Política
Projeto cria fundo exclusivo para financiar políticas e ações voltadas às mulheres em Hortolândia

Hortolândia poderá criar fundo para financiar políticas para as mulheres

Projeto de Lei 160/2026 institui fundo municipal para captar e aplicar recursos em ações de proteção, combate à violência, autonomia econômica, qualificação profissional, atendimento e garantia de direitos de mulheres que moram na cidade

A Prefeitura de Hortolândia encaminhou à Câmara Municipal o Projeto de Lei 160/2026, que cria o Fundo Municipal dos Direitos da Mulher, o FMDM. A proposta, assinada pelo prefeito Zezé Gomes (Republicanos), prevê a criação de uma estrutura específica para captar, administrar e aplicar recursos destinados a políticas públicas, programas, projetos, serviços e ações voltadas às mulheres no município.

O fundo terá natureza contábil e financeira e ficará vinculado administrativamente à Secretaria Municipal de Governo. Pelo texto, ele será um instrumento permanente de financiamento da Política Municipal dos Direitos da Mulher, mas não terá personalidade jurídica própria, patrimônio autônomo ou estrutura administrativa independente.

Entre os principais objetivos estão financiar ações de prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres, fortalecer a rede de proteção, atendimento e acolhimento, apoiar o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) e fomentar programas de autonomia econômica, geração de renda, empreendedorismo, empregabilidade e qualificação profissional.

O projeto também prevê recursos para campanhas educativas, ações de conscientização, capacitações, pesquisas, estudos e eventos ligados aos direitos das mulheres. Outro objetivo é apoiar iniciativas de igualdade de oportunidades e ampliar a participação feminina em espaços de decisão.

VÁRIAS FONTES

Pela proposta, o novo fundo poderá ser abastecido com dotações previstas anualmente no orçamento municipal, transferências da União, do Estado e de outros entes públicos, além de recursos provenientes de organismos nacionais e internacionais.

Também poderão compor o caixa do FMDM doações, contribuições, auxílios, subvenções, legados, recursos obtidos por convênios, contratos, acordos, termos de cooperação, colaboração e fomento.

O texto inclui ainda rendimentos de aplicações financeiras, valores destinados por decisões judiciais, acordos judiciais ou extrajudiciais, termos de ajustamento de conduta, multas administrativas previstas em lei, restituições e ressarcimentos.

Os recursos deverão ser movimentados em conta bancária específica e terão identificação contábil própria. Caso sobre dinheiro ao final do exercício, o saldo não retornará ao caixa geral da Prefeitura e permanecerá vinculado ao fundo no ano seguinte.

ATENDIMENTO, CURSOS E EQUIPAMENTOS

A proposta detalha onde o dinheiro poderá ser aplicado. Entre as possibilidades estão programas de combate à violência, serviços especializados de acolhimento, orientação, proteção e atendimento, além das ações já realizadas pelo CRAM.

Também poderão ser financiados programas de autonomia econômica, empreendedorismo, geração de renda, qualificação profissional, campanhas educativas, seminários, cursos, capacitações, pesquisas e estudos técnicos.

O fundo ainda poderá custear a compra de equipamentos, tecnologias, materiais de consumo e bens permanentes necessários às políticas públicas voltadas às mulheres. Também serão permitidas parcerias com entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, desde que observadas as regras legais.

O projeto proíbe expressamente o uso dos recursos para finalidades diferentes das previstas na própria lei.

GOVERNO FARÁ GESTÃO

A administração do fundo ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Governo, por meio do Departamento da Mulher. Caberá à pasta elaborar o plano anual de aplicação dos recursos, definir prioridades, autorizar gastos, celebrar convênios e acompanhar a execução financeira e física das ações.

A Secretaria também ficará responsável por buscar novas fontes de recursos, manter registros contábeis e financeiros atualizados e elaborar a prestação anual de contas e os relatórios de gestão.

PAPEL DE FISCALIZAÇÃO

O Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, o CMDM, terá a função de exercer controle social sobre a gestão do fundo. O órgão poderá acompanhar os programas financiados, fiscalizar a aplicação dos recursos, analisar a prestação de contas e apresentar recomendações.

As manifestações do conselho terão caráter consultivo e fiscalizador. A decisão administrativa e financeira sobre a aplicação do dinheiro continuará sendo responsabilidade da Secretaria Municipal de Governo.

GASTOS E RECEITAS

O projeto também estabelece regras de transparência. A Prefeitura deverá publicar informações sobre receitas arrecadadas, transferências, doações, despesas realizadas, projetos financiados, parcerias firmadas e relatórios anuais de execução financeira.

Os dados deverão ser disponibilizados no Portal da Transparência ou em outro meio eletrônico oficial. A divulgação deverá respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados, especialmente nos casos que envolvam mulheres em situação de violência.

Ao final de cada exercício, a Secretaria de Governo deverá produzir relatório com receitas, despesas, programas financiados, resultados alcançados e saldo existente. O documento será encaminhado ao CMDM e também ficará sujeito ao controle interno e à fiscalização do Tribunal de Contas do Estado.

Zezé afirma que o fundo poderá reduzir a dependência exclusiva do orçamento municipal e ampliar a possibilidade de Hortolândia captar recursos estaduais, federais, privados e de outras instituições para políticas destinadas às mulheres.

Segundo o prefeito, a proposta busca dar mais capacidade financeira às ações já desenvolvidas pelo município nas áreas de proteção, acolhimento, combate à violência e autonomia econômica.

 


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