Hortolândia fortalece ‘missão’ contra trabalho infantil pelas ruas da cidade
Ato promovido pelo Poder Executivo reuniu autoridades, servidores e representantes da rede de proteção para reforçar conscientização sobre impactos do trabalho de crianças e adolescentes; município soma cinco pessoas nessa condição
Em meio ao mês contra o trabalho infantil, servidores de Hortolândia e visitantes do Paço Municipal acompanharam nesta semana o “Ato de Conscientização e Enfrentamento ao Trabalho Infantil”, realizado pela prefeitura, em parceria com o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e a Comissão Municipal de Enfrentamento ao Trabalho Infantil, no hall do “Palácio dos Migrantes”, no Jd. Metropolitan.
O evento foi aberto ao som da canção “Sementes”, na versão com Rael, Negra Li e Daniela Mercury, tocada durante uma breve apresentação teatral de 13 meninas da Casa Bethânia da Paz, OSC (Organização da Sociedade Civil), parceira da Administração Municipal. O prefeito Zezé Gomes (Republicanos) revelou que, quando criança, passou por essa experiência, ao trabalhar na roça, junto com o pai, em Congonhinhas e Cornélio Procópio/PR, desde pequeno.
“Essa é uma causa muito justa. Temos uma rede gigantesca de
proteção a todos os que precisam do poder público para esse enfrentamento.
Nosso governo faz esse enfrentamento, graças a vocês, servidores. É assim que
cuidamos das pessoas. As crianças precisam brincar e estudar. Eu fui ter
bicicleta aos 18 anos de idade. Comecei a trabalhar na roça aos seis anos,
ajudando o meu pai. Vamos dar aos nossos filhos a oportunidade que não tivemos.
Que todo dia seja dia de combate ao trabalho infantil”, afirmou Zezé Gomes.
Além dele, também compareceram ao ato a primeira-dama e secretária de Inclusão e Desenvolvimento Social, Maria dos Anjos Assis Barros; a presidente do CMDCA, Quézia Garcia; e os representantes do Conselho Tutelar, Fábio Venâncio, e do SMPETI (Serviço Municipal de Enfrentamento ao Trabalho Infantil), Rômulo Peniche.
Assim como o marido, Maria dos Anjos revelou que também não teve infância nem adolescência. Ao sair de São Caetano/PE para morar no Sudeste, trabalhava com a família desde muito pequena, em uma chácara da então Sumaré, hoje Hortolândia.
“Tudo o que essas crianças nos falaram aqui hoje nos lembra
a nossa infância. Essa pauta deve ser sempre lembrada. Toda a sociedade precisa
respeitar a infância, a idade da criança. Quem trabalha na infância ainda hoje
traz essa marca e comete erros. Minha filha também passou por isso, porque
tinha que me ajudar. Que bom que hoje ela pode corrigir isso com o filho dela,
fazendo diferente. Na nossa cidade de Hortolândia, as crianças podem gozar o
direito de brincar, de estudar e de se divertir. Precisamos ter esse respeito
com as crianças. Vamos passar essa conscientização a todas as pessoas. Criança
só quer ser criança e ser feliz”, ressaltou Maria dos Anjos.
Após o ato, os participantes puderam ver 20 desenhos afixados em móbiles no hall. Eles foram feitos por crianças de OSCs atendidas pela prefeitura. Houve também distribuição de informativos sobre o tema. Segundo a Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social, Hortolândia realiza diversas ações intersetoriais de enfrentamento ao trabalho infantil. Uma delas é o Serviço Municipal de Enfrentamento ao Trabalho Infantil, executado nos territórios referenciados aos sete CRASs (Centros de Referência de Assistência Social) do município.
Sediado no CREAS (Centro de Referência Especializado de
Assistência Social), o SMPETI acolhe as demandas apresentadas pelo Serviço
Especializado em Abordagem Social, que identifica as situações de trabalho
infantil em espaços públicos da cidade. Cabe a ele atender as famílias com
crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. Ele também atua
mobilizando e sensibilizando os setores do governo municipal e da sociedade,
com campanhas de conscientização sobre o tema.
No Cadastro Único, relativo a maio de 2026, Hortolândia
contava com quatro famílias, o equivalente a cinco pessoas, em situação de
trabalho Infantil. Essas famílias são atendidas pelo SMPETI.
A região de Campinas registrou crescimento nas denúncias de trabalho infantil em 2026. Dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam que os registros saltaram de 70 para 142 entre janeiro e maio deste ano, um aumento de 103% em comparação com o mesmo período de 2025. O levantamento foi divulgado nesta semana. A medida chama a atenção para uma das mais graves violações dos direitos de crianças e adolescentes.
O avanço observado na região acompanha uma tendência
registrada em toda a área de atuação do MPT, que engloba 599 municípios do
interior paulista e do litoral norte. No acumulado dos cinco primeiros meses de
2026, foram registradas 448 denúncias de trabalho infantil nas regiões citadas,
contra 221 no mesmo período do ano passado, uma alta de 102%.
Para a coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de
Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância),
procuradora Ana Raquel Machado Bueno de Moraes, o cenário exige mobilização da
sociedade.

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