Política
Projeto está em tramitação na Câmara Municipal de Hortolândia e depende da aprovação dos vereadores

Zezé prevê impacto de R$ 1,67 milhão para reduzir jornada de psicólogos em Hortolândia

Projeto do prefeito estabelece redução da carga horária de 40 para 30 horas semanais, sem cortes salariais; estimativa financeira considera a contratação de seis profissionais e despesas até 2028

O prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes (Republicanos), apresentou à Câmara Municipal um projeto de lei complementar que prevê a redução da jornada de trabalho dos psicólogos da rede municipal de 40 para 30 horas semanais, sem diminuição dos salários. 

A proposta, que já tramita no Legislativo, apresenta impacto financeiro estimado em R$ 1,67 milhão até 2028, considerando a necessidade de contratação de seis novos profissionais para atender à demanda dos serviços públicos.

De acordo com o estudo de impacto orçamentário encaminhado pela administração municipal, a adequação da jornada terá custo estimado de R$ 288.041,91 em 2026. Para 2027, primeiro ano de aplicação da nova carga horária, a previsão é de R$ 691.300,58. O mesmo valor está projetado para 2028, totalizando R$ 1.670.643,07 nos três exercícios financeiros.

O levantamento também demonstra o impacto dessas despesas sobre o orçamento municipal. Em 2026, o impacto representa 0,015% da receita prevista de R$ 1,97 bilhão. Para 2027, o percentual estimado sobe para 0,037%, considerando uma receita de R$ 1,87 bilhão. Já em 2028, a despesa corresponderá a 0,035% da previsão orçamentária de R$ 1,95 bilhão.

A estimativa financeira considera a admissão de seis psicólogos para suprir a carga horária que deixará de ser cumprida pelos atuais servidores com a redução da jornada. Segundo a justificativa encaminhada pelo Executivo, a medida exige planejamento para dimensionar a força de trabalho e garantir a continuidade dos atendimentos à população.

O Projeto de Lei Complementar nº 3/2026 altera a Lei Complementar nº 12, de 30 de abril de 2010, que estabelece regras para os servidores municipais. Pelo texto, a jornada máxima admitida para o cargo de psicólogo, incluindo a especialidade de sanitarista, passará a ser de 30 horas semanais.

A proposta estabelece que a mudança entrará em vigor para os servidores a partir de 1º de janeiro de 2027. Até 31 de dezembro de 2026, permanecem a jornada de 40 horas semanais e as condições atuais de trabalho.

Outro ponto previsto no projeto é a preservação integral dos vencimentos. A redução da jornada não poderá provocar diminuição salarial, mudança de classe, padrão ou referência remuneratória. Dessa forma, os profissionais continuarão recebendo a remuneração correspondente à carga horária de 40 horas anteriormente praticada.

PREFEITURA DEFENDE VALORIZAÇÃO

Na mensagem enviada à Câmara, o prefeito Zezé Gomes argumenta que a proposta integra a política de valorização dos servidores públicos e considera as particularidades da atuação dos psicólogos, que lidam diretamente com situações de vulnerabilidade e sofrimento psíquico.

A administração também sustenta que a redução da carga horária pode contribuir para a permanência de profissionais qualificados no serviço público municipal. Segundo a justificativa, jornadas mais atrativas oferecidas por outros órgãos podem estimular a saída de servidores, comprometendo a continuidade dos atendimentos e o vínculo estabelecido com a população.

O Executivo cita ainda discussões em andamento no Congresso Nacional sobre a fixação de uma jornada de até 30 horas semanais para profissionais da Psicologia. A Prefeitura argumenta, porém, que a adoção da medida no município não depende da aprovação de uma legislação federal específica.

Quanto aos custos, o governo municipal afirma que a estimativa apresentada atende às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal e que existem dotações orçamentárias suficientes para absorver as despesas previstas.

 

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