Americana leva Cadastro Único até os leitos de pacientes internados no HM
Parceria entre Hospital Municipal e Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos possibilita cadastrar ou atualizar dados de pacientes em situação de vulnerabilidade social sem necessidade de deslocamento durante período de internação
Pacientes internados no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, que estejam em situação de vulnerabilidade social passaram a contar com atendimento do Cadastro Único dentro da própria unidade hospitalar. A iniciativa permite que o cadastramento ou a atualização das informações sejam feitos diretamente no leito.
O trabalho é realizado em conjunto pelo Serviço Social do HM
e pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. A
proposta é alcançar pacientes que, por causa do estado de saúde ou das
condições sociais, teriam dificuldade para procurar presencialmente um ponto de
atendimento.
A necessidade é identificada durante as visitas realizadas
pelos assistentes sociais aos pacientes internados. Quando a equipe constata
uma situação de extrema vulnerabilidade e verifica que o paciente precisa
ingressar no Cadastro Único ou atualizar as informações, o serviço municipal é
acionado.
Uma equipe responsável pelo cadastro se desloca até o
Hospital Municipal e realiza o procedimento ainda durante a internação.
Segundo a assistente social Lucineide Silva, que também atua
no setor de Cadastro Único, a medida atende especialmente pessoas que encontram
maiores barreiras para acessar os serviços públicos.
“O Cadastro Único é uma porta de acesso a diferentes
programas e benefícios sociais, tanto do município quanto do Governo Federal.
Quando identificamos uma pessoa em situação de extrema vulnerabilidade que está
internada e precisa fazer o cadastro ou atualizar seus dados, nossa equipe pode
ir até o hospital para realizar esse atendimento”, explicou.
Ela destacou que pessoas em situação de rua estão entre
aquelas que podem ser beneficiadas pela iniciativa.
“Muitas vezes, são pessoas em situação de rua ou que teriam
dificuldade para se deslocar até o serviço. Fazer o cadastro no próprio
hospital facilita esse processo e permite que o paciente tenha esse
encaminhamento enquanto ainda está internado”, completou.
O Cadastro Único reúne informações socioeconômicas de
famílias de baixa renda e é utilizado pelo poder público para identificar
possíveis beneficiários de diferentes políticas sociais.
Entre os programas que utilizam os dados estão o Bolsa
Família e o Benefício de Prestação Continuada, o BPC, destinado a idosos e
pessoas com deficiência que cumpram os requisitos estabelecidos pela
legislação.
A inclusão no Cadastro Único, porém, não garante
automaticamente o recebimento de um benefício. Cada programa possui critérios
próprios e analisa posteriormente as informações apresentadas pelo usuário.
A coordenadora do Serviço Social do HM, Cristiana Freitas,
explicou que o acompanhamento realizado no hospital também busca identificar
dificuldades que podem afetar a vida do paciente depois da alta.
“O Serviço Social atua na perspectiva do cuidado integral,
buscando compreender o paciente para além de sua condição clínica. Durante as
visitas aos leitos, nossa equipe procura identificar situações de
vulnerabilidade social, ausência de acesso a direitos, fragilização de vínculos
e outras demandas que possam impactar diretamente a continuidade do cuidado
após a alta hospitalar”, afirmou.
Segundo Cristiana, o atendimento dentro do hospital também
fortalece a ligação entre as áreas de Saúde e Assistência Social.
“Levar o atendimento até o leito significa garantir acesso,
fortalecer a rede de proteção social e, principalmente, reconhecer que o
direito à saúde está diretamente relacionado às condições sociais em que a
pessoa vive”, disse.
A secretária municipal de Assistência Social e Direitos
Humanos, Juliani Hellen Munhoz Fernandes, afirmou que a medida evita que a
dificuldade de locomoção impeça pacientes de terem acesso aos serviços
disponíveis.
“A partir da identificação, pelo Hospital Municipal, de
pacientes internados em situação de vulnerabilidade, a equipe do Cadastro Único
é acionada para realizar o atendimento no próprio hospital, evitando que a
condição de saúde ou a impossibilidade de deslocamento seja uma barreira para o
acesso aos seus direitos”, afirmou.
Para o diretor-geral do Hospital Municipal, Ruy Santos, a
integração permite que o atendimento considere também a realidade social do
paciente e de sua família.
“Em situações de vulnerabilidade, o acesso a um benefício ou
a um serviço social pode fazer diferença na vida do paciente e de sua família.
Essa parceria permite que o Hospital Municipal reconheça essas necessidades
durante a internação e articule o atendimento com a rede de assistência”,
destacou.

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