Saúde
Município não possui hospital próprio para alta complexidade; milhares de pacientes esperam consultas

Mais de 18,2 mil pacientes sofrem na fila por consultas especializadas em Sumaré

Levantamento da Secretaria de Saúde aponta demanda reprimida em 18 especialidades na cidade; área da oftalmologia registra a maior fila, com mais de 6,3 mil pacientes; neurologia e cardiologia também apresentaram números elevados

Documento oficial da Secretaria de Saúde de Sumaré, do segundo semestre de 2025, revela que 18.286 pacientes aguardavam atendimento em consultas especializadas na rede municipal de saúde. A planilha detalha a chamada demanda reprimida em 18 especialidades médicas, com filas que se estendem por anos em alguns casos.

Entre as especialidades com maior número de pacientes em espera, a oftalmologia lidera com 6.300 pessoas na fila, seguida por neurologia, com 1.960, cardiologia, com 1.500, dermatologia, com 1.400, otorrinolaringologia, com 1.250, e cirurgia vascular, com 1.050 pacientes. Juntas, essas seis áreas concentram mais da metade de toda a fila registrada no município.

O levantamento também aponta espera em gastroenterologia (996 pacientes), urologia (780), ortopedia (750), nutrição (520), neurologia infantil (540), endocrinologia (280), pneumologia (320), reumatologia (220), nefrologia (80), além das especialidades pediátricas de endocrinologia infantil (180), pneumologia infantil (120) e cardiologia infantil (40). Os números foram enviados à Câmara Municipal após questionamento do Legislativo sobre as filas da saúde na cidade.

No documento da prefeitura endereçado à Câmara, além das consultas de responsabilidade do município, há um levantamento sobre a demanda reprimida de cirurgias eletivas, apontando 6.789 pacientes à espera de procedimentos de alta complexidade regulados pelo Estado. Os dados mostram filas antigas e concentradas em especialidades cirúrgicas essenciais, com casos que remontam há mais de uma década.

A maior fila é de cirurgias gerais (hérnia/fimose), com 1.389 pacientes. Em seguida aparecem a cirurgia plástica ocular, com 918 pacientes (desde janeiro de 2016), a colecistectomia (retirada da vesícula), com 860 pacientes aguardando desde janeiro de 2023, e a uroginecologia, que soma 817 pessoas na fila, com registros desde outubro de 2018.

As cirurgias oftalmológicas concentram alto volume: catarata (802 pacientes, desde março de 2023 à espera), glaucoma (472, desde janeiro de 2016) e pterígio (339, desde dezembro de 2020). Juntas, essas três especialidades reúnem 1.613 pacientes.

Outras filas incluem cirurgia ginecológica de alta complexidade (563 pacientes, desde maio de 2023), cirurgia plástica reparadora (477, desde junho de 2018) e cirurgia de cabeça e pescoço (152 pacientes, com casos iniciados em 2021).

Em resposta ao Legislativo, a prefeitura explicou que a gestão da fila depende diretamente da Central de Regulação de Vagas e do sistema regional. “A Central de Regulação de Vagas atua como o elo fundamental entre a necessidade de atendimento de alta complexidade dos munícipes e a disponibilidade de vagas na rede de saúde regional”, informou a Secretaria Municipal de Saúde, em ofício assinado pelo secretário Rafael Virginelli.

No documento, a pasta destaca que Sumaré não possui estrutura hospitalar própria para procedimentos de alta complexidade, o que torna o processo dependente do SIRESP (Sistema de Regulação), integrado à Diretoria Regional de Saúde (DRS VII). “Esta dependência é crucial, uma vez que nossa municipalidade não possui estrutura hospitalar própria para realização desses procedimentos especializados. A regulação dessas vagas, portanto, é um processo intermunicipal e interdependente”, diz o texto.

Os números foram enviados ao Tribunal de Contas. A prefeitura não informou se a fila aumentou, se estabilizou ou diminuiu.

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