Com alta em casos, Sumaré cria grupo técnico para combater esporotricose
Município instituiu grupo técnico para coordenar ações de vigilância, prevenção e controle da esporotricose, integrando saúde humana, animal e meio ambiente após a notificação compulsória da doença em todo o país desde o ano passado
A Prefeitura de Sumaré criou um grupo técnico específico
para ampliar as ações de prevenção, vigilância e controle da esporotricose no
município. A medida foi oficializada pelo prefeito Henrique do Paraíso
(Republicanos) por meio de portaria publicada nesta quinta-feira (27).
O Grupo Técnico Municipal de Vigilância, Prevenção e
Controle da Esporotricose terá como foco a articulação das diferentes áreas
envolvidas no enfrentamento da doença, que pode atingir seres humanos e animais
e apresenta relação direta com questões ambientais. Sumaré concentra 50% dos
casos na região de Campinas, conforme mostrou o Tribuna Liberal recentemente.
A iniciativa prevê a integração de setores como Vigilância
Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Vigilância Ambiental, Vigilância de
Zoonoses, Atenção à Saúde, Saúde do Trabalhador, Assistência Farmacêutica e
Laboratório, além de outras áreas que possam atuar no acompanhamento da doença.
A criação do grupo ocorre em um momento de fortalecimento da
Vigilância Epidemiológica da esporotricose no país. A doença humana foi
incluída em 2025 na Lista Nacional de Notificação Compulsória, tornando
obrigatório o registro dos casos pelos serviços públicos e privados de saúde.
Com isso, Sumaré busca organizar uma atuação municipal capaz
de acompanhar casos, identificar situações de risco e estabelecer medidas de
prevenção e controle de maneira integrada.
Um dos princípios previstos na portaria é o conceito de “Uma
Só Saúde”, abordagem que considera de forma conjunta a saúde das pessoas, dos
animais e do meio ambiente. A estratégia ganha importância no caso da
esporotricose justamente pela possibilidade de transmissão relacionada ao
contato com animais infectados.
A doença é causada por fungos do gênero Sporothrix. A
infecção pode acontecer após contato do fungo com a pele ou mucosas, inclusive
por meio de arranhaduras e mordidas de animais doentes. Atualmente, os gatos
estão entre os principais envolvidos na transmissão zoonótica da esporotricose.
Além da transmissão por animais, o fungo também pode estar
presente no chão, em plantas e em matéria orgânica. Acidentes com espinhos,
lascas de madeira e outros materiais contaminados podem provocar a entrada do
agente pela pele.
Com o novo grupo, a administração municipal pretende reunir
diferentes frentes que até então atuam dentro de suas respectivas áreas. A
proposta é permitir maior articulação entre identificação de casos humanos,
situações envolvendo animais, diagnóstico, assistência aos pacientes,
medicamentos e monitoramento epidemiológico.
A medida também busca fortalecer a capacidade do município
para acompanhar possíveis situações que representem risco à saúde pública e
definir respostas de acordo com o cenário identificado.
No início de 2026, o Ministério da Saúde atualizou as
orientações nacionais para vigilância da doença. Os casos confirmados de
esporotricose humana passaram a ter notificação semanal por meio do e-SUS
Sinan, sistema utilizado para registro e acompanhamento de agravos de interesse
da saúde pública.
A inclusão da doença no sistema nacional permite que municípios, estados e União tenham informações mais precisas sobre a circulação da esporotricose e possam direcionar políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
DOENÇA CAUSA FERIDAS
Entre as manifestações mais comuns da esporotricose humana
estão lesões na pele. Segundo o Ministério da Saúde, também podem ocorrer
feridas nas mucosas dos olhos, nariz e boca, com ou sem presença de pus. A
apresentação da doença varia conforme a região do organismo atingida.

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