem gerado preocupação
entre as famílias.
O principal impacto relatado é o aumento do tempo de
deslocamento, além de dificuldades logísticas e riscos no trajeto diário,
especialmente para crianças que ingressariam no 6º ano do Ensino Fundamental.
“Eu sou mãe de aluno. O meu filho foi transferido para a
Elisabeth e eu moro perto da escola do Marinalva. Eu e várias mães estamos
indignadas devido a esse ocorrido. A gente precisa de uma vaga aqui na
Marinalva. O protesto e a manifestação são devido a isso. Sobre a vaga dos
nossos filhos que têm direito a uma vaga perto da escola, isso não está sendo
atendido para os nossos moradores aqui do bairro. Mandaram os filhos para
longe”, afirmou Priscila Sabino.
“Sou mãe de uma criança autista, ele estudava numa escola
aqui próxima de casa. E nós temos uma escola no nosso bairro, a Marinalva, e as
crianças eram todas transferidas a essa escola, do Antonieta onde ele estudava,
as crianças próximas eram todas encaminhadas para a Marinalva. Só que dessa
vez, encaminharam as crianças para escolas muito longe, que passam de 2 km da
nossa residência, sendo que a gente tem uma escola próxima à nossa casa”,
afirmou Aline Alves.
A situação levou o vereador Professor Edinho (Republicanos),
a encaminhar um ofício à Diretoria Regional de Ensino solicitando
esclarecimentos formais sobre os critérios adotados na distribuição e
transferência dos alunos. No documento, o parlamentar relata que diversos pais
procuraram seu gabinete em busca de explicações e manifestando insatisfação com
a mudança repentina.
No ofício, o vereador questiona se houve respeito ao
princípio da priorização territorial, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que orienta que o estudante seja matriculado,
preferencialmente, em escola próxima de sua residência. Ele também pediu
informações sobre a possibilidade de revisão das transferências já realizadas,
de modo a reduzir os prejuízos às famílias afetadas.
Outro ponto levantado diz respeito ao preenchimento das
vagas da escola cívico-militar. De acordo com relatos recebidos pelo gabinete
do vereador, a maioria das vagas teria sido ocupada por estudantes residentes
no bairro Vila Soma, enquanto alunos do Parque Virgílio Viel teriam sido
deslocados para uma unidade mais distante, o que aumentou a insatisfação.
Durante o protesto, pais pediram diálogo com as autoridades
educacionais do Estado e reforçaram que não são contrários ao modelo
cívico-militar, mas defendem a transparência e respeito à realidade das
famílias.
DECISÃO DO ESTADO
Questionada pelo Tribuna Liberal, a Secretaria Estadual de
Educação informou nesta sexta-feira (16), por meio da Unidade Regional de
Ensino de Sumaré, que uma nova turma será aberta para absorver a demanda local
na escola.
“A partir deste ano,
a escola fará parte do programa Cívico-Militar, que também seguirá o Currículo
Paulista, definido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
(Seduc-SP). Todo estudante que necessitar, tem vaga garantida na rede pública
de ensino, sendo sempre direcionado à escola mais próxima de sua residência que
possua vaga disponível para o ano/série pretendido. Cabe ressaltar que nos
casos em que o aluno frequente unidade escolar com mais de 2 km da residência,
é disponibilizado transporte escolar, conforme a Resolução SE nº 27. A URE de
Sumaré e a equipe de gestão da escola estão à disposição da comunidade escolar
para mais esclarecimentos”, disse.

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