Três vereadores votam contra R$ 150 milhões para mais obras em Monte Mor
Apesar da resistência da oposição feita por Bruno Leite, Wal da Farmácia e João do Bar, Câmara aprova projeto do prefeito Murilo que autoriza empréstimo para pavimentação, drenagem contra enchentes, mobilidade urbana e iluminação pública
Vereadores da oposição, Bruno Leite (União), Wal da Farmácia
(PSB) e João do Bar (PSB), votaram contra o projeto do prefeito Murilo Rinaldo
(PP) que autoriza a Prefeitura de Monte Mor a contratar um empréstimo de até R$
150 milhões para investimentos em infraestrutura urbana.
A proposta, que contempla obras de pavimentação, drenagem
para reduzir enchentes, melhorias na mobilidade, eficiência energética e
iluminação pública, foi aprovada pela maioria da Câmara Municipal nesta semana,
apesar dos votos contrários que tentaram barrar futuras obras e melhorias.
A postura da oposição foi vista como resistência a uma
iniciativa apresentada pelo governo para enfrentar problemas antigos e permitir
novos avanços na cidade.
O Projeto de Lei 75/2026 autoriza o Executivo a negociar a
operação de crédito com o Banco do Brasil. A intenção é ampliar a capacidade de
investimento do município em obras e serviços que exigem recursos elevados e
que, segundo a proposta, poderão beneficiar diferentes regiões de Monte Mor.
Entre as prioridades está a drenagem urbana, considerada uma
das necessidades mais urgentes do município. As enchentes representam um
problema crônico em Monte Mor, com episódios de alagamento que prejudicam
famílias, estabelecimentos comerciais, ruas e acessos a bairros. Durante os
períodos de chuvas intensas, moradores convivem com transtornos que se repetem
há anos, havendo necessidade de intervenções estruturais.
Nesse cenário, a votação contrária dos três parlamentares
provocou um contraste político. Enquanto a administração municipal defende a
obtenção de recursos para executar obras capazes de reduzir problemas
históricos, a oposição rejeitou a autorização para o financiamento.
Além do combate às enchentes, a proposta contempla melhorias
na pavimentação das vias públicas e na mobilidade urbana. Os investimentos
poderão permitir intervenções em ruas que apresentam problemas de
infraestrutura, melhorar as condições de circulação de veículos e pedestres e
facilitar o deslocamento entre bairros.
Outro ponto previsto é a modernização da iluminação pública,
acompanhada de medidas de eficiência energética. A iniciativa busca
possibilitar a melhoria dos serviços, ampliar a qualidade da iluminação dos
espaços urbanos e tornar o consumo de energia mais eficiente. O projeto também
destacou investimentos em máquinas, equipamentos e prédios públicos.
A justificativa do Executivo está relacionada à necessidade
de ampliar a infraestrutura municipal e criar condições para o desenvolvimento
de Monte Mor. A realização de obras de drenagem, pavimentação e mobilidade pode
contribuir para a valorização dos bairros, a melhoria da qualidade de vida e a
criação de condições mais favoráveis à atividade econômica.
OPOSIÇÃO E DESENVOLVIMENTO
A aprovação do projeto também expôs diferenças entre os
vereadores sobre a contratação de uma dívida de longo prazo para financiar
obras públicas. De um lado, a proposta do governo busca viabilizar intervenções
estruturais. De outro, os três votos contrários demonstraram resistência ao
modelo de financiamento apresentado.
Embora a oposição tenha o direito de questionar as condições
financeiras da operação, a posição contrária à proposta também reacende o
debate sobre os caminhos para enfrentar a falta de infraestrutura e os
alagamentos que atingem a cidade. Sem investimentos em drenagem, por exemplo,
áreas vulneráveis podem continuar enfrentando os mesmos transtornos durante os
períodos de chuva.
