Parecer dá aval ao projeto do prefeito Leitinho que mantém isenção de IPTU para os contribuintes de Nova Odessa
Comissão de Constituição e Justiça entendeu que a proposta é legal e poderá tramitar; matéria preserva benefício para aposentados, pensionistas, pessoas com câncer, famílias de baixa renda e imóveis atingidos por alagamentos e cheias
A Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Câmara de
Nova Odessa emitiu parecer favorável ao Projeto de Lei 70/2026, de autoria do
prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho (PSD), que altera as regras de
concessão de benefícios tributários no município. A proposta mantém a isenção e
a remissão do IPTU, mas retira a extensão automática do benefício às taxas
relacionadas à limpeza, ao manejo e à disposição de resíduos sólidos
urbanos.
O parecer, assinado pelos vereadores Priscila Peterlevitz e
Lico Rodrigues, conclui que não há vícios de constitucionalidade, legalidade ou
técnica legislativa que impeçam o andamento da proposta. Com isso, a comissão
se posicionou favoravelmente à tramitação do projeto.
Na análise, a comissão destaca que a mudança não acaba com
os benefícios sociais já previstos em lei. Continuam contemplados aposentados e
pensionistas, pessoas com neoplasia maligna, moradores em situação de
hipossuficiência econômica e social, imóveis atingidos por alagamentos e outras
situações previstas na legislação municipal.
O ponto central da proposta é separar o IPTU das cobranças
pelos serviços de resíduos sólidos. Na justificativa do projeto, o Executivo
sustenta que os dois tributos têm naturezas diferentes. Enquanto o IPTU é um
imposto geral, as taxas de limpeza e manejo de resíduos estão vinculadas à
prestação de um serviço público específico ao imóvel.
Segundo o parecer, a retirada da isenção sobre essas taxas
busca corrigir um desequilíbrio no custeio do serviço. A avaliação é que, com a
isenção ampla, os valores que deixam de ser arrecadados acabam sendo cobertos
pelo orçamento geral da prefeitura e, na prática, divididos entre toda a
população.
A própria justificativa encaminhada por Leitinho afirma que
o município vem suprindo esse déficit com recursos do Tesouro e que a alteração
procura fazer com que o serviço de coleta e destinação de resíduos tenha
sustentação financeira própria.
O projeto deixa claro que a mudança não atinge diretamente a
isenção do IPTU. O benefício continuará válido para os grupos que já atendem
aos critérios definidos pela Lei Municipal 3.480/2021.
O texto apresentado pelo Executivo mantém, por exemplo, as
regras para imóveis residenciais de aposentados e pensionistas e também para
proprietários ou responsáveis legais de pessoas diagnosticadas com neoplasia
maligna.
Também permanece a possibilidade de isenção ou remissão para
pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social. Nesses casos, a
situação deverá ser reconhecida pela área municipal de Gestão Social e
Cidadania e comprovada dentro do processo administrativo.
Imóveis atingidos por alagamentos continuam contemplados. O projeto prevê apresentação de fotografias ou outros meios de prova, posteriormente avaliados pela Defesa Civil.
MUDANÇA NOS PROCESSOS
Além da questão tributária, o projeto altera procedimentos internos para análise dos pedidos de isenção e remissão. A Secretaria Municipal de Finanças passa a ter responsabilidade sobre a composição da comissão técnica encarregada de elaborar os relatórios necessários para os processos. A intenção, segundo Executivo e parecer da comissão, é dar mais agilidade, uniformidade e segurança às análises.
O texto estabelece ainda que pedidos que não atenderem aos requisitos legais poderão ser indeferidos pela Secretaria Municipal de Finanças.
BASE LEGAL
No parecer, a Comissão de Constituição e Justiça também cita
o Marco Legal do Saneamento Básico para sustentar que os serviços de limpeza
urbana e manejo de resíduos sólidos devem ter sustentabilidade
econômico-financeira.
A comissão entendeu ainda que o município tem competência
para legislar sobre a matéria por envolver tributos locais e organização de
serviços públicos municipais.
Com o parecer favorável, o PL 70/2026 está apto a continuar
sua tramitação na Câmara. A aprovação definitiva ainda depende da votação dos
vereadores.

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