A autorização concedida pela Câmara não significa que os R$ 150 milhões já estejam disponíveis nos cofres municipais. A contratação dependerá das etapas legais e financeiras necessárias, incluindo a definição das condições da operação com a instituição bancária. Com a aprovação, a gestão Murilo Rinaldo destaca que poderá avançar nas tratativas para obter os recursos.
BASE SAI EM DEFESA DO DESENVOLVIMENTO DA CIDADE
Em defesa da proposta, o líder do governo na Câmara, Professor Adriel (PDT), afirmou que a autorização representa um passo importante para superar problemas estruturais acumulados ao longo de décadas em Monte Mor. O vereador lembrou que já defendia a contratação de financiamento na administração anterior, diante das dificuldades enfrentadas pelo município para executar obras de maior porte. Segundo ele, existem bairros com pavimentação antiga, em alguns casos com até 40 anos, que necessitam de intervenções mais profundas.
“A operação tapa-buracos já não resolve mais”, declarou Adriel, ao defender a necessidade de investimentos para recuperar a infraestrutura viária. O parlamentar também ressaltou que a aprovação não representa uma autorização irrestrita para utilização do dinheiro. Segundo ele, a contratação dependerá da análise dos órgãos competentes, incluindo o Ministério da Fazenda, e do cumprimento das exigências legais.
Outro vereador que defendeu o projeto foi Edson Silva (PL). Ele afirmou ter conversado com o prefeito Murilo Rinaldo sobre a proposta e relatou que a aplicação dos recursos será acompanhada pela Câmara Municipal. “Não quer dizer que o empréstimo de R$ 150 milhões será executado. Tem que ver aquilo que o banco libera”, explicou Edson, ao destacar a expectativa de melhorias em diferentes regiões da cidade.
A vereadora Camilla Hellen (Republicanos) também participou da discussão e lembrou que a contratação de financiamento já havia sido amplamente debatida na gestão anterior. Segundo ela, os parlamentares reeleitos conhecem o assunto e possuem posicionamentos formados sobre a necessidade de investimentos. “A população tem anseio para que as obras, para que as coisas aconteçam”, afirmou Camilla, destacando que muitas intervenções necessárias não estão contempladas no orçamento municipal.
Roger Santos também defendeu a importância de investimentos
em infraestrutura. O vereador mencionou a situação de moradores que convivem
com ruas de terra, poeira e barro, especialmente em bairros como Colina e São
Sebastião.
Na avaliação do parlamentar, a obtenção de recursos poderá
acelerar melhorias, impulsionar o desenvolvimento urbano e contribuir para a
valorização dos imóveis. Roger afirmou que o financiamento tem potencial para
“alavancar o município”, desde que os investimentos sejam direcionados às
necessidades da população.
João do Bar (PSB), Bruno Leite e Wal da Farmácia (PSB) fizeram críticas à proposta. A votação ocorreu em meio ao debate sobre a necessidade de investimentos para enfrentar problemas históricos do município, principalmente a precariedade da pavimentação e as enchentes que atingem diferentes bairros durante os períodos de chuvas intensas.
Um dos principais críticos foi Bruno Leite, que questionou a tramitação da proposta em regime de urgência e a ausência de informações detalhadas sobre os locais que receberão os investimentos. “Estamos falando de um Projeto que vai vir depois da aprovação. Quais bairros serão contemplados? O que vai ser feito com esse dinheiro?”, questionou Bruno durante a discussão.
João do Bar também manifestou posição contrária ao
financiamento. O parlamentar afirmou que os recursos deveriam atender bairros
como Colina e São Sebastião, que, segundo ele, não foram mencionados no projeto
original encaminhado pelo Executivo.
A vereadora Wal da Farmácia justificou sua posição contrária
com críticas ao processo de discussão do projeto. Ela lembrou que, na
legislatura anterior, uma proposta semelhante de financiamento passou por
audiência pública e pela análise das comissões antes de ser votada. Wal afirmou
que anteriormente era favorável à contratação de empréstimo, mas apontou
diferenças na tramitação da proposta atual.

